Em entrevista ao Portal Léo Dias, a candidata baiana afirmou que representação política é necessária para que demandas de grupos historicamente excluídos entrem na formulação de políticas públicas

Por Redação 

Campina Grande, PB – 01/10/2026

A candidata a deputada federal Manuella Tyler (PSB-BA) defendeu a formação de uma bancada de mulheres trans no Congresso Nacional durante entrevista ao jornalista Caio Barbieri, exibida na última quarta-feira (23), às 19h, pelo Leo Dias TV. Para ela, a presença de mais mulheres trans nos espaços de poder pode ampliar a representação política e fazer com que demandas historicamente deixadas em segundo plano sejam incorporadas à formulação de políticas públicas.

Em um passo considerado histórico para a representatividade política no Brasil, candidaturas trans de esquerda vêm unindo forças para construir uma atuação conjunta no Legislativo. Liderado por nomes expressivos do cenário nacional — como Erika Hilton (SP), Duda Salabert (MG), Thabatta Pimenta (RN), Benny Briolly (RJ) e Manuella Tyler (BA) —, o movimento busca transcender a atuação individual e consolidar uma bancada articulada na Câmara dos Deputados.

A iniciativa coloca no centro do debate nacional a pauta dos direitos da população trans e a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão. A urgência dessa articulação também ganha contornos de resistência: recentemente, o Ministério Público Eleitoral precisou intervir formalmente para assegurar a proteção e a legitimidade das candidaturas frente a reiterados ataques de cunho transfóbico. Para as lideranças envolvidas, a mobilização em rede sinaliza um marco de maturidade e força coletiva na luta por direitos fundamentais e ocupação dos espaços de poder.

Durante a entrevista, Manuella citou nomes como Erika Hilton e Duda Salabert e mencionou também a candidatura de Tábata, do Rio Grande do Norte, além de sua própria candidatura pela Bahia. Segundo ela, a ampliação da presença de mulheres trans na política pode criar uma representação coletiva inédita.

“Eu acho que nós estamos vivenciando um momento histórico no Brasil, um momento em que nós podemos formar uma bancada de mulheres trans. Nenhum outro país na história do mundo fez isso”, afirmou.

Para Manuella, a representatividade tem impacto também sobre a forma como a população enxerga a política. Ela argumentou que a presença de diferentes grupos sociais no poder ajuda a mostrar que suas demandas fazem parte dos problemas gerais do país.

“Nossas lutas são parte da sociedade, porque nós somos parte do conjunto de brasileiros”, disse.

A candidata afirmou ainda que a política pública precisa considerar desafios que, segundo ela, acabam ficando fora do debate quando os espaços de poder são ocupados de maneira pouco diversa.

“É importante sim fazer uma renovação, ou melhor, recriar a fotografia do poder, porque a crise, quando a gente fala que ela é estética, é porque as pessoas não se sentem vistas dentro desse processo”, declarou.

Manuella também chamou atenção para a baixa representação feminina na política de seu território. Segundo ela, em mais de 200 anos de Câmara Federal, sua região nunca elegeu uma mulher para o cargo. A candidata ressaltou que, nesse caso, não estava se referindo especificamente a mulheres trans, mas à presença feminina de maneira geral.

“Isso só mostra o quanto o Brasil ainda está muito atrás na representação da fotografia de poder”, afirmou.

Ao falar sobre a predominância histórica de homens brancos e heterossexuais nos espaços de decisão, Manuella fez questão de dizer que não considera esses grupos adversários. Para ela, homens que ocupam esses espaços também podem atuar como aliados na construção de um projeto de país.

“Ainda assim, nós precisamos que as nossas vozes, que são legítimas, precisam também estar lá sendo representadas”, disse.

A candidata também explicou que sua entrada na vida pública não ocorreu, segundo ela, a partir da decisão de escolher uma causa política específica, mas como consequência de sua própria trajetória e dos desafios que encontrou.

“Eu não sou uma política que buscou uma luta. Ao contrário, eu sou uma ativista, eu sou uma mulher, e com os desafios do meu território, do meu corpo, e com o que chega até mim, eu vou apenas tentando organizar isso de uma forma até profissional”, afirmou.

Manuella defendeu ainda a profissionalização da militância como parte da atuação política. Segundo ela, o trabalho de ativistas também envolve uma dimensão pedagógica e de diálogo permanente com a população.

“Nós precisamos profissionalizar a militância para entender que, inclusive, esse é também um trabalho, um trabalho didático, um trabalho pedagógico, que a gente faz com a população”, declarou.

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