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Diagnóstico precoce é a principal arma para aumentar as chances de cura em crianças e adolescentes; a oncopediatria do Hospital Martagão Gesteira alerta sobre como diferenciar sintomas comuns de alertas graves

Por Redação 

Campina Grande, PB – 16/09/2026

O câncer infantojuvenil não apresenta, em geral, fatores de risco que possam ser modificados por medidas de prevenção, como ocorre com diversos tipos de câncer em adultos. Por isso, a identificação precoce dos sinais e sintomas é fundamental para aumentar as chances de cura e oferecer melhores condições de tratamento às crianças e adolescentes. O alerta é da oncopediatra Natália Borges, que está à frente do serviço de transplante de medula óssea do Hospital Martagão Gesteira, durante o Setembro Dourado, mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil.

A campanha tem como principal objetivo o de fazer um alerta para a importância do diagnóstico precoce, elevando as chances para alcançar 80% de cura nos casos em que se descobre a doença no estágio inicial. 

Em 2026, o Ministério da Saúde definiu como tema norteador da campanha a mensagem: “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais.” A proposta reforça a importância da informação e da atenção aos possíveis sinais da doença para que o cuidado aconteça no momento certo, especialmente diante da dificuldade de identificar o câncer em crianças, já que muitos sintomas podem ser confundidos com doenças comuns da infância.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registrou cerca de 7.930 casos novos de câncer em crianças e adolescentes a cada ano do triênio de 2023 a 2025.  O câncer infantojuvenil representa entre 1% e 3% dos casos de câncer na população em geral. Apesar de raro, é a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, respondendo por cerca de 8% dos óbitos nessa faixa etária. Para o próximo triênio (2026 – 2028), 7.560 novos casos por ano no Brasil, em cada ano. Cerca de 10% dos casos de câncer infantojuvenil têm relação com questões hereditárias ou genéticas.

Fonte: Foto Divulgação

Segundo a especialista, diferentemente dos adultos, em que medidas como o combate ao tabagismo, a redução do consumo de carne e a vacinação contra o HPV podem contribuir para a prevenção de determinados tipos de câncer, no câncer pediátrico não há fatores de risco intrínsecos que possam ser amplamente evitados. A exceção apontada é a exposição à radiação durante a gravidez. Nesse cenário, a detecção precoce ganha ainda mais importância.

Diferente do câncer em adultos, o câncer infantojuvenil não tem associação a fatores de estilo de vida e o seu avanço é dado de forma mais rápida, com origem, comportamento e tratamento próprio. 

O câncer em adultos tem costume de se originar em células de revestimento em órgãos como mama, pulmão, próstata e intestino, que vai se acumulando no decorrer dos anos. Em crianças e adolescentes, a formação se dá em células que ainda estão em processo de formação, ao passarem por tratamento de quimioterapia conseguem responder com rapidez, desde que iniciado logo.

Um outro fator que difere o câncer entre adultos e crianças é que no público infantojuvenil não há rastreio populacional. Não há exames que possam encontrar indícios em crianças saudáveis antes dos primeiros sintomas, como ocorre com o público adulto, a exemplo do exame feito por mulheres para detectar câncer nas mamas.

“A prevenção secundária, que é a detecção precoce, é a única forma de fazer com que a gente tenha uma possível melhoria nas taxas de sobrevida e de cura”, explica Natália. De acordo com ela, quando o tumor é identificado em uma fase inicial e ainda apresenta menor tamanho, é possível encontrar um perfil tumoral menos agressivo e oferecer melhores chances de tratamento e cura.

Fonte: Imagem de magnific

Um dos principais desafios para o diagnóstico está justamente no fato de que os sintomas do câncer em crianças podem se confundir com manifestações comuns da infância. Febre prolongada, perda de peso intensa, dores de cabeça que acordam a criança durante a noite, dores nos braços ou pernas que persistem e não melhoram com analgésicos simples e aumento do volume abdominal são alguns dos sinais que merecem atenção.

“O câncer da criança se parece muito com as doenças comuns da infância”, ressalta a médica. Por isso, ela destaca a importância do acompanhamento pediátrico regular. A observação, porém, não deve ficar restrita ao consultório. Família, cuidadores, professores e outros profissionais que convivem com a criança também podem perceber mudanças importantes. Dificuldade repentina para enxergar identificada pela escola, alterações na marcha, irritabilidade, perda de marcos do desenvolvimento ou mudanças no comportamento são exemplos de alterações que devem ser comunicadas ao pediatra.

Quando a saúde das crianças e adolescentes envia um alerta, a agilidade no diagnóstico faz toda a diferença. A Confederação Nacional dos Institutos de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer (CONIACC) faz uma comparação direta com a nossa rotina: assim como as notificações que apitam na tela do celular, os sinais do corpo não devem ser deixados de lado. Se algum dos sintomas a seguir persistir por mais de duas semanas, a orientação é procurar um pediatra para uma investigação detalhada.

