Com estreia global confirmada, a cinebiografia do Rei do Pop promete recordes de bilheteria e uma imersão inédita na trajetória do artista.
O mercado cinematográfico mundial volta seus olhos está semana para um dos lançamentos mais ambiciosos da década. O filme “Michael”, cinebiografia oficial de Michael Jackson, chegou aos cinemas do mundo no último dia 24 de abril de 2026, trazendo o sobrinho do astro, Jaafar Jackson, no papel principal. Sob a direção de Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”) e produção de Graham King (“Bohemian Rhapsody”), a obra não apenas promete revisitar os momentos icônicos da carreira do Rei do Pop, mas também estabelecer um novo padrão para o gênero de dramas biográficos musicais, contando com o apoio total do espólio do cantor para uma reconstrução histórica e visual sem precedentes.

Visão Estratégica e Expectativas
O diretor-executivo da Lionsgate, Jon Feltheimer, tem sido um dos maiores entusiastas do projeto, destacando-o como uma peça fundamental para os resultados financeiros e a imagem da produtora nos próximos anos. O estúdio espera que a produção seja um sucesso de bilheteria e semelhante ao impacto que teve o filme “Bohemian Rhapsody”. Segundo o executivo, o material bruto entregue pela equipe de produção — que chegou a somar mais de três horas de filmagens de “tirar o fôlego” — reflete a magnitude do artista que o filme busca homenagear.
Para Feltheimer, “Michael” não é apenas um filme, mas um evento global capaz de atrair múltiplas gerações às salas de cinema; fazendo com que o público se sinta parte conectado à história. Somente nos EUA, a expectativa de ganhos de bilheteria era de USṢ 85 milhões.

Desde a sua estreia, o filme se consagrou como a segunda maior estreia do cinema em 2026, arrecadando até o momento a cifra de USṢ 206,4 milhões (pouco mais de 1 bilhão na cotação atual).
Produção e Elenco de Peso
A produção contou com um orçamento estimado entre US$ 155 e US$ 170 milhões, refletindo o investimento em cenografia de época e tecnologia de ponta para recriar as lendárias turnês do cantor, e a vida pessoal do astro, no entanto, partes polêmicas da vida do artista referentes as acusações de abuso sexual foram retiradas, por decisão da produção devido a um acordo feito com os acusadores que impedia de fazer qualquer menção em obras cinematográficas, segundo relatado pela Revista Variety.

Além das acusações de abuso, outros fatos foram omitido, como:
- O embranquecimento do cantor por causa do vitiligo;
- Criação de Neverland;
- Casamento com Lisa Presley e Debie Rowe;
- A mega apresentação no Super Bowl em 1993;
- O nascimento dos 3 filhos.
Fazendo com que o final do filme fosse regravado e sua tivesse a sua estreia atrasada, o que deixou a obra mais voltada pelo lado performático e nostálgico, desagradando críticos de cinema e das principais revistas e jornais do mundo. Para Alissa Wilkinson, do New York Times, “Este Michael é sem graça, quase sem humanidade”.
“Michael ocasionalmente deslumbra, mas é frequentemente incompleto, um filme feito para fãs devotos e defensores acríticos”, afirmou Peter Howell, do Toronto Star.
“Este é um filme frustrantemente superficial e inerte que não consegue se levar e mostrar que Michael foi uma vítima de abuso, brutalizado pelo pai e privado de infância”, comentou Peter Bradshaw, do Guardian.

As gravações principais foram concluídas em maio de 2024. E só puderam ocorrer neste ano, após as greves do sindicato SAG-AFTRA; e também devido a casa do roteirista ter sido alvo dos incêndios que ocorreram em Los Angeles.
Os ajustes no roteiro da cinebiografia e gravações extras foram feitas em 2025 (cerca de 22 de filmagens extras, tendo um custo que variou entre US$ 10 milhões a US$ 15 milhões), o que levou a perspectiva de que na época que a estreia pudesse ocorrer, mas por alguns motivos externos a estreia só pôde ocorrer em 2026. Para que a narrativa ficasse ainda mais refinada, como parte da estratégia para que a obra fosse um dos maiores lançamentos do estúdio nos últimos anos.

Além de Jaafar Jackson, o elenco traz nomes de prestígio:
- Colman Domingo interpreta o patriarca Joe Jackson, mostrando todo seu lado abusivo, exigente, violento físico e emocionalmente na vida de seus filhos. Mas também lúcido sobre o que estaria em jogo para uma família negra americana da época, afirmou a psicoterapeuta Dani Rita.
- Nia Long assume o papel de Katherine Jackson, mãe de Michael e que foi mostrada como omissa nas agressões de seu marido para com seus filhos.
- Miles Teller dá vida ao advogado e empresário John Branca.
- Juliano Krue Valdi representou Michael no início da carreira dos Jackson 5.
- Bill Bray (paternal sem exageros, na interpretação de KeiLyn Durrel Jones), o futuro segurança particular do astro, com quem Michael dividiu muitos momentos e confissões representando uma figura importante e afetiva.
- Jessica Sula representou a irmã Latoya Jackson.
- Kendrick Sampson representou o produtor musical e compositor americano, que no filme tem uma breve passagem.
- Tre Horton representou Marlon Jackson, irmão de Michael.
- Jamal R. Henderson representou Jermaine Jackson.
- Rhyan Hill representeu Tito Jackson.
- Joseph David-Jones representou Jackie Jackson.


