Mudanças na rotina exigem planejamento; médico-veterinário alerta sobre os cuidados com transporte, hospedagem e saúde emocional dos animais
Por Redação
CAMPINA GRANDE, PB – 10/07/2026
O mês de julho chegou e, com ele, a tradicional movimentação nas estradas e aeroportos para as férias de inverno. No entanto, enquanto as famílias arrumam as malas, um detalhe crucial não pode ficar de fora do planejamento: o bem-estar dos animais de estimação. Sejam acompanhando seus tutores na estrada ou ficando sob os cuidados de hotéis especializados, cães e gatos sentem o impacto das mudanças na rotina. Para evitar imprevistos e garantir a segurança dos bichinhos, médicos-veterinários alertam que a organização antecipada é a chave para uma viagem tranquila.
De acordo com o médico-veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, os animais são extremamente sensíveis a alterações no ambiente. “As férias alteram completamente a rotina da casa. Por isso, é importante pensar no bem-estar deles antes mesmo de fazer as malas”, afirma. Segundo o especialista, uma viagem segura começa bem antes do embarque, com uma consulta de rotina, atualização de vacinas e a escolha do transporte adequado. Em locais desconhecidos deve-se manter a atenção redobrada.

O período das férias costuma ser um período de muita alegria para as famílias. Mas para os animais a mudança tem uma representação importante para eles. Pois alguns animais acompanham seus tutores, enquanto outros permanecem em casa. Para os que permanecem em casa, o enriquecimento do ambiente é necessário, para preservar a saúde física e emocional. O ideal é deixar o animal com alguém de confiança ou levá-lo para creches especializadas para animais onde houver.
Aos animais que permanecem em casa, o enriquecimento do ambiente é justamente para preservar o ambiente para que haja o estímulo de comportamentos naturais do animal. Ao fazer isso, evita-se que o pet fique entediado, reduz o estresse, a ansiedade e os diversos problemas de comportamento que costumam aparecer quando o animal se mantém por muito tempo sem atividades.

Para garantir o bem-estar dos pets nas viagens, é preciso ter um planejamento antecipado, realizar uma adaptação que se dê de forma gradual, mantendo sempre a rotina para não causar prejuízos ao animal. Para evitar qualquer tipo de estresse, busque ajuda de um médico-veterinário para averiguar a saúde do seu pet.
Além disso, esteja atento às documentações pedidas, pois em viagens aéreas cada companhia tem seus critérios para transporte de animais, se o local aceita animais (pet friendly) equipamentos de segurança e tenha sempre por perto os pertences. Adquira com antecedência a caixa de transporte que seja ideal para o tamanho e peso do seu pet, além de deixar em um local acessível para que o animal possa ir se acostumando.
Durante a preparação para a viagem, fique atento à rotina. Mudanças bruscas repentinas podem deixar o animal ansioso. Para evitar, mantenha no local de destino um espaço familiar para que seu pet se sinta à vontade, levando os pertences usados como costume. Isso porque o cheiro familiar deixa o animal confortável emocionalmente e seguro.
A alimentação deve seguir os mesmos horários de costume; evitando haver mudanças na alimentação e nos horários, válido também para viagens de longa distância. “O ideal é manter a rotina de alimentação o mais próximo possível do habitual e oferecer água fresca constantemente”, explica a médica-veterinária Larissa Mitie Hojo.
Na estrada ou no ar: A segurança em primeiro lugar
Para quem vai levar o pet na viagem, o respeito às normas de trânsito e de segurança é indispensável. Em trajetos de carro, o uso de caixas de transporte ventiladas ou de cintos de segurança próprios para cães é obrigatório e evita acidentes.
Flosi lembra ainda a importância de programar pausas estratégicas durante o percurso para hidratação e para que o animal possa fazer suas necessidades. Já para viagens aéreas, a exigência de documentações específicas e caixas de transporte padronizadas pelas companhias exige uma antecedência ainda maior na preparação.
Na estrada, alguns cuidados devem ser tomados para que não atrapalhe o motorista ou haja qualquer tipo de acidente, como manter o animal bem preso, segundo o Código de Trânsito Brasileiro. Dentro do carro, nunca deixe seu Pet solto, com a cabeça para fora ou no colo do condutor. Sempre faça o uso de cinto de segurança apropriado para animais, tenha uma cadeirinha ou use a caixa de transporte presa ao cinto do carro.

