Caso ocorreu em Londrina após a docente negar a saída de um estudante de 14 anos para o banheiro; vítima precisou levar pontos na pálpebra
Por Vanessa Centeno
Pelotas, RS – 30/08/2026
A professora de Língua Portuguesa Márcia Luciana da Rocha Dei Tos, de 61 anos, foi agredida com diversos socos por um estudante de 14 anos dentro de uma sala de aula no Colégio Estadual Cívico-Militar Monsenhor Josemaría Escrivá, na Zona Norte de Londrina, na noite da última segunda-feira (24). A docente, que tem mais de duas décadas de carreira, sofreu ferimentos na cabeça, teve os óculos quebrados e precisou passar por um procedimento de sutura na pálpebra.
De acordo com relatos de testemunhas e da própria vítima, a agressão ocorreu cerca de dez minutos antes do término das aulas. O aluno do 8º ano solicitou autorização para ir ao banheiro, mas a professora orientou que ele aguardasse o sinal sonoro e solicitou a apresentação do caderno para vistoria pedagógica. Contrariado, o adolescente passou a ofender a educadora. Ao tentar deixar a sala para buscar apoio com a equipe de gestão da escola, Márcia foi bloqueada pelo jovem, que tomou o chaveiro de suas mãos, quebrou a chave na fechadura e passou a agredi-la fisicamente pelas costas.
Em desabafo publicado nas redes sociais, a profissional — contratada sob o regime de Processo Seletivo Simplificado (PSS) desde 2021 — lamentou a rotina de violência no ambiente de ensino. “Desacato a gente recebe todos os dias dentro da sala de aula. A gente é humilhada, eles xingam, não obedecem. Registro ocorrências dentro do colégio, mas a esse ponto nunca tinha chegado”, declarou.
O episódio reacende o debate sobre a segurança nas escolas e reflete estatísticas alarmantes. O Brasil lidera o ranking mundial de violência contra professores, segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa, realizada com 280 mil profissionais em 55 países, aponta que 47% dos docentes brasileiros relatam ser vítimas de intimidação ou abuso verbal por parte dos alunos — o principal fator de estresse ocupacional da categoria, número expressivamente superior à média global de 18%.
Após as agressões, o estudante foi contido por outros alunos até a chegada da Polícia Civil do Paraná. O adolescente foi apreendido em flagrante pelo ato infracional e encaminhado à delegacia local. Na sequência, foi liberado aos responsáveis e responderá perante a Vara da Infância e da Juventude.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) e o Núcleo Regional de Educação de Londrina informaram que prestam assistência integral à servidora e acompanham os desdobramentos pedagógicos. A direção da unidade realizou uma reunião com os responsáveis pelo jovem para definir as sanções disciplinares. A professora passou por exames no Instituto Médico-Legal (IML) e permanece afastada sob licença médica.






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