Práticas integrativas como a aromaterapia emergem como aliadas científicas no combate ao estresse e na regulação emocional em todas as fases da vida
O Dia Internacional das Mulheres, celebrado hoje, 8 de março, consolida-se cada vez mais como um marco fundamental para ampliar discussões profundas sobre a saúde integral feminina. Para além das homenagens, a data joga luz sobre um dado alarmante da Organização Mundial da Saúde (OMS): os transtornos mentais, como ansiedade e depressão, afetam proporcionalmente mais as mulheres do que os homens, figurando entre as principais causas de incapacidade global. Diante de um cenário de sobrecarga que une jornadas duplas e transições hormonais, o olhar médico e social se volta para estratégias que integrem o bem-estar físico ao emocional, com destaque para a ascensão das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

O dia 8 de março é mais do que uma data para discutir sobre os diferentes tipos de violência sofridas pelas mulheres, é uma data para prestar homenagens simbólicas e um convite a fazer reflexões sobre os impactos enfrentados por elas para cuidar da saúde e como isso afeta a qualidade de vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais estão entre as doenças que mais têm incapacitados muitas pessoas, sendo 50% mais comuns para as mulheres, isso tem as incapacitados até mais do que os homens.
Transtornos como Ansiedade e Depressão como outros distúrbios psicológicos, têm uma maior predominância no público feminino em diferentes regiões e faixas etárias, em números isso equivale a (13,5% ou 508 milhões) do que homens (12,5% ou 462 milhões) vivem com um transtorno mental no mundo, segundo relatório da OMS. Nisso, as práticas integrativas têm ganhado espaço ajudando a equilibrar o emocional, físico e social, e proporcionando um alívio com o estresse e buscando promover bem-estar para a mulher nas diferentes fases ao longo da vida.

O Olfato como Via de Equilíbrio
No centro dessa abordagem está a aromaterapia de base científica. Longe de ser apenas um recurso de perfumação ambiental, a técnica utiliza óleos essenciais para atuar diretamente no sistema límbico — a região do cérebro responsável pelas emoções — e no sistema nervoso autônomo. Dialogando também com as transformações hormonais ao longo da vida da mulher, como as famosas TPMs (Tensões Pré-Menstruais), puerpério e climatério, que sofrem interferência intensa de sintomas como: irritabilidade, insônia, fadiga e até mesmo instabilidade emocional.

A Dra. Talita Pavarini, doutora em Enfermagem pela USP e especialista na área, explica que essa estimulação olfativa pode resultar em respostas fisiológicas concretas, como a redução da frequência cardíaca e o relaxamento muscular. “A aromaterapia atua como moduladora das respostas ao estresse, auxiliando o organismo a recuperar estados de estabilidade emocional em momentos de maior sobrecarga”, pontua a especialista. Já que muitas mulheres vivem uma jornada dupla com muitas responsabilidades resultando em uma rotina permeada por estresse crônico.
Suporte nas Transições Hormonais
A vida feminina é marcada por ciclos que impõem desafios químicos e emocionais. A pauta destaca que óleos específicos são fundamentais para suavizar os sintomas de fases como:
- TPM e Climatério: Onde a irritabilidade e a instabilidade emocional são frequentes.
- Puerpério: Fase de grande vulnerabilidade e fadiga.
- Gerenciamento de Insônia: Melhora a qualidade do sono através de óleos como a Lavandula angustifolia.

Entre os aliados mais citados para o conforto feminino estão o gerânio, a laranja-doce e o ylang-ylang, cada um com propriedades que auxiliam na reorganização da percepção de cuidado.
Rituais de Desaceleração na Rotina
Considerando a jornada multitarefa enfrentada pela maioria das mulheres, a integração de pequenos rituais sensoriais torna-se uma estratégia de sobrevivência e saúde. O uso de difusores, inaladores pessoais e massagens com óleos diluídos permite pausas respiratórias que rompem o ciclo do estresse crônico. É essencial que se faça de modo correto a escolha dos óleos essenciais, verificando a sua procedência antes do uso, além de como o produto deve ser aplicado para que não haja reações adversas.

No entanto, a Dra. Talita faz um alerta essencial sobre a segurança e a procedência: “A aromaterapia não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde. Ela integra o cuidado”. O uso por gestantes, pacientes oncológicos ou mulheres em tratamento hormonal deve ser sempre orientado por especialistas para evitar reações adversas com as substâncias concentradas.
Um Cuidado Multidimensional
Trazer a saúde mental para o centro do 8 de março é reconhecer que o bem-estar da mulher não é linear. O fortalecimento de estratégias que unam o rigor científico ao acolhimento emocional é o caminho para que o cuidado feminino seja, de fato, contínuo e transformador em todas as etapas da vida.

O Equilíbrio Feminino: Atividade Física e Práticas Integrativas no Combate à Ansiedade
A saúde da mulher contemporânea é atravessada por múltiplos desafios que vão além do bem-estar físico. Entre a gestão da carreira, os cuidados com a família e as pressões sociais, os índices de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, têm apresentado um crescimento alarmante no público feminino. Para entender como o movimento do corpo e o autocuidado podem ser ferramentas de transformação, conversamos com Gessicleide Barbosa.
Moradora de Orobó, em Pernambuco, e profissional de Educação Física, Gessicleide traz uma visão humanizada sobre como a rotina impacta o organismo feminino e aponta caminhos práticos para alcançar o equilíbrio emocional através de hábitos saudáveis e práticas integrativas.
A Sobrecarga do Cotidiano e os Reflexos na Saúde Mental e Física
Segundo a profissional, a origem do aumento nos transtornos mentais em mulheres está diretamente ligada à sobrecarga de responsabilidades. O acúmulo de funções (trabalho, casa e família), somado à pressão social sobre a aparência e às constantes oscilações hormonais, cria um cenário de estresse crônico.
Gessicleide explica que esse desgaste mental não tarda a se manifestar no corpo: “Isso pode gerar cansaço mental e baixa autoestima, além de impactos físicos visíveis, como a insônia, fadiga persistente, dores musculares e a falta de energia para as tarefas mais simples do dia a dia”, pontua.

A Sinergia entre Exercício, Psicologia e Aromaterapia
Questionada sobre a eficácia das práticas integrativas, como a aromaterapia, a especialista defende que elas não devem atuar isoladamente, mas como aliadas de um estilo de vida ativo. Quando combinada à atividade física regular e ao acompanhamento psicológico, a aromaterapia atua na redução imediata dos níveis de estresse. Essa tríade é capaz de promover o relaxamento, melhorar significativamente o humor e elevar a qualidade do sono, resultando em um bem-estar geral mais robusto.

Estratégias de Autocuidado para as Diferentes Fases Hormonais
A vida feminina é marcada por ciclos intensos, como a TPM, o puerpério e o climatério. Para atravessar esses períodos com mais serenidade, Gessicleide Barbosa recomenda a adoção de cinco pilares fundamentais:
- Movimento Constante: Praticar atividades como caminhada, musculação e alongamentos.
- Nutrição e Descanso: Manter uma alimentação equilibrada e respeitar rigorosamente as horas de sono.
- Técnicas de Relaxamento: Utilizar meditação, exercícios de respiração ou o suporte da aromaterapia.
- Apoio Profissional: Não hesitar em buscar suporte psicológico quando necessário.
“Essas práticas ajudam a equilibrar o corpo e a mente, permitindo que a mulher mantenha sua saúde física e emocional em harmonia, independente da fase da vida em que se encontre”, conclui a profissional.






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