Com um terço das matrículas de ensino superior na Paraíba já em modalidade EAD, o 31º Congresso Internacional ABED reúne lideranças nacionais para debater o futuro da formação profissional e inclusão social

O cenário educacional brasileiro atravessa uma metamorfose digital sem precedentes, e a Paraíba consolidou-se como um dos epicentros dessa mudança. Entre os dias 27 e 30 de abril, João Pessoa sedia o 31º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (CIAED 2026), evento que reúne os principais tomadores de decisão do setor. Em um momento em que a educação a distância já representa mais de um terço das matrículas de graduação no estado paraibano, instituições de peso como o Sesc, o Centro Universitário Internacional Uninter e a Editora Intersaberes apresentam suas estratégias para o futuro da aprendizagem ao longo da vida e da formação corporativa.

A Educação tem vivido momentos de intensas mudanças, principalmente na forma como aprendemos. A partir da expansão das tecnologias digitais, novas modalidades de ensino têm ganhado destaque, uma delas é o ensino híbrido (combinação do presencial com o online). 

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Esta modalidade oferece ao seu público flexibilidade e autonomia. Muitas instituições brasileiras têm investido nessa e em outras modalidades de ensino, buscando atrair um público específico, a exemplo da SESC (Serviço Social do Comércio), que em suas escolas visam o oferecimento de uma educação de qualidade com o foco na formação integral. Com a pandemia de Covid-19, a digitalização da educação tomou uma proporção ainda maior com constantes crescimentos. 

Crescimento exponencial e regionalização

A escolha da capital paraibana para o evento não é por acaso. Dados recentes apontam que, das mais de 188 mil matrículas no ensino superior do estado, cerca de 65 mil são na modalidade EAD. Em 2024, quase metade (49,8%) dos ingressantes no ensino superior optaram pelo formato digital, evidenciando uma mudança profunda no perfil do estudante, que busca conciliar carreira e estudos com flexibilidade. Áreas como Pedagogia e Administração lideram essa busca, especialmente nas regiões da Mata e do Agreste Paraibano.

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Sesc: Inovação e impacto social

O Sesc chega ao CIAED 2026 com um portfólio robusto que vai além do ensino acadêmico tradicional. A instituição destaca o sucesso do Projeto Sesc EAD EJA Ensino Médio, que já formou mais de 7,5 mil alunos desde 2021, integrando o Ensino Médio à qualificação profissional, em resposta às demandas educacionais, o que configura como uma iniciativa da Educação a Distância. 

O projeto é um divisor de águas social: 67% do público é feminino e 40% dos formados seguem para o ensino superior, sendo implementado em 44 cidades de 13 estados, abarcando as regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil, tendo o objetivo de aumentar a oferta de cursos que busquem promover a escolarização da população. Segundo Érlei Araujo, Diretor de Educação, Pesquisa e Dados do Departamento Nacional do Sesc, o congresso é vital para o intercâmbio de metodologias inovadoras:

“A participação no CIAED possibilita apresentar nossas práticas em educação básica e corporativa. É um espaço de parcerias estratégicas que repercutirão em nossas ações em todo o país”, afirma Araujo.

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Educação Corporativa e Mercado

Além da formação de jovens e adultos, o Sesc apresenta a UniSesc, focada no desenvolvimento contínuo de seus colaboradores através de ambientes digitais de aprendizagem. No estande da instituição, os congressistas poderão acompanhar podcasts, mesas-redondas e conhecer a fundo as iniciativas das 234 escolas e 70 polos de EAD da rede.

Ao lado do Sesc, grandes nomes do setor privado como a Uninter — que celebra 30 anos em 2026 — também marcam presença. Após um 2025 marcado por intensas regulações no setor, as instituições agora focam em como a tecnologia pode ampliar a interiorização do ensino, levando educação de qualidade a locais onde a oferta presencial ainda é restrita.

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Infraestrutura e tecnologia de ponta

A Uninter aproveita o palco do CIAED para celebrar o crescimento de 22,6% em sua base de alunos, impulsionado pela maturação de cursos de alta complexidade. A instituição destaca seus 42 Laboratórios Presenciais de Apoio Didático (Lapad), dos quais 15 estão nas regiões Norte e Nordeste. Esses espaços são fundamentais para cursos da área da Saúde, como Medicina Veterinária, Biomedicina e Farmácia, oferecendo simulações avançadas e tecnologia de última geração.

O reitor da Uninter, Benhur Gaio, será um dos destaques do encerramento do evento, no dia 30 de abril, com a palestra “Da educação a distância à educação em ecossistemas digitais: como a Uninter está redesenhando a qualidade no ensino superior”.

