​Obra do artista plástico Antonio Veronese passa a integrar o acervo do Supremo Tribunal Federal com mensagem sobre a dignidade feminina e a igualdade de direitos

Por Redação 

Campina Grande, PB – 12/08/2026

​O Supremo Tribunal Federal (STF) instalou, na noite da última quinta-feira (6), o painel artístico Sete Marias, criado pelo artista plástico Antonio Veronese. A cerimônia foi conduzida pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, no Hall dos Bustos da instituição. Concebida como um manifesto visual contra o feminicídio e as diversas formas de violência de gênero, a obra passou a integrar o espaço arquitetônico desenhado por Oscar Niemeyer, propondo aos visitantes e autoridades uma reflexão profunda sobre justiça, dignidade humana e cidadania.

“Nós sabemos que as instituições vivem de símbolos, são eles que preservam a memória, transmitem valores e recordam a cada geração que o presente é sempre construído sobre os alicerces do passado e sobre a responsabilidade diante do futuro. ‘Sete Marias’ é uma obra que nos convida a contemplar a ação e também a reflexão. A referência à constelação, tão presente no imaginário humano, evoca a ideia de orientação, de permanência e de travessia”, explicou Fachin.

“As instituições devem cultivar não apenas a força do conhecimento, mas também a delicadeza do espírito. Não apenas a objetividade das normas, mas igualmente a dimensão que confere sentido”, concluiu o ministro.

​A composição utiliza uma linguagem contemporânea de forte carga simbólica ao retratar sete figuras femininas em movimento contínuo, que embora estejam em sofrimento continuam em pé. Sobre um fundo geométrico dominado pelas cores vermelho, branco e preto — que evocam o contraste tenso entre a opressão e a busca por justiça —, a pintura contrapõe traços sutis de agressão à força da persistência feminina. Segundo Veronese, a intenção do trabalho não foi vitimizar, mas sim exaltar a resiliência das mulheres, trazendo a simbologia da sobrevivência e a dignidade, evitando trazer a figuração das vítimas derrotadas para inspirar a esperança e o fim do ciclo de abusos. “O tema não é o sofrimento. É a dignidade dos que resistem”, destacou o artista. 

De acordo com o artista, este tipo de crime é a representação da forma mais cruel de violência, porque justamente ocorre no seio familiar por quem deveria proteger. Veronese defende a arte como um meio de grande importância para sensibilizar a sociedade diante de temas que na maioria das vezes acabam sendo esquecidos. Para o artista, as obras têm a capacidade de despertar uma consciência coletiva sobre os problemas sociais. Também considera que a instalação do painel no Supremo Tribunal Federal (STF), é um importante sinal de comprometimento da instituição com a justiça brasileira frente a luta contra o feminicídio.

Fonte: Metrópoles

“A arte é um salto quântico. Não tem começo, nem meio, nem fim. Já se vai para o âmago da coisa. A obra de arte sempre há de ser prestigiada, ela antecipa as coisas do futuro. Nada melhor do que denunciar o feminicídio por intermédio de uma obra de arte como essa”, afirma Ayres Britto ao ressaltar o poder da arte que vai além das questões jurídicas. 

A obra foi concebida pelo artista ao se deparar com as estatísticas elevadas de feminicídios no Brasil e ao receber a informação que 4 mulheres eram mortas por dia, o que mudou a ideia inicial de um painel que abordasse a democracia para a denúncia da violência contra a mulher. Inicialmente, o artista havia sido convidado pela ministra Cármen Lúcia e a obra faria parte do Salão Nobre da Corte.

“Um país que permite que suas mulheres sejam assassinadas, que as suas meninas sejam estupradas, que as violências sigam do jeito que vem seguindo de uma forma quase endêmica, doente, é um país que não dá esperança de que essa construção se faça de maneira efetiva e para sempre”, afirmou a ministra. 

​A obra ganhou ainda um complemento de peso no Direito brasileiro: a instalação veio acompanhada de um texto assinado pelo jurista e ministro aposentado do STF Carlos Ayres Britto, reforçando o papel da arte no diálogo com as instituições públicas para a promoção e garantia dos direitos fundamentais.

​Trajetória internacional ligada aos Direitos Humanos

​Reconhecido internacionalmente por sua produção focada na figura humana e nos valores universais, Antonio Veronese acumula um histórico de obras com forte impacto social. O artista já realizou 81 exposições individuais em países como França, Estados Unidos, Japão, Itália, Alemanha e Brasil.

​Entre suas criações de maior projeção global estão as obras Save the Children, eleita símbolo do cinquentenário da Organização das Nações Unidas (ONU); Just Kids, que representa o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); e Famine, exposta de forma permanente desde 1994 na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

Fonte: Povo na Rua

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