Palestras apresentaram como o equilíbrio entre as dimensões cultual e cultural do monumento orientam o uso de tecnologia, sustentabilidade e comunicação para ampliar o acesso, mobilizar causas, gerar impacto social e fortalecer sua presença internacional

Por Redação

Campina Grande, PB – 04/08/2026

Como inovar em um monumento com 95 anos de história sem comprometer a identidade que o torna único? E como transformar uma das imagens mais poderosas do mundo em uma plataforma de comunicação capaz de produzir impacto concreto na sociedade? Essas questões conduziram a palestra “Cristo Redentor: Propósito, Inovação e Cultura”, apresentada pelo head de Marketing do Santuário Cristo Redentor, Carlos Lins, no Rio Innovation Week (RIW) 2026. Além dessa apresentação, o gestor do Instituto Redemptor, Lucas Machado, ministrou a palestra “Da Inclusão Digital à Transformação Social: Como a Educação Cria Novas Oportunidades”.

Para iniciar a semana do Rio Innovation Week, o monumento ao Cristo Redentor foi iluminado em roxo e azul na segunda-feira, 3 de agosto, celebrando a maior conferência global de tecnologia e inovação.

No dia seguinte, 4 de agosto, na Conferência Conecta Varejo do RIW, foi realizada a palestra de Carlos Lins. A apresentação partiu de um desafio permanente: construir inovação em um espaço que reúne duas dimensões inseparáveis. A dimensão cultual está ligada à fé, à vida litúrgica, à sacralidade e à missão de acolhimento do Santuário. A dimensão cultural está presente no turismo, na arte, na memória e na identidade de um patrimônio brasileiro reconhecido internacionalmente. É desse equilíbrio que nascem os critérios para selecionar mensagens, tecnologias e parcerias associadas ao monumento.

“Eu costumo dizer que o Cristo Redentor é o maior influencer do Brasil. Quando ele muda de cor, abraça uma causa ou recebe uma projeção, sua mensagem atravessa a cidade e chega ao mundo. Mas esse poder de comunicação só faz sentido quando está ligado a um propósito”, afirmou Carlos Lins.

Fonte: Imagem de wirestock no Magnific

Na estratégia apresentada por Carlos, inovar não significou adotar tecnologia como um fim em si mesma, mas ampliar o acesso ao patrimônio, preservar sua história, aproximar pessoas, mobilizar a sociedade e criar formas de diálogo com diferentes culturas. A visibilidade global do Cristo Redentor também não se encerrou no alto do Morro do Corcovado: ela se converteu em ações sociais, ambientais e culturais por meio do conceito do “Cristo que desce a montanha”.

Essa atuação ganhou presença concreta por meio do Consórcio Cristo Sustentável, formado pelo Santuário Cristo Redentor, pelo Instituto Redemptor e pela Obra Social Leste Um – O Sol. A integração conectou o poder de mobilização do monumento a iniciativas de acolhimento, cidadania, empreendedorismo, empregabilidade, educação ambiental e apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade.

A sustentabilidade ocupou posição central nessa estratégia, orientando a escolha das causas que recebem visibilidade, os critérios para a construção de parcerias, as iniciativas de economia circular, as ações de educação ambiental e o compromisso com o cuidado da Casa Comum. O desafio não se limitou a iluminar o monumento de verde em datas específicas, mas incorporou a sustentabilidade à forma como o Santuário se relaciona com empresas, instituições, visitantes e comunidades.

Entre os projetos abordados esteve o Olhar do Redentor, plataforma gratuita que utiliza Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (AR) para permitir que pessoas de qualquer lugar conheçam o Cristo Redentor e sua história. A experiência levou o público ao interior do monumento, apresentou aspectos artísticos, históricos e de engenharia e ampliou a visita presencial com conteúdos interativos acessados pelo celular. Para quem enfrenta barreiras geográficas, econômicas ou de mobilidade, a tecnologia democratizou o acesso ao patrimônio.

A palestra também apresentou o calendário de iluminações especiais, que transforma a presença noturna do Cristo Redentor na paisagem do Rio em uma plataforma de visibilidade para campanhas sociais, questões ambientais, datas nacionais, relações diplomáticas e temas de interesse mundial. Quando o monumento muda de cor, a luz se torna linguagem e chama a atenção para causas que precisam ser vistas.

As projeções mapeadas ampliaram essa capacidade ao desenvolver narrativas audiovisuais sobre o Cristo Redentor, o Brasil, a cultura, a sustentabilidade e diferentes causas. Cada proposta passou por uma análise curatorial que considerou a natureza sagrada do espaço, a relevância da mensagem e sua capacidade de gerar um legado que ultrapasse a exposição de uma marca.

“Nosso desafio não é transformar o Cristo em uma tela disponível para qualquer mensagem. É usar a tecnologia e a comunicação com propósito e curadoria, respeitando sua sacralidade e, ao mesmo tempo, ampliando sua capacidade de acolher, educar, mobilizar e dialogar com o mundo”, explicou Carlos.

No dia 5 de agosto, na Conferência EduTech do RIW, foi a vez da palestra do gestor do Instituto Redemptor, Lucas Machado. A apresentação mostrou que a inclusão digital deixou de ser apenas o acesso a equipamentos e conectividade para representar a possibilidade de ampliar conhecimentos, desenvolver competências, estimular a autonomia e criar caminhos para novas oportunidades. Por esse motivo, ela precisa ser compreendida como um compromisso coletivo que envolve governos, instituições de ensino, empresas, organizações sociais e a própria comunidade.

Fonte: Imagem de Vectorarte no Magnific

O Consórcio Cristo Sustentável, em parceria com a FIAP, desenvolveu o projeto “Conexão Futuro: Letramento Digital e Autonomia”, uma iniciativa de impacto social voltada à promoção da inclusão digital, qualificação e criação de novas oportunidades para mulheres e mães atendidas pelo Centro de Atendimento à Mulher Nossa Senhora do Parto, unidade que integra o Polo II da Obra Social Leste Um – O Sol, localizado na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, no Centro da Cidade.

A iniciativa nasceu com o propósito de reduzir barreiras digitais e ampliar possibilidades de desenvolvimento pessoal, social e profissional, oferecendo às participantes uma formação prática e humanizada em tecnologia, ferramentas digitais, inteligência artificial, empregabilidade e autonomia para utilização dos recursos disponíveis no mundo conectado.

“A inclusão digital não deve ser vista apenas como a entrega de equipamentos ou disponibilização de conectividade, mas como um processo educativo e transformador. A verdadeira inclusão digital acontece quando a pessoa deixa de ser apenas usuária da tecnologia e passa a utilizá-la como instrumento de transformação da sua própria vida”, destacou Lucas.

Essas iniciativas integram uma estratégia de internacionalização que fortalece o Cristo Redentor como símbolo do Brasil e do mundo. Inovação, acessibilidade, comunicação, sustentabilidade e diplomacia cultural atuaram juntas para aproximar pessoas sem diluir a identidade religiosa, histórica e brasileira do monumento.

Rumo ao centenário, em 2031, o Santuário preserva o legado do Cristo Redentor enquanto constrói novas formas de presença. As apresentações demonstraram que tradição e inovação não ocupam lados opostos quando a tecnologia respeita a identidade, aproxima pessoas e transforma visibilidade global em acesso, impacto social e legado — no alto da montanha e, principalmente, junto de quem mais precisa.

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