Lembre-se que viagens terrestres podem causar enjoos. Para isso, na consulta com o veterinário sobre a necessidade de usar medicamentos contra náuseas e enjoos. Durante a viagem busque fazer pausas a cada 2 ou 3 horas para que o pet possa se hidratar, fazer as necessidades e se alongar.
“Seja qual for o meio de transporte, deve-se considerar o tempo de viagem e o conforto do animal. Idealmente, em viagens de carro, os animais devem utilizar cinto de segurança ou caixa de transporte devidamente presa, e intervalos a cada 2 ou 3 horas devem ser realizados para passeio na coleira, hidratação e alimentação em pequena quantidade”, integrante Comissão Técnica de Animais de Companhia do CRMV-SP, Maria Claudia de Campos Mello Inglez de Souza.
Hospedagem de confiança
Se a opção da família for deixar o companheiro de quatro patas na cidade, a escolha do local de permanência deve ser criteriosa. O especialista recomenda:
- Visitas prévias: Conheça a infraestrutura, as condições de higiene e a rotina do hotel ou cuidador.
- Suporte profissional: Verifique se há supervisão veterinária no local.
- Histórico detalhado: Informe detalhadamente sobre restrições alimentares, uso de medicamentos contínuos e traços comportamentais (como medo de fogos ou estranhamento com outros animais).

“Certifique-se de que as cercas sejam altas, resistentes e sem buracos ou pontos frágeis que possam permitir a fuga do seu pet. Verifique regularmente a integridade delas para evitar acidentes”, conclui.
“Se o animal permanecer na cidade, é fundamental escolher um cuidador ou hotel de confiança, capaz de manter sua alimentação, medicação e rotina o mais próximo possível do habitual”, reforça Flosi.
Atenção ao clima e à saúde emocional
Embora as férias de julho coincidam com o inverno brasileiro e as férias escolares da maioria dos estudantes, os dias ensolarados ainda exigem cautela. O asfalto quente pode causar queimaduras sérias nas coxins (as “almofadinhas” das patas). A recomendação é realizar passeios apenas nos horários mais frescos — no início da manhã ou fim da tarde — e carregar sempre água fresca. E devido ao calor nos espaços fechados como o carro, nunca deixe seu pet sozinho, pois a temperatura interna sobe muito rápido pode ser fatal, causando problemas como desidratação, problemas respiratórios, insolação e falência de órgãos.
Além do físico, o fator emocional conta muito. A ausência dos tutores ou a inserção em ambientes desconhecidos pode gerar ansiedade de separação e estresse severo nos animais. Para minimizar esses impactos, Flosi deixa algumas recomendações de ouro: mantenha a identificação do animal (como plaquinhas na coleira) rigorosamente atualizada, leve brinquedos ou objetos com o cheiro dos donos e nunca, sob hipótese alguma, deixe cães ou gatos sozinhos dentro de veículos trancados, mesmo que o clima esteja ameno.
Apesar de estarmos no inverno, os raios solares ainda se mantêm presentes e os cuidados devem se manter. “No período de férias, acabam chegando nas clínicas veterinárias casos de vômitos, intoxicações, hipertermia, doenças infecciosas, quedas, traumas e mordeduras. Animais que recebem medicações contínuas também podem sofrer consequências caso a rotina seja perturbada, como a descompensação de doenças crônicas”, afirma a veterinária.
Com cuidados simples e organização, o período de descanso pode — e deve — ser prazeroso e seguro para toda a família, incluindo os membros de quatro patas. Mantendo a supervisão constante. “Supervisione seu pet especialmente em áreas com vegetação densa ou próximas a animais silvestres, pois esses ambientes podem esconder animais perigosos, como cobras ou escorpiões, que podem representar riscos à saúde do seu animal”, alerta Larissa.
Fonte: Hora Campinas






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