Com dados alarmantes da OMS sobre depressão e suicídio, a terapeuta integrativa Jhenevieve Cruvinel destaca a importância do diagnóstico precoce e compartilha 6 práticas diárias para fortalecer a saúde emocional durante o Setembro Amarelo

Por Redação 

Campina Grande, PB – 12/09/2026

No Brasil, a prevalência de ansiedade segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é de cerca de 9,3% a 10% da população, média de 18 milhões de pessoas, a maior taxa do mundo para a doença. Cerca de 12,7% da população brasileira convive com a depressão, o país que apresenta a maior prevalência de depressão na América Latina.

O “peso do invisível” traz o reflexo da precisão do sofrimento silencioso de quem enfrenta algum tipo de transtorno, que vão além de sintomas físicos, ao qual envolve estigmas sociais, preconceito e sobrecarga do dia a dia. 

De acordo com especialistas o adoecimento psíquico não aparece do nada, antes dá indícios de que algo não vai bem e precisam ser identificados para evitar que se agrave.

Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a cada 40 segundos alguém se suicide no mundo, e a última pesquisa estima a média de 727.000 mortes por ano em todo o mundo.

Não existe um único fator que leve as pessoas a tirarem a própria vida. O que podemos observar pelos estudos é que ambientes familiares amorosos, acolhedores e que permitem desenvolver habilidades emocionais na infância, são fundamentais para o enfrentamento da vida adulta. 

A saúde mental exige atenção diária, e reconhecer quando o estresse deixa de ser rotineiro e passa a afetar a mente e o corpo é o primeiro passo para buscar equilíbrio.

A saúde mental é considerada por 18 países como grande problema de saúde, entre eles o Brasil, que se encontra na quinta posição dos países  com maiores índices de estresse. Problemas de saúde mental, já ultrapassam doenças como câncer e obesidade; segundo dados do Relatório sobre Serviços de Saúde de 2025 da empresa Ipsos. 

Os altos índices de problemas mentais levam a inúmeros afastamentos no trabalho. Segundo o Ministério da Previdência, em 2021 foram 200 mil afastamentos e em 2025 foram 546 mil. Ansiedade e depressão estão entre os transtornos que mais afastam trabalhadores do mercado de trabalho, avalia a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Na sequência, tem crescido o número de casos de estresse crônico e burnout. 

“Vivemos em uma sociedade acelerada, hiperconectada, com excesso de informações, pressão por desempenho e relações sociais muito, mas muito fragilizadas. Portanto, o aumento dos transtornos mentais, das doenças mentais, não decorre de uma única causa, mas da interação entre vulnerabilidade individual e fatores ambientais”, aponta o presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva. 

Fonte: Imagem de rawpixel.com no Magnific

Como a ansiedade se manifesta na prática

O adoecimento psíquico raramente dá sinais isolados. Ele costuma se apresentar através de uma combinação de fatores emocionais, físicos e comportamentais:

  • Sinais emocionais e mentais: Sensação constante de apreensão, pensamentos acelerados, irritabilidade à flor da pele e a impressão contínua de que algo dará errado.
  • Reações do corpo: O estresse acumulado se traduz em taquicardia, falta de ar, tensão muscular, dores de cabeça, tonturas e desconfortos digestivos frequentes.
  • Mudanças de atitude: Afastamento social, insônia recorrente, estado diário de alerta e o adiamento de tarefas por medo de falhar.

O cenário brasileiro: por que os índices são tão altos?

O Brasil figura no topo dos rankings globais de ansiedade devido a uma soma de pressões sociais, econômicas e tecnológicas:

Fator de PressãoImpacto no Dia a Dia
Instabilidade socioeconômicaA incerteza financeira e o receio do desemprego mantêm o organismo em estado contínuo de estresse.
Rotina e ambiente urbanoJornadas de trabalho exaustivas e a insegurança das grandes cidades comprometem o bem-estar diário.
Hiperconexão digitalCom uma média de 5 horas diárias no celular, a exposição contínua às redes sociais reforça comparações e cobranças excessivas.

Estratégias de proteção e cuidado

Embora o acompanhamento profissional seja indispensável nos casos diagnósticos, a adoção de hábitos saudáveis ajuda a fortalecer a saúde mental no cotidiano:

  • Desconexão e sono: Manter horários regulares para dormir e afastar-se das telas no fim do dia melhora a qualidade do descanso.
  • Movimento do corpo: A prática diária de atividades físicas auxilia na regulação hormonal e reduz a tensão.
  • Momentos de pausa: Reservar um tempo longe das redes para hobbies e técnicas de relaxamento desacelera o ritmo mental.
  • Preservação de laços: Manter o contato presencial com amigos e familiares fortalece a rede de apoio emocional.

