Entre estratégias digitais de baixo custo e a ameaça de deepfakes, o ambiente virtual assume o protagonismo na formação do eleitorado e impõe novos desafios de fiscalização para a Justiça Eleitoral
Por Redação
Atualizado em agosto de 2026
Campina Grande, PB – 23/08/2026
Embora as campanhas eleitorais só ganhem as ruas e as telas oficialmente a partir da segunda quinzena de agosto, o debate sobre o futuro político do país já fervilha há meses no ambiente digital. As redes sociais se consolidaram de forma definitiva como a principal arena da disputa eleitoral, servindo tanto de vitrine estratégica para engajamento e mobilização de eleitores quanto de campo de batalha contra a desinformação. Em 2026, com o avanço acelerado de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e sob o crivo de novas diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o domínio da linguagem virtual torna-se decisivo para definir os vencedores das urnas.
As eleições de 2026, terão como figuras de destaque a transformação digital, como a inteligência artificial e as redes sociais que terão um papel crucial nas disputas eleitorais. Através dos algoritmos avançados da IA, pode personalizar campanhas eleitorais e influenciar o eleitor na escolha de quem votar, enquanto redes sociais tem uma conexão direta e segmentada, com um público mais amplo e diversificado. Toda essa combinação está dando uma nova roupagem para o cenário político brasileiro, exigindo também uma reflexão da integridade e da transparência nas campanhas eleitorais. A mediação da informação política deixou de ser algo exclusivo dos meios tradicionais de comunicação.
Atualmente a distribuição dos conteúdos eleitorais é a distribuição tem o controle por meios de modelos matemáticos e por sistemas de inteligência artificial de alta complexidade. Por meio destes sistemas o comportamento dos usuários são analisados em tempo real, o que personaliza o fluxo de notícias e opiniões.
O que traz uma percepção da realidade do eleitorado de uma forma aprofundada. À medida que as plataformas digitais são otimizadas para reter o engajamento dos usuários, a tendência das redes é a priorização de conteúdos que abordam o lado emotivo e polarizado. Através do portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os eleitores podem consultar às diretrizes da Justiça Eleitoral, reforçando a constante preocupação com a integridade do pleito e com o combate à desinformação automática.
Com a presença massiva dos algoritmos nas eleições de 2026, acaba por criar bolhas informacionais cada vez mais isoladas. Por esses ecossistemas serem fechados, as pessoas acabam recebendo apenas pequenas partes das notícias que acabam confirmando as suas crenças. Essa estrutura dá a permissão para que as campanhas sejam direcionadas a públicos específicos. Tendo assim como resultado, um debate político com amplitude e plural, mas com narrativas extremamente fragmentadas. Além disso, as inteligências artificiais de identificar as preferências políticas dos usuários, como também as emoções, medos e dúvidas; permitindo que as campanhas tenham um direcionamento mais aprofundado e explorando as vulnerabilidades emocionais dos eleitores.

Com a expansão da IA generativa novos desafios operacionais surgiram. Os conteúdos criados são cada vez mais hiper-realistas, o que deixa as pessoas confusas se é real ou não, além de exigir uma maior atenção dos órgãos de fiscalização. Exigir que se faça uma auditoria é essencial e haver limites para o impulsionamento micro segmentado é fundamental. Sem isso, pode haver a distorção da informação e influenciar a vontade popular, além de comprometer as instituições.
Requerendo que haja uma cooperação conjunta entre sociedade civil, empresas de tecnologias e órgãos reguladores, para a compreensão da atuação dos algoritmos nas eleições deste ano.
Em reunião, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizou a aprovação de novas regras no que se trata da tecnologia ser utilizada como aliada, e não como uma inimiga da democracia brasileira. De acordo com o TSE, mais de 155 milhões de eleitores estão aptos a votar nas eleições deste ano, a serem realizadas no próximo 4 de outubro. Para a eleição deste o eleitorado terá a responsabilidade de escolher candidatos para ocupar as vagas de deputada/o federal, deputada/o estadual (ou distrital), duas vagas para o Senado Federal (renovação de dois terços da Casa), governadora(o) e presidente da República.
Para os conteúdos produzidos ou que sofra qualquer alteração por IA, devem exibir um aviso claro, visível e de fácil compreensão. Para evitar que o eleitorado seja enganado por mensagens que simulem a realidade, e garantindo também que as campanhas tenham a transparência como pilar central.
Ficou proposto que de forma alguma que os provedores que oferecem sistemas de IA de ranquear, recomendar ou favorecer candidatos e partidos, visando que não haja qualquer interferência na escolha do eleitorado. As empresas devem criar planos de conformidade para mitigar os riscos à integridade das eleições, além de canais específicos para que os candidatos possam fazer denúncias de irregularidades.
O TSE também propôs que 72 horas antes da eleição e 24 horas após a votação, fica terminantemente proibido qualquer conteúdo criado por Inteligência artificial que faça uso da imagem dos candidatos e figuras públicas. Caso haja a divulgação de conteúdos com IA, devem ser apagados de imediato.
Para garantir a verificação feita por Inteligência artificial, os Tribunais Eleitorais podem fazer parcerias com universidades e instituições especializadas para verificar a autenticidade dos conteúdos. Em determinados casos, a justiça pode pedir que quem publicou o conteúdo prove a veracidade da informação.
Também fica vedada a contratação de pessoas físicas ou jurídicas para publicar conteúdos de cunho político em seus canais em troca de qualquer vantagem financeira.
Uma pesquisa foi realizada entre 21 de fevereiro e 1 de março de 2025, e foi constatado que 54% dos brasileiros têm como principal fonte de informação as mídias digitais. O Instagram se destaca em primeiro lugar para acompanhar as notícias e é usado por 32% dos brasileiros, como principal meio de informação. Os portais de notícias ficam com 17%, o YouTube com 11% e o Facebook com 8%.
Em um estudo realizado pela USP, sobre os impactos das redes sociais, mostraram que 66% dos eleitores influenciaram as suas escolhas nas eleições de 2018. A internet e as redes sociais não somente ampliaram o alcance das campanhas, mas também acabaram criando um novo espaço para a polarização política que toma proporções ainda maiores com a inteligência artificial generativa, já que as redes sociais continuarão sendo campo fértil para a disseminação de conteúdos polarizados.