A narrativa pretende cobrir desde a ascensão meteórica com os Jackson 5 até o domínio global como artista solo, explorando a complexidade do homem por trás do mito. Porém, a narrativa mostra um Michael infantilizado sem domínio de suas próprias ações, deixando de explorar um artista que possuía muitas camadas. O jovem Michael que até expirar com mais serenidade vive num grande campo minado e com muito sufoco até a conquista de sua independência.
Michael foi em sua infância uma criança trabalhadora, ao invés de ser apenas uma criança. Carregando traumas que percorreram toda sua vida. A dualidade fala alto no filme, “vencedores e perdedores”, como segmenta Joseph (empresário do filho, sendo muito bem representado na tela pelo impecável Colman Domingo), que se destacou pela atuação e semelhança com o Joseph Jackson, que afirmava aos filhos que nada viria de mão beijada.

Levando o patriarca a buscar incansavelmente pela integridade da família contra a individualidade tão ansiada por Michael. Walter Yetnikoff foi bem enfático, ao se dirigir para a “máquina de fazer dinheiro”: “O seu desejo, (Michael), é uma ordem”. E é seguindo esta perspectiva que num roteiro (de John Logan) é ajustado à grandeza do astro musical, que o protagonista (Jaffar) irá se firmar. Tendo a sua atuação muito elogiada.
Fuqua foi bastante assertivo em fazer com o protagonista evitasse imitar o rei do pop. “Em vez disso, o que Jaafar alcançou foi estar completamente presente no momento e trazer aquele mesmo espírito positivo que víamos Michael trazer para tudo o que fazia”, disse o diretor, em entrevista no exterior.

Na cinebiografia, a então MTV não exibia videoclipe de artistas negros, a conquista do rompimento da quebra de padrões, com a entrada negra no circuito de videoclipes da emissora. A presença efetiva do astro, visitas a crianças doentes e admiração de jovens, o prenúncio do moonwalk que o consagrou nas apresentações e as lantejoulas na luva. Até a sua consagração no álbum ‘Thriller’ é visto inúmeros percalços na vida do astro.
O roteiro como bom recurso usou da garimpagem e explicitando os fundamentos culturais que batizaram a entrada de Michael. Enquanto isso, é visto o culto emblemático pelo personagem Mickey Mouse e a identificação pelo Peter Pan, que fez com que o público compreendesse o motivo da construção do rancho Neverland. Além da saudável rivalidade com Prince e a devoção por Fred Astaire. Até poder se ver ‘confiante, bonito, forte e energizado’ pelo fluxo orgânico da dança, no filme Michael passará por provações.

A canção Workin´ day and night (do álbum Off the wall), mostra a construção do percurso feito por Michael, ao qual enfatiza a cena súbita de despedida entre os irmãos em dezembro de 1984. Época em que Michael sofreu um grave acidente em uma gravação, deixando com marcas profundas por toda a sua vida. A produção de Fuqua nada pode acrescentar mas permite de forma humanizada compreender o artista.
Desafios e Repercussão
Apesar da expectativa positiva, o filme enfrenta o desafio de equilibrar a celebração do talento de Michael com as controvérsias que cercaram sua vida pessoal. O CEO e sua equipe de marketing têm trabalhado para posicionar a obra como uma “representação autêntica”, defendendo que o público merece uma visão profunda de um dos artistas mais influentes da história da humanidade.

O CEO da Lionsgate indicou que apenas um filme não cobre toda a história da vida de Michael, sugerindo que a produção terá outras sequências, como pôde ser visto no final do filme e foi recentemente confirmado pelo Jaafar Jackson em entrevista. A sequência deve abordar o álbum “Bad” em diante, até o momento não há previsão de estreia.
Com a distribuição internacional a cargo da Universal Pictures, a projeção é que “Michael” domine as conversas culturais e as premiações em 2026, consolidando-se como o “blockbuster de prestígio” que a indústria aguardava.

Os irmãos de Michael (Jermaine, Tito, Jackie, Marlon e LaToya) se fizeram presentes na produção da cinebiografia como produtores executivos. Porém, Janet Jackson, irmã mais nova, não foi mencionada na obra e nem participou da divulgação. Houve o convite, no entanto, a cantora recusou gentilmente, segundo comentado em entrevista pela irmã LaToya. “Tenho muito respeito e amor por Janet, e está tudo bem. Ela apoia Jaafar, e isso é o que importa”, afirmou Fuqua.
Paris filha de Michael não se mostrou contente com a cinebiografia. Em sua rede social, relatou que “O filme agrada a uma parte muito específica dos fãs do meu pai, que ainda vivem nesse universo de fantasia. E eles ficarão felizes com isso”, afirmou.





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