Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ) destaca orientações da OMS e reforça que abandono do cigarro é essencial para proteger a saúde vascular e cerebral no envelhecimento
Por Redação
Campina Grande, PB – 31/08/2026
O hábito de fumar vai muito além dos danos conhecidos aos pulmões e ao coração: ele é também um inimigo direto da memória e da saúde cerebral. No último sábado, 29 de agosto, data em que se celebrou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, e neste ano de 2026, a mobilização completa 40 anos desde sua instituição pela Lei Federal nº 7.488, de 11 de junho de 1986, a Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ) reforçou o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para o declínio cognitivo e o desenvolvimento de demências. A entidade chama a atenção para a necessidade urgente de prevenção contínua, especialmente entre a população idosa. Tomando novos contornos nas últimas décadas.
O cigarro atua diretamente na degradação dos vasos sanguíneos, provocando inflamação e comprometendo a circulação sistêmica e cerebral. Quando somado a outros fatores de risco — como hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade —, o fumo eleva drasticamente as chances de eventos cerebrovasculares e da perda progressiva de autonomia.
Cenário Nacional e Saúde Vascular
Segundo dados da pesquisa Vigitel 2024, 11,7% dos adultos residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal eram fumantes (com predominância de 13,9% entre homens e 9,5% entre mulheres). Embora o Brasil tenha registrado avanços significativos na redução do tabagismo nas últimas décadas, o vício segue como um problema de saúde pública de alta gravidade, associado ao desenvolvimento de doenças respiratórias, cânceres, AVC e quadros demenciais.
Segundo dados do Ministério da Saúde, recém divulgado trouxe um alerta, após 20 anos em queda no número de fumantes no Brasil, recentemente este número voltou a ter um crescimento significativo. Apesar dos avanços dos avanços do início da série histórica, em 2026, 15,7% eram fumantes. Em 2023, este percentual estava 9,2% acima do registrado. No Brasil, estima-se que cerca de 1,8 milhão de pessoas convivem atualmente com algum tipo de demência.
Raio-X do Tabagismo no Brasil: Queda entre adultos e alerta máximo entre jovens
Apesar dos avanços no combate ao fumo ao longo de quase duas décadas, o surgimento dos dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs) acendeu um novo sinal de alerta para a saúde pública no país:
- Evolução entre os homens: A taxa de fumantes do sexo masculino registrou queda relevante no longo prazo — caindo de 19,5% em 2006 para 13,9% em 2024. O indicador, porém, teve uma leve oscilação após atingir 11,6% em 2023.
- Cenário entre as mulheres: O público feminino também apresentou recuo gradual. O percentual de fumantes caiu de 12,4% em 2006 para 9,5% em 2024, após marcar 7,3% em 2023.
- A ameaça do cigarro eletrônico: O hábito de usar o cigarro tradicional ou os vapes passou de 2,3% para 2,4% da população adulta entre 2019 e 2024.
- Recorde entre a juventude: Na faixa de 18 a 24 anos, a adesão a esses dispositivos saltou de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024 — atingindo o maior nível da série histórica e impondo um grande desafio às políticas de prevenção no Brasil.