O impacto provado das mídias digitais
O papel decisivo das plataformas na política brasileira não é apenas uma percepção, mas um dado mensurável. O estudo “As Campanhas Digitais para o Congresso Nacional”, desenvolvido pela PUC-Rio, revelou que o uso estruturado e estratégico das plataformas digitais teve impacto direto nos resultados das eleições de 2022, sobretudo na renovação e no desempenho dos candidatos à Câmara dos Deputados. A pesquisa apontou uma forte correlação entre o engajamento virtual e o sucesso nas urnas, desenhando um novo perfil do parlamentar eleito.
Para o cientista político Isaac Luna, coordenador do curso de Direito do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau, Juazeiro do Norte, a tendência é que o eleitorado responda cada vez mais aos estímulos que chegam pelas telas dos smartphones.
“Atualmente, o voto é influenciado, em grande medida, pelo que circula no ambiente virtual. Candidatos que compreendem a lógica dos algoritmos e utilizam recursos, como as ‘trends’, conseguem ampliar rapidamente seu alcance e engajamento”, destaca o especialista.
Campanhas mais baratas e linguagem jovem
A dinâmica das plataformas beneficia especialmente os postulantes que navegam com naturalidade pela cultura da internet. Segundo Isaac Luna, a capacidade de produção de conteúdo ágil e segmentado permite ultrapassar barreiras que antes dependiam do tempo de televisão e de grandes orçamentos.
“O domínio das mídias digitais permite mobilizar grupos específicos de eleitores, muitas vezes com custos mais baixos do que nas campanhas tradicionais”, complementa o professor.
Com isso, candidatos mais jovens ou com perfil voltado à criação de conteúdo ganham tração frente a estruturas partidárias tradicionais, alterando o modelo clássico de fazer política no Brasil.
O desafio da Inteligência Artificial e a resposta da Justiça Eleitoral
Se, por um lado, as redes ampliam o alcance do debate democrático, por outro, intensificam problemas históricos, como a disseminação de informações falsas. Nas eleições de 2026, a grande preocupação gira em torno do uso indevido da Inteligência Artificial, capaz de gerar manipulações hiper-realistas de áudio e imagem conhecidas como deepfakes.
Este é o primeiro pleito nacional após a edição da Resolução nº 23.732/2024 pelo TSE, norma pioneira que atualizou as regras de propaganda para conter os abusos tecnológicos. O texto veda expressamente o uso de deepfakes na propaganda eleitoral — sob pena de cassação do registro ou mandato —, exige aviso explícito para qualquer conteúdo gerado por IA e estabelece a responsabilização das plataformas digitais caso não retirem do ar conteúdos antidemocráticos ou falsos.
Diante da velocidade com que esses conteúdos se espalham, Isaac Luna reforça que a responsabilidade não cabe apenas às instituições. O impacto crescente das mídias digitais exige uma atenção redobrada das autoridades de fiscalização e, de forma igual, uma postura crítica por parte do eleitor na checagem do que consome e compartilha antes de exercer o voto.
Foto: Lívia Monteiro/UNINASSAU






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