Especialista destaca que o aleitamento materno atua na regulação neuroquímica do bebê, na saúde metabólica de longo prazo e na construção do vínculo afetivo, oferecendo caminhos de acolhimento também para mães que enfrentam desafios na jornada

Por Redação 

Campina Grande, PB – 17/09/2026

O Agosto Dourado ganha força em todo o país como o mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A cor escolhida para a campanha foi escolhida para simbolizar o “padrão ouro”, do leite materno, considerado o alimento mais completo para os primeiros meses do bebê. Embora a amamentação seja amplamente reconhecida pelos seus benefícios biológicos e nutricionais, sua contribuição se estende a dimensões profundas do desenvolvimento humano, englobando a regulação neuroquímica, a estabilidade emocional do binômio mãe-filho e conexões de ordem energética.

O leite materno possui aspectos que vão além da nutrição física. Seus benefícios promovem impactos significativos na região cerebral do bebê, na área emocional trazendo uma maior conexão entre mãe e filho. Além de beneficiar o vínculo emocional, o desenvolvimento espiritual, cognitivo e as relações familiares do bebê. 

Durante a amamentação, mãe e bebê constroem uma relação de profunda conexão, compartilhando momentos de contato de pele com pele, que favorece a adaptação do bebê com o mundo externo, troca de olhares, acolhimento e estímulo para a liberação de ocitocina, hormônio que contribui para a descida do leite materno.. Despertando no bebê, sensações de segurança e confiança, que são importantes para o desenvolvimento emocional. Além de trazer benefícios para a construção da autoestima, da capacidade de lidar com as emoções; isso irá dizer a forma como a criança desenvolverá os vínculos sociais no futuro. 

O leite humano possui a quantidade certa de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais para o bebê. Além de conter anticorpos que contribuem para o fortalecimento do sistema imunológico, e trazendo proteção para infecções respiratórias, gastrointestinais e doenças crônicas que podem ser desenvolvidas no decorrer da vida.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é de que a amamentação seja feita exclusivamente até os 6 meses de vida, sendo em seguida complementada com outros alimentos saudáveis até os 2 anos de idade. Esta prática ajuda na redução significativa da mortalidade infantil e traz contribuições para um crescimento saudável. 

Fonte: Imagem de magnific

Na saúde suplementar, essa prática faz parte das estratégias de qualificação da atenção materna  e neonatal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O que proporciona também que logo após o parto, imediatamente se inicie a amamentação. Estas medidas são contempladas pelo Movimento Parto Adequado e pela Certificação em Boas Práticas na Atenção Materna e Neonatal.

A seguir veja os benefícios da amamentação nas áreas neurológicas, emocional, espiritual e ancestral: 

Impacto Neurológico

O leite materno carrega a combinação exata de nutrientes para impulsionar o desenvolvimento de um cérebro em plena formação. 

  • Gorduras boas: O Ômega-3, especialmente o DHA (ácido docosa-hexaenoico), atua diretamente na construção e fortalecimento das conexões neuronais, das membranas celulares do sistema nervoso. O DHA, tem impacto direto na formação de conexão dos neurônios, desenvolvimento da memória e atenção, maturidade da visão e desenvolvimento da criança no período escolar. De acordo com pesquisas, crianças que mamam por mais tempo, tendem a ter um desempenho cognitivo e de aprendizado melhores. 
  • Crescimento mental: Crianças que passam pela experiência do aleitamento costumam apresentar um rendimento superior em testes de capacidade cognitiva.
  • Proteção cerebral: As células e os elementos vivos do leite atuam como um escudo natural, blindando o sistema nervoso contra processos inflamatórios. 

No desenvolvimento neurológico, nos primeiros anos de vida do bebê, ele passa por um crescimento acelerado. Cerca de 80% da massa cerebral adulta é desenvolvida até os 3 anos de idade. Como isso, a nutrição e os estímulos nesta fase são fatores determinantes para o futuro cognitivo da criança. 

Embora o aleitamento materno seja benéfico, nem sempre é viável. Por motivos como: saúde da mãe, baixa produção de leite, circunstâncias individuais que podem dificultar ou impedimentos durante o processo. O impedimento não diminui o valor da amamentação, e isso exige um grande esforço físico e emocional da mãe, o que requer uma rede de apoio, para que possa ter momentos de descanso e se sentir acolhida, segurança e fortalecida nesta etapa da vida.

Impacto Emocional

Mais do que alimento, a mamada constrói e consolida um vínculo afetivo singular e profundo entre a mãe e seu filho.

  • Hormônio do amor: O toque direto da pele desperta a produção de ocitocina, envolvendo ambos em uma sensação incondicional de tranquilidade e carinho.
  • Segurança interna: Acolhido nessa rotina, o bebê chora com menor frequência e desenvolve um olhar mais confiante sobre o mundo que o cerca.
  • Saúde mental materna: A prática de amamentar também protege quem cuida, reduzindo de forma expressiva os riscos de episódios de depressão pós-parto. 

“A gente pode imaginar que é um momento de grande conexão entre o bebê que está sendo alimentado, necessitando tanto da nutrição física, mas, principalmente, de uma nutrição emocional, digamos assim. E a amamentação é capaz de proporcionar isso, porque tem um contato mais próximo, um contato pele a pele”, afirma a professora Emília Suitberta, que ministra a disciplina Psicologia do Desenvolvimento Infantil no Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão), sobre o privilégio do momento da amamentação. 

“Quanto mais tempo a criança passa ali sendo alimentada no seio, mais essa aproximação vai acontecendo […] Tem muitas pesquisas que comprovam que isso pode levar, por exemplo, a um desenvolvimento cognitivo melhor posteriormente, porque o bebê vai ter uma nutrição melhor”, complementa a professora.