O número de pessoas que procuraram ajuda médica no nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS, também cresceu bastante, cerca de 2,1 milhões de pessoas foram atendidas apenas em 2025. Em 2022, este número era apenas de 1 milhão, e em 2015, apenas tiveram 315 mil atendimentos. O atendimento é realizado de forma gratuita e individualizada ou em grupo. Nos atendimentos o indivíduo recebe orientações para lidar com a dependência e quando indicado por um profissional recebe medicamentos com prescrição médica.
O cuidado com a pessoa tabagismo depende de muitos fatores, como: etapas de identificação, busca ativa, acolhimento, avaliação clínica, grau de dependência, definição,implementação do plano terapêutico, monitoramento da evolução clínica, verificação das recaídas e reforço das estratégias de cessação.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tabagismo é uma doença crônica tendo como causa principal a dependência por nicotina, que também se associa a mais de 50 doenças, como os diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias. No Brasil, o cigarro mata cerca de 90% por conta do câncer de pulmão e tem causa determinante nas mortes prematuras. É responsável por 20% dos casos de AVC, além de ser um dos principais fatores modificáveis no avanço de doenças neurodegenerativas, como a Esclerose Múltipla (EM) e o Alzheimer.
O tabagismo aumenta de 2 para 4 chances de risco de desenvolver um quadro de AVC, isso porque a fumaça reduz o oxigênio no cérebro, degrada a bainha de mielina e acelera a perda muscular e cognitiva. Além de acelerar a Esclerose Múltipla e declínio cognitivo e de demência.
“Cuidar da saúde cerebral exige uma abordagem integral. A biotecnologia avançou na criação de tratamentos modificadores de doença que visam desacelerar a progressão de danos neurológicos, mas o gerenciamento de fatores de risco modificáveis, como a cessação definitiva do tabagismo, continua sendo um pilar indispensável para garantir a qualidade de vida e a autonomia do paciente a longo prazo”, reforça Dra. Tatiana Branco, diretora médica da Biogen.
O Brasil tem reconhecimento internacional pelo conjunto de políticas públicas de controle do tabaco, se alinhando à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (CQCT/OMS). Como a proibição da propaganda de produtos de tabaco, a restrição do fumo em ambientes coletivos fechados e a adoção de advertências sanitárias com imagens e mensagens nas embalagens de cigarros, com a atuação em diferentes frentes.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, nos termos da regulamentação sanitária vigente.
Estilo de vida e prevenção contínua
“Quando falamos em prevenção da demência, é importante entender que não existe um único fator responsável pelo desenvolvimento da doença. O envelhecimento é um dos principais fatores de risco, mas também existem condições e hábitos que podem ser modificados ao longo da vida. Controlar o colesterol, não fumar, acompanhar a pressão arterial, manter o diabetes sob controle, praticar atividade física e ter uma alimentação equilibrada são atitudes que ajudam a proteger não apenas o coração e o cérebro, mas também a autonomia e a qualidade de vida”, afirma Christiano Barbosa, presidente da APAZ-RJ.
Especialistas em gerontologia reiteram que os cuidados preventivos devem anteceder o aparecimento dos primeiros sinais clínicos:
- Acompanhamento precoce: Procurar orientação médica antes do surgimento de sintomas ou de emergências médicas (como o AVC).
- Suporte para cessação: Buscar apoio multidisciplinar para interromper o consumo do tabaco, independentemente da idade.
- Redução de danos: Embora fatores genéticos e a idade não possam ser alterados, a eliminação de fatores modificáveis é a forma mais eficaz de garantir um envelhecimento saudável.
“Prevenir não significa garantir que uma pessoa jamais desenvolverá demência ou terá um AVC, porque existem fatores que não podem ser modificados. Mas reduzir os fatores de risco é uma forma concreta de aumentar as chances de envelhecer com mais saúde e independência. O cuidado precisa começar antes de uma emergência”, conclui Barbosa.

Como o cigarro age sobre o cérebro e impacta a Saúde Mental
Os impactos do tabagismo na saúde mental e neurológica ocorrem por mecanismos diretos no sistema nervoso:
- Comprometimento vascular: Substâncias tóxicas da fumaça provocam inflamação e obstrução na microcirculação sanguínea do cérebro.
- Redução de massa cinzenta: A dependência química está associada à perda progressiva de volume em regiões estratégicas para o raciocínio e a memória.
- Degeneração celular: A diminuição do fluxo de oxigênio e nutrientes acelera a perda neuronal, elevando o risco de quadros neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer.
Dia nacional de combate ao fumo: Alerta para a Saúde Pública
Marcado para 29 de agosto, o Dia Nacional de Combate ao Fumo destaca a dimensão do tabagismo como um desafio de saúde coletiva:
- Extensão dos danos: O hábito de fumar relaciona-se ao desenvolvimento de mais de 50 patologias graves, com destaque para doenças cardiovasculares e neoplasias.
- Rede de apoio: O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte multiprofissional e tratamento gratuito para pessoas que buscam a cessação do tabagismo.
Sobre a APAZ-RJ
Fundada em 1991 pelo Dr. Jacob Guterma (in memoriam), a Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes (APAZ-RJ) é uma instituição sem fins lucrativos dedicada a informar, capacitar e apoiar cuidadores e familiares de pessoas que vivem com processos demenciais, especialmente a Doença de Alzheimer. Sua atuação conta com uma diretoria formada por familiares e uma comissão científica multidisciplinar.
Fonte: Ministério da Saúde/O Nortão






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