Análise de comportamento bancário entra no radar de bancos e do Banco Central, que já pune o histórico recorrente de apostadores com juros mais altos e recusa de empréstimos
Por Redação
Campina Grande, PB – 15/07/2026
A euforia das apostas esportivas, impulsionada por grandes eventos como a Copa do Mundo de 2026, acaba de ultrapassar a barreira do entretenimento para cobrar um preço alto na saúde financeira do brasileiro. Um comportamento de jogo aparentemente inofensivo no celular está se transformando no principal vilão na hora de aprovar financiamentos, empréstimos e cartões de crédito. Instituições financeiras de todo o país já utilizam algoritmos refinados para penalizar o perfil de apostadores frequentes, reduzindo drasticamente o acesso a recursos e elevando o risco de endividamento sistêmico no país.
O alerta vem de especialistas do setor e já é uma realidade ratificada pela autoridade monetária nacional. De acordo com o economista Noé Santiago, da Anidea — correspondente bancária curitibana especializada em crédito com garantia de imóvel (Home Equity) —, as movimentações frequentes para plataformas de apostas (as chamadas “bets”) tornaram-se um sinal vermelho decisivo para os analistas de risco das instituições bancárias.
O Fim do Segredo: Banco Central confirma penalização no Score
O que antes era uma suspeita de mercado foi confirmado publicamente pelo próprio Banco Central. Em depoimento à CPI das Bets no Senado, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, foi enfático: os apostadores costumam apresentar uma avaliação de crédito pior. Mais do que isso, Galípolo revelou que o comportamento de aposta já foi plenamente integrado ao “score” e aos algoritmos que os bancos utilizam para precificar o risco e definir as taxas de juros de cada cliente.
Na prática, isso significa que duas pessoas com a mesma faixa de renda e sem nenhuma restrição no nome (SPC/Serasa) podem ter respostas completamente diferentes ao solicitar um financiamento imobiliário ou de veículo. A que não possui registro de transferências para plataformas de apostas terá o crédito aprovado com facilidade; a que aposta com frequência poderá ter o pedido negado ou ser submetida a juros muito mais severos.

Desvio de consumo e endividamento familiar
A gravidade da situação se estende para a economia como um todo. Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School aponta que o mercado de apostas online superou fatores macroeconômicos tradicionais, como as taxas de juros elevadas e a expansão de crédito tradicional, tornando-se um dos principais motores do endividamento das famílias brasileiras.
Segundo dados de uma pesquisa recente do Procon-SP, o estrago no orçamento já é evidente:
- 39,7% (quatro em cada dez apostadores) admitem que já se endividaram diretamente em decorrência de perdas com jogos online.
- 30,1% afirmam gastar mais de R$ 1.000,00 por mês nessas plataformas.
- 52,4% confessam comprometer uma fatia importante da renda mensal, chegando a recorrer a empréstimos para continuar jogando.
De acordo com os pesquisadores do Ibevar/FIA, recursos financeiros que historicamente seriam destinados ao consumo básico de bens, a investimentos de médio prazo ou à própria formação de patrimônio familiar estão sendo drenados diretamente para as plataformas digitais de aposta, de onde raramente retornam para a economia real.

O efeito Copa do Mundo de 2026
O problema, que já é estrutural, atinge seu ápice em momentos de grande apelo esportivo. Durante a Copa do Mundo de 2026, o apelo publicitário massivo e o clima de competição servem como catalisadores para o endividamento. Dados de uma pesquisa conjunta da CNDL e do SPC Brasil revelam que 41% dos brasileiros pretendem realizar apostas durante o torneio internacional.
O dado mais alarmante do mesmo estudo mostra que, entre os consumidores que planejam gastar de alguma forma durante o evento, 61% já possuem dívidas em atraso. Isso significa que a maior parcela do público que vai movimentar dinheiro em apostas durante a Copa do Mundo já chega ao evento com a saúde financeira gravemente comprometida, utilizando recursos de forma inadequada.
“O banco não avalia apenas renda e score. Hoje ele observa cada vez mais o comportamento financeiro detalhado do cliente. Quando identifica um padrão frequente de movimentações para plataformas de apostas, entende que existe um risco maior de comprometimento da renda futura. Isso pode dificultar ou até inviabilizar uma aprovação de crédito, principalmente nas operações de maior valor.” — Noé Santiago, economista da Anidea
Como blindar o perfil e recuperar o acesso ao crédito
Para quem busca linhas de crédito robustas e planejadas — como o crédito com garantia de imóvel (Home Equity), conhecido por oferecer as menores taxas de juros do mercado —, a regra de ouro é a antecipação e a organização. Economistas recomendam uma “limpeza” comportamental no extrato bancário de pelo menos três a seis meses antes de iniciar o processo com uma instituição financeira.
De acordo com Santiago, manter uma postura financeira transparente e saudável é o ativo mais valioso do consumidor moderno. “Muita gente procura crédito para realizar um projeto de vida, investir em sua empresa ou reorganizar as próprias finanças. Mas, se o histórico bancário demonstra um comportamento recorrente de apostas, a instituição financeira pode interpretar que existe um risco elevado de inadimplência. A melhor estratégia continua sendo preservar um histórico financeiro saudável, porque ele vale tanto quanto a renda na hora de conseguir boas condições de crédito”, conclui o economista.
Serviço: Anidea Soluções Financeiras
Noé Santiago
Economista
41 9652-5524
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
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Mal. Deodoro, 51 – Sala 205B – Centro, Curitiba/PR.






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