Após diálogo estratégico com o presidente Lula, mandatária mexicana detalha plano para estatizar o atendimento médico e garantir acesso gratuito a 130 milhões de cidadãos
Em um movimento que promete redefinir a seguridade social na América do Norte, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, anunciou oficialmente na última reunião matutina do dia (07/04) a implementação de um novo modelo de saúde pública universal e gratuito. A iniciativa, batizada preliminarmente como “Saúde para Todos”, é diretamente inspirada no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. O anúncio ocorreu após uma série de diálogos bilaterais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nos quais foram discutidas as estratégias de logística, financiamento e capilaridade do sistema brasileiro, considerado a maior estrutura pública de saúde do mundo.

O Nascimento de um Gigante Sanitário
O novo projeto visa unificar as fragmentadas instituições de saúde mexicanas sob um comando centralizado, eliminando as barreiras de acesso para trabalhadores informais e desempregados. O objetivo deste novo sistema, é unificar e ampliar o acesso a população a serviços médicos públicos, fazendo a integração de instituições como IMSS (Instuto Mexicano do Seguro Social), ISSSTE (Insituto de Segurança e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado) e IMSS-Bienestar. Até então, o sistema mexicano operava em um regime de seguridade vinculada ao emprego; agora, a meta é que a certidão de nascimento seja o único documento necessário para garantir desde consultas de rotina até cirurgias de alta complexidade.
A implementação deste novo sistema é dado de modo gradual, tendo seu início efetivo em 1 de janeiro de 2027, e será dividido por fases, atingindo 130 milhões de pessoas. A primeira fase terá seu foco em prestar serviços de emergências, infartos, gravidez de alto risco, câncer de mama e vacinação nos hospitais públicos. A proposta tem como interesse proporcionar todos os atendimentos de forma gratuita e acessível à população, independente do vínculo empregatício que a pessoa possa ter, lugar de origem ou sistema que esteja vinculado, consolidando o direito efetivo à saúde.

Na última segunda-feira (13/04), teve início o registro de credenciamento, que servirá como uma identificação oficial. O credenciamento terá seu encerramento no próximo dia 30/04 para pessoas com mais de 85 anos, acompanhadas de algum responsável. O processo de fase vai se estendendo de acordo com a grupo etário, com duração de aproximadamente 1 ano para a realização. E atingiu 24 dos 31 estados do país, abrangendo 47 municípios, incluindo 16 divisões administrativas da Cidade do México.
No segundo semestre de 2027, terá início a segunda fase, com atendimentos de serviços especializados. Em 2028, o novo sistema de saúde irá alcançar serviços de receitas, consultas de especialidade e hospitalizações referenciadas, além de prestar atendimento para pessoas com doenças crônico-degenerativas como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide.
“O objetivo é que, quando deixarmos o cargo, qualquer mexicano possa buscar tratamento para qualquer doença em qualquer instituição de saúde e ser atendido. Se estiverem cobertos pelo IMSS (Instituto Mexicano de Seguro Social), poderão recorrer ao IMSS-Bienestar (IMSS-Benefícios) ou ao ISSSTE (Instituto de Serviços de Previdência e Assistência Social aos Trabalhadores do Estado). Isso tornará o sistema mais eficiente, permitindo o compartilhamento de serviços”, afirmou Sheinbaum sobre a definição da medida.

Após o credenciamento, o acesso poderá ser feito também de forma digital, e a versão física será enviada em até 6 semanas na residência do cidadão. Futuramente se espera que possa ter acesso ao histórico médico na versão digital, além de poder agendar consultas e verificar hospitais próximos.
“A saúde não é uma mercadoria, é um direito humano fundamental. Beberemos da fonte da experiência brasileira para garantir que nenhum mexicano seja negligenciado por falta de recursos”, afirmou Sheinbaum em coletiva de imprensa no Palácio Nacional.
Apesar de avanços na proposta, ainda há desafios a serem vencidos como problemas estruturais devido a má gestão de governos anteriores e também a falta de profissionais. “Vamos continuar informando todas as semanas, para que as pessoas saibam onde estão os módulos e como vai o cadastramento. É o melhor modelo que podemos seguir para garantir o acesso à saúde”, declarou Claudia Sheinbaum Pardo ao anunciar o programa.

A Conexão com o Brasil
A decisão é fruto de um estreitamento diplomático entre Brasília e Cidade do México. Apesar da inspiração, o novo sistema de saúde do México, não será uma cópia do sistema brasileiro, que visa a plena universalização. O sistema mexicano terá uma perspectiva diferente. Durante as conversas com Lula, foram destacados pontos cruciais que Sheinbaum pretende replicar:
- Atenção Primária Forte: Foco em unidades de saúde de bairro para prevenir doenças antes que cheguem aos hospitais.
- Assistência Farmacêutica: Criação de uma rede de distribuição de medicamentos essenciais a custo zero.
- Vigilância Epidemiológica: Um sistema integrado de dados para monitorar surtos e campanhas de vacinação em tempo real.

Beneficiários do sistema de saúde
A implantação do novo sistema irá beneficiar grupos que enfrentam barreiras de acesso, como:
- trabalhadores informais;
- pessoas fora da seguridade social;
- moradores de regiões com menor infraestrutura.
Desafios de Implementação
Apesar do entusiasmo, o governo mexicano enfrenta o desafio de integrar o orçamento federal a um sistema que exige investimentos massivos em infraestrutura e pessoal. A transição será gradual, começando pelas regiões mais pobres do sul do país, com a previsão de cobertura total do território nacional até o final de seu mandato.
Especialistas apontam que a “tropicalização” do modelo SUS no México poderá servir de laboratório para outros países da América Latina que ainda sofrem com sistemas de saúde excludentes e privatizados.
Fonte: URBS Magna/Jornal Clandestino





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