De acordo com a terapeuta integrativa e mentora de vida saudável Jhenevieve Cruvinel, é importante a inserção ou o retorno a hábitos que nossos pais e avós tinham como o contato com a natureza, mais tempo de conexão com pessoas que amamos, a pausa das telas para uma conversa, estar presente e sentir novamente a vida através das coisas simples. 

Jhenevieve indica seis práticas para a melhora da saúde emocional que ela utiliza com seus pacientes e podem ajudar muito a coibir essa ideação: 

  1. Caderno das Emoções: anotar e aprender a reconhecer seus próprios padrões de emoção, gatilhos emocionais e o mais importante que você não se é o que se sente, mas sim quem aprende com os sentimentos;  
  2. Meditação: pratique qualquer técnica que se identifique. Reprogramações neurais gravadas e gratuitas baseadas na Yoga, PNL e Mindfulness; 
  3. Hobbies: encontre atividades simples que goste de fazer, pode ser cantar, desenhar, cozinhar, coisas simples que possa fazer com frequência para si mesmo e que trazem alegria e bem-estar a sua vida;  
  4. Ambientes de cura: busque estar com pessoas, conteúdos, encontros, frequente ambientes que te tragam bem-estar e pratique a sua espiritualidade. Isso é tão importante quanto o cuidado com o corpo, alimentação e o sono; 
  5. Mentalidade: ressignifique o passado, vença as crenças limitantes, busque ajuda, a doença não te define, seja onde estiver, sempre é possível recomeçar não importa onde esteja; 
  6. Rede de apoio: tenha alguém de confiança para recorrer em momentos difíceis, pode ser um amigo, familiar ou até seu terapeuta. Estar conectado é um dos maiores fatores de proteção emocional.

“Para quem vivência problemas emocionais é importante o cuidado multidisciplinar e o acompanhamento por bons profissionais. A saúde emocional é cultivada no cotidiano, comece por estas pequenas práticas diárias. Não há manual para a viver, mas há sim bases sólidas que podem alicerçar a vida para que tenhamos os recursos necessários para vivê-la, sempre há saída, procure ajuda”, aconselha Jhenevieve. 

Fonte: Imagem de magnific

Adoecimento Psíquico

A autopercepção adoecida e a falta de recursos de gerenciamento emocional e de comunicação são fatores de grande impacto para o adoecimento psíquico. Ainda que a solução não seja linear ou simples, uma vez que cada indivíduo vivencia sua jornada dentro da própria perspectiva e realidade emocional é preciso um trabalho familiar, social e político para que possamos reduzir esse número de perdas. 

Por isso, há uma grande importância de se falar sobre este tema sem tabus, da busca de pais e jovens pelo estudo do autoconhecimento, do desenvolvimento emocional e do incentivo para que ao menor sinal de sofrimento psicoemocional o indivíduo busque ajuda médica e terapêutica. 

“As doenças psicoemocionais precisam de tratamento como qualquer outra comorbidade, bons profissionais podem auxiliar no enfrentamento da tristeza que persiste, da ansiedade, insônia, mudanças bruscas de humor, dificuldades nas relações, antes que isso se torne pesado demais de suportar”, comentou. 

De acordo com ela, muitas dores profundas são resultado de traumas e lutos não vividos, e uma dor não deve ser o ponto final de uma vida e sim o início de uma jornada de crescimento e construção. 

“A ideação suicida não começa do nada, é o grito de socorro mais alto quando todos os outros chamados foram ignorados. Portanto, perceber quando algum alicerce está adoecido, quando há perda de contentamento nas coisas que davam prazer, quando o cansaço já não vai embora e deu lugar a irritação, a insônia, apatia e solidão”, adverte.

Para a terapeuta, o abandono do autocuidado, das relações, do corpo e da conexão espiritual, leva embora pessoas que dedicaram a vida ao cuidado da família e esqueceram de si, ou até jovens que crescem e se deparam com a realidade da vida e sem bases para o enfrentamento das frustrações naturais desistem. 

“Um alerta fundamental: não é possível manejar a depressão ou outras questões de saúde mental sem a ajuda profissional multidisciplinar, neste quesito os familiares também podem auxiliar a pessoa a pedir ajuda, podem apoiá-la nessa jornada até que ela encontre forças para percorrê-la de maneira mais autônoma”, finaliza a mentora. 

Dra. Jhenevieve Cruvinel

Mentora em saúde integral, nutricionista clínica e holística e terapeuta integrativa com doutorado e diversas especializações. Trabalha unindo ciência, espiritualidade e práticas de autoconhecimento para ajudar pessoas a reconectarem mente, corpo e alma.

Fonte: Agência Brasil

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