Com investimento de R$ 150 milhões, o CIQuanta-PB coloca a Paraíba na vanguarda da segurança digital e da inovação científica global
A capital paraibana está prestes a entrar para um seleto grupo de cidades globais que detêm o domínio da tecnologia quântica. O equipamento será comprado de uma empresa chinesa vinculada ao China Electronics Technology Group Corporation. A instalação do Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba (CIQuanta-PB), tem dois locais que estão sendo avaliados, um deles é antigo prédio da Estação das Artes Luciano Agra, e o Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, na região central da capital, que terão a possibilidade de abrigar dois computadores quânticos de 20 a 100 qubits, marcando um divisor de águas para a ciência brasileira. O projeto, fruto de uma parceria estratégica entre o Governo da Paraíba e o Governo Federal, abrigará o primeiro computador quântico operacional da América Latina, com previsão de conclusão das obras e montagem entre julho e agosto de 2026.
O centro onde o equipamento ficará, terá um ambiente altamente controlado, com sistemas criogênicos, salas blindadas e estruturas de estabilização, tendo o objetivo o desenvolvimento quântico além de formação de recursos humanos com alta qualificação. A previsão para a montagem do equipamento está sendo prevista para este ano ainda, com previsão para funcionamento entre 2026 e 2027. Estima-se que o investimento deste empreendimento chegue a R$ 150 milhões de reais. E possua uma infraestrutura apropriada para visitação, segundo comentou o secretário, “vai ser um Centro Internacional onde haverá gabinetes onde os visitantes poderão circular”, afirmou sem maiores detalhes.

São poucos países no mundo que têm essa tecnologia. Aqui vamos ter muita capacidade e rapidez para processar dados e dar soluções para a indústria, a saúde, a defesa e outras áreas”, afirmou a ministra Luciana Santos, após visitar as obras do centro, que vai funcionar onde era a Estação das Artes, na capital João Pessoa. A ministra ainda enfatizou que esse empreendimento tem um papel estratégico para a diminuição das desigualdades regionais. “Levar tecnologia de ponta para todas as regiões do País é uma prioridade. A Paraíba já tem um ecossistema robusto e está dando um passo decisivo com essa infraestrutura de pesquisa”, complementou.
Além dessa obra, a ministra também visitou o Parque Tecnológico Horizontes da Inovação da Paraíba, tendo a oportunidade de conhecer as iniciativas de apoio a startups e fortalecimento do ecossistema local.
Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, Claudio Furtado, que ressaltou o quanto essa iniciativa é importante para que a cooperação federativa possa viabilizar a realização deste projeto. “Essa é uma política pública construída em parceria com o Governo Federal. E essa é uma pauta de futuro, que vai formar pessoas e transferir tecnologia nesse equipamento, que servirá não só à Paraíba, mas ao Brasil e à América Latina”, afirmou.

Ainda de acordo com o secretário, a ideia de investir em equipamentos com alta capacidade partiu de uma articulação entre o então governador em exercício João Azevêdo e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. A iniciativa parte das raízes na trajetória acadêmica e científica que o estado possui tendo instituições de renome nas principais cidades. “O governador é professor aposentado do IFPB, e a Paraíba tem uma longa trajetória na área de ciências e tecnologia, como TI, Engenharia Elétrica e a Física. O primeiro computador mainframe do Nordeste, por exemplo, foi instalado aqui, em Campina Grande”, afirmou.

O Salto Tecnológico: O que muda com o Qubit?
Diferente da computação clássica, que processa dados em bits (0 ou 1), o computador quântico utiliza qubits, que podem existir em múltiplos estados simultaneamente. Fazendo com que as informações sejam processadas de uma forma diferente. Na prática, isso significa uma capacidade de processamento bilhões de vezes superior para tarefas específicas, como:
- Segurança Digital: Desenvolvimento de criptografia inviolável para dados governamentais e bancários.
- Saúde: Simulação molecular ultra precisa para a criação de novos medicamentos e vacinas.
- Logística e Clima: Otimização de rotas complexas e modelos meteorológicos de alta fidelidade.
- Além de: Segurança de Dados, indústria e inteligência artificial.

Soberania Nacional e Parceria Internacional
O investimento inicial é de aproximadamente US$ 10 milhões (cerca de R$ 53,1 milhões). O projeto conta com a cooperação da China Electronics Technology Group Corporation (CETC), um dos maiores conglomerados tecnológicos do mundo. Segundo a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba (Secties), o objetivo não é apenas importar o hardware, mas garantir a transferência de tecnologia e a soberania nacional.
Além do computador, o centro será um polo de ciência aberta, com cinco auditórios e um centro de formação voltado à capacitação de novos pesquisadores. A ideia é que o CIQuanta-PB funcione como um imã para startups e talentos, conectando-se diretamente ao Parque Tecnológico Horizontes da Inovação, no Centro Histórico de João Pessoa.
Com o CIQuanta irá haver o impulsionamento em pesquisas na área de saúde, defesa, clima e segurança digital. Isso coloca a Paraíba em destaque no momento, dando um importante passo para a consolidação da infraestrutura científica. Na última sexta-feira (27/03), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, realizou uma visita nas obras de readequação do espaço que irá abrigar o empreendimento, que será uma parceria do ministério com o governo do estado.

O Cinquenta entra de modo estruturante na Iniciativa Brasileira para Tecnologias Quânticas (IBQuântica), que se trata de uma política em construção no âmbito do MCTI voltada à coordenação nacional de esforços como: computação, comunicação e sensoriamento quânticos, tendo seu foco no desenvolvimento de capacidades científicas, tecnológicas e industriais estratégicas. Entre os anos de 2023 a 2025, o MCTI destinou para a Paraíba um investimento de R$ 513,6 milhões, três vezes mais do que foi enviado entre 2019 a 2022.
Para o secretário do MCTI, Daniel Gomes, vê esta iniciativa como uma política sólida para o estado. “É com muita felicidade que a gente vê um governo do Nordeste investindo em ciência e tecnologia. A gente sabe que investimentos como esses demoram para dar resultado, não são medidas de curto prazo. Então, é muito importante ver o Governo da Paraíba dando um grande passo estratégico de longo prazo para o Estado. Não é uma questão de governo, não é por quatro anos. Isso aqui é para o futuro dos paraibanos e do Brasil como um todo”, ressaltou.

Rede Quântica: João Pessoa – Campina Grande
Um dos pontos mais ambiciosos do projeto é a criação de uma rede de comunicação quântica. O sistema permitirá a distribuição de chaves criptográficas seguras em uma distância de até 100 quilômetros, estabelecendo um canal de comunicação blindado entre a capital e o polo tecnológico de Campina Grande.
Com essa iniciativa, a Paraíba não apenas noticia o futuro, mas o constrói, consolidando-se como o principal hub de tecnologia disruptiva do Hemisfério Sul. Para o então governador em exercício João Azevêdo “a implantação do Centro de Computação Quântica na Paraíba trará novos horizontes para a nossa população, abrindo uma janela enorme de oportunidades para os nossos jovens, mas também fortalecendo outras áreas muito importantes para o desenvolvimento da Paraíba, como a agricultura e a própria indústria”, afirmou o governador.
Fontes:
- Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
- Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties-PB).
- Agência Brasil / Rádio Nacional.
- Portal do Governo da Paraíba (Secom-PB).
- Anatel.
- Jornal da Paraíba.






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