“Quando falamos de câncer infantojuvenil, estamos falando de crianças e adolescentes que têm sonhos, planos e um futuro inteiro pela frente. Nosso compromisso é oferecer o melhor cuidado possível para que o câncer não seja o ponto final dessas histórias. E a sociedade também pode fazer parte disso”, reforça Sidney Neves, superintendente geral do HCP.

No público infantojuvenil os câncer mais frequentes são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas. Depois deles vêm tumores mais específicos da infância, como o neuroblastoma, o tumor de Wilms, o retinoblastoma, o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing.

“As leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas os mais frequentes podendo, no entanto, observar considerável variação mundial na ocorrência dos tipos histológicos, usualmente relacionada a fatores demográficos e socioeconômicos da área analisada”, esclarecem.

Fonte: Foto Divulgação

Sinais físicos de atenção no corpo

  • Dores persistentes: Queixas frequentes de dor de cabeça — em especial logo ao despertar ou associadas a vômitos —, além de dores recorrentes nas articulações ou ossos.
  • Febre e fadiga contínuas: Quadro febril prolongado que não responde às medicações habituais, acompanhado de palidez, anemia ou uma prostração fora do comum.
  • Marcas e sangramentos inesperados: Surgimento de manchas roxas ou hematomas sem histórico de pancada, além de sangramentos espontâneos no nariz e na gengiva.
  • Nódulos e inchaços: Aparição de ínguas duradouras na região do pescoço, axilas ou virilha, ou ainda um aumento visível no volume do abdômen.
  • Sinais visuais: Reflexo esbranquiçado na pupila (visível principalmente com o flash de fotografias), desvio ocular (estrabismo) que surge de forma repentina ou perda gradual da visão.
  • Perda de peso sem causa: Emagrecimento rápido e sem motivo aparente.

O olhar atento do ambiente escolar

Por passarem boa parte do dia em sala de aula, os estudantes costumam dar os primeiros sinais de mudança na rotina escolar. Professores e educadores desempenham um papel fundamental ao observar pequenos detalhes do dia a dia. Para detectar a doença no seu estágio inicial, pais e professores são as pessoas próximas que podem detectar os sintomas e mudanças físicas e comportamentais da criança e adolescente:

  • Alteração no aprendizado: Queda repentina e sem motivo claro no rendimento acadêmico.
  • Mudanças comportamentais: Isolamento social, desânimo em atividades que antes geravam interesse ou alterações bruscas de humor.
  • Perda de habilidades motoras: Dificuldades recentes no equilíbrio, na coordenação geral ou na escrita — fatores que podem indicar alterações no sistema nervoso.
  • Falta de energia: Cansaço excessivo e desproporcional durante as aulas de educação física ou momentos de lazer.

8 principais sintomas que pais e professores precisam ficar em alerta

  • Palidez, cansaço fora do comum e falta de disposição;
  • Febre prolongada ou que sempre volta, sem foco identificado;
  • Dor óssea ou articular persistente;
  • Dor de cabeça persistente, principalmente com vômito pela manhã;
  • Mancha branca na pupila e alterações de visão;
  • Perda de peso sem explicação.

Quando existe suspeita, o encaminhamento para um oncologista pediátrico é fundamental. Entre os principais tipos de câncer da infância estão as leucemias, os tumores do sistema nervoso central, o neuroblastoma, o tumor de Wilms, além dos tumores ósseos e musculares. A ocorrência também varia de acordo com a faixa etária. Entre crianças de zero a quatro anos, são mais frequentes as leucemias e, entre os tumores sólidos, o neuroblastoma e o tumor de Wilms, que pode se apresentar como uma massa abdominal. Já entre adolescentes, os tumores ósseos ganham maior relevância e podem ocorrer durante o período de crescimento.

Para Natália, o diagnóstico tardio também pode estar relacionado à dificuldade de acesso a especialistas e exames diagnósticos, além da semelhança dos sintomas com doenças comuns. Por isso, ela defende a capacitação dos pediatras para reconhecer os principais sinais e sintomas relacionados ao câncer e o acesso da população à atenção básica e a exames que possam contribuir para a investigação.

No Hospital Martagão Gesteira, crianças de Salvador e de outras regiões da Bahia podem ser encaminhadas para avaliação diante de uma suspeita. O hospital conta com um sistema de triagem, no qual o paciente é inicialmente avaliado pela equipe de enfermagem e pelo médico, com abertura de ficha para que a investigação possa ocorrer de maneira mais precoce.

No tratamento oncológico pediátrico é abordado de forma multidisciplinar por definição. Envolvendo vários especialistas como: oncologista pediátrico, cirurgião pediátrico, radioterapeuta, patologista, enfermagem especializada, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e equipe pedagógica. E envolve também protocolos internacionais de tratamento, que padronizam condutas e são atualizados conforme os resultados de estudos clínicos.

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