Impacto Espiritual e Ancestral

O ato de amamentar resgata uma memória antiga e alinha a mulher a uma longa história de maternidade que atravessa gerações.

  • Energia de proteção: O instante da nutrição transforma-se em um ritual silencioso, onde a paz e a vitalidade fluem naturalmente.
  • Força ancestral: A mãe desperta para a consciência do próprio corpo, reconhecendo sua capacidade plena de gerar e sustentar uma nova vida.
  • Presença plena: O silêncio que embala a mamada traz um sentimento profundo de sagrado, conexão genuína e amor incondicional. 

“A amamentação é um processo fisiológico, mas não automático, exige uma produção hormonal constante. Quando a mulher enfrenta situações de estresse, pode ter dificuldade na produção de hormônios adequados, o que interfere diretamente na amamentação. Se esse processo já começa com dificuldades, isso pode intensificar sentimentos como angústia e preocupação, criando um ciclo vicioso”, alerta a profissional.

Fonte: Imagem de javi_indy no Magnific

A recomendação dos órgãos globais de saúde é clara: aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e mantido de forma livre demanda. De acordo com a terapeuta integrativa e nutricionista clínica e holística Jhenevieve Cruvinel, a fisiologia envolvida nesse processo é um sistema vivo e individualizado de proteção.

“Trata-se de um sistema perfeito que se comunica e proporciona nutrição, proteção imunológica e regulação neuroquímica e emocional através da proximidade mãe e filho. Por mais esforço que seja feito, jamais o leite construído industrialmente proporcionará benefício semelhante ao leite materno, ou acompanhará a necessidade de mudança diária nas proporções de sua composição”, destaca a especialista.

Embora o aleitamento seja algo natural, é um momento de muito aprendizado tanto para mãe quanto para o bebê. No início muitas dificuldades podem surgir e tirar dúvidas com um profissional faz a diferença. Para partos cesarianas, não há impedimento para amamentar, o que pode ocorrer é uma exigência maior de cuidados devido às condições do pós-operatório. 

A ciência por trás da gota dourada

O leite humano entrega uma combinação precisa de lipídeos, proteínas, carboidratos, vitaminas e substâncias imunocompetentes (como imunoglobulina A, enzimas e interferón). Entre seus componentes essenciais para a evolução do recém-nascido, destacam-se:

  • Ácidos Graxos Essenciais: Ácido linoleico, α-linolênico e metabólitos como DHA, Ácido Araquidônico e EPA, fundamentais para a maturação da retina e do tecido neural.
  • Moduladores de Crescimento: Atuam diretamente na consolidação do sistema gastrointestinal, imunológico e neural.
  • Estímulo Hormonal e Neuroquímico: O contato pele a pele durante o ato de amamentar estimula o nervo vago e desencadeia a liberação de ocitocina, hormônio responsável pela ejeção do leite e pela solidificação da conexão afetiva.

Na mãe, a ativação neuro hormonal favorece a contratilidade uterina no pós-parto e oferece proteção de longo prazo contra doenças como câncer de mama, câncer de ovário e diabetes tipo 2. Para a criança, a literatura científica aponta menor incidência de infecções, redução da mortalidade infantil, proteção contra distúrbios metabólicos na vida adulta (como obesidade e hipertensão) e escores mais elevados de quociente de inteligência.

O desafio emocional e a ausência de culpa

Apesar dos benefícios comprovados, a amamentação pode apresentar percalços significativos quando não acompanhada por orientação adequada. Nos casos em que o aleitamento no peito não é possível, surgem dilemas emocionais que exigem atenção e acolhimento.

A especialista ressalta que não há qualquer demérito para as parturientes que utilizam fórmulas infantis, mas pontua a relevância do suporte multidisciplinar para lidar com inseguranças e medos.

“Sob o ponto de vista emocional, isso traz consequências e novos desafios. É preciso buscar novas formas de estreitar esses laços e a confiança. É muito importante o acompanhamento médico e terapêutico nesse período, além de uma rede de apoio capaz de ajudar a mãe a lidar com a culpa e sentimentos que tendem a ser mais intensos”, advoga Jhenevieve.

A dimensão sutil e a integração energética

Sob uma perspectiva holística e espiritual, a gestação, o parto e a amamentação funcionam como marcos de transição na psique e na formação da personalidade. O aleitamento atua como um canal inicial para o fortalecimento do campo energético da criança e para a sincronia cardíaca entre mãe e bebê.

Na simbologia arquetípica:

  • A Mãe: Representa a figura da “Mãe Divina”.
  • O Leite: Atua como a “Prima Matéria” e fluido purificador na transição vibratória do bebê para a realidade terrena.
  • O Ato de Amamentar: Evoca o símbolo do “Ouroboros”, sustentando o duplo etérico da criança enquanto ela se consolida na matéria.

A impossibilidade de amamentar não impede a evolução espiritual de ambos, mas altera a dinâmica de integração programada, demandando intenção consciente na rotina de cuidados.

Fonte: Imagem de magnific

Orientações práticas para o fortalecimento do vínculo

Para as mães que amamentam seus bebês via mamadeira ou copinho, a terapeuta sugere práticas simples para preservar a troca afetuosa e a presença dedicada:

  • Contato Visual: Manter o olhar fixo e amoroso focado no bebê durante toda a mamada.
  • Proximidade Física: Garantir o contato pele a pele, apoiando a criança junto ao corpo despido.
  • Estimulação Sonora: Falar e cantar em tom de voz calmo, transformando a alimentação em um momento de pausa e segurança.

Fonte: Unileão Centro Universitário

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