Créditos: revistaalternativa.jp

Ecossistemas de conteúdo e soluções educacionais

Complementando a cadeia de inovação, a Editora Intersaberes apresenta o Intersaberes | Play, um ecossistema desenvolvido para instituições de ensino superior que buscam alinhar-se às diretrizes do MEC. A plataforma oferece mais de 2 mil disciplinas criadas por uma rede de 4 mil especialistas, além de uma biblioteca digital robusta e banco de questões focado no ENADE.

“É uma ferramenta que garante interatividade e melhor aprendizado aos alunos com a chancela do MEC”, destaca Lindsay Azambuja, diretora presidente da Intersaberes.

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Mapa do Ensino Superior (EAD) de 2026 do Semesp

O Mapa do Ensino Superior*, lançado em 19 de Março de 2026, do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), apresenta dados sobre a EAD (Educação a Distância), mostrando a tendência de como ela vem se superando no que se trata de números de matrículas comparando com o ensino presencial. Apesar disso, o crescimento desta modalidade não significa que seguirá de modo espiral, mantendo-se estável depois de anos em expansão. A EAD já apresenta 50,7% dos estudantes do país. 

Em 2024, o crescimento foi de apenas 5,6%, quantitativo considerado inferior com relação ao seu ritmo de expansão que foi observado durante o pós-pandemia. Neste período, além do EAD, o ensino presencial também apresentou queda de 0,5% no crescimento do número de matrículas, isso indica um crescimento volátil, após anos de retração intensa. Com relação a concluintes em cursos EAD, houve um aumento de 2,3% entre 2023 e 2024. 2,6% de acréscimo para a rede privada e queda de 6,7% na rede pública.

Neste mesmo período, o número de cursos na EAD teve um aumento de 7,0%: 7,2% na rede privada e 4,6% na pública. 93,8% deles são ofertados pela rede privada. “No entanto, é evidente que os estudantes trabalhadores preferem o ensino híbrido, especialmente em cursos nas áreas de Saúde, Engenharia e Licenciaturas. Dessa forma, o formato semipresencial tende a crescer nos próximos anos e se consolidar nessas disciplinas”, afirma Carlos Longo,  vice-presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e reitor da Universidade Católica de Brasília (UCB). 

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Panorama Geral da EAD (2024-2026)

A 16a edição traz um dado emblemático que é a consolidação de um marco histórico no ensino superior brasileiro: a EAD ultrapassou o ensino presencial em número total de alunos. 

  • Participação de Mercado: Pela primeira vez, a EAD concentra a maioria absoluta dos estudantes do país, com 50,7% do total de matrículas.
  • A EAD atinge majoritariamente o público mais velho de 25+ (com forte presença do público de 30 a 49 anos), com um quantitativo de 67,3%.
  • Volume Total de Matrículas: O sistema como um todo alcançou 10,23 milhões de estudantes.
  • Tendência de Crescimento: Embora ainda cresça, a modalidade apresenta uma desaceleração. Em 2024, o avanço foi de 5,6%, um ritmo bem mais moderado do que o boom observado no período imediatamente após a pandemia de Covid-19.
  • Evasão: No ano de 2024, a EAD sofreu com com a evasão de 41,6%, na rede privada esse quantitativo foi de 41,9%, enquanto que na rede pública foi de 32,2%. 
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A EAD e as Organizações Acadêmicas

De acordo com o relatório, a EAD moldou a estrutura das instituições privadas, que detêm 79,8% das matrículas totais do país. As universidades privadas utilizam a EAD de forma intensiva e estratégia com constante expansão. O texto aponta que essa modalidade é o motor que sustenta os grandes números dessas instituições, embora gere debates sobre a sustentabilidade e qualidade da formação, comparando com as instituições públicas. 

Com relação aos Centros Universitários, que é o grande destaque da última década (2014-2024) e continua influente em 2026 e que:

  • Cresceram 201% em número de instituições nos últimos 10 anos.
  • Saltaram de 21,6% para 42% de participação nas matrículas totais da rede privada.
  • Consolidaram-se como o principal vetor de crescimento, aproveitando a flexibilidade da EAD para expandir sua base de alunos.

No que se trata das Faculdades (Instituições Menores), as instituições tradicionais perderam espaço para o modelo de larga escala da EAD e dos Centros Universitários, a participação nas matrículas caiu de 36 % (em 2014) para apenas 12,4% (em 2024/2026).

“São fatores que irão transformar o mercado do ensino superior nos próximos dois a quatro anos. Estamos saindo de um cenário de oferta excessiva de cursos e preços baixos para um mercado de demanda seletiva, no qual os candidatos escolherão os cursos e formatos que melhor se ajustam ao seu estilo de vida e renda”, aponta Longo. 

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Perspectiva de Levantamento para 2026

O levantamento do Instituto Semesp indica que a EAD atingiu sua maturidade. O desafio atual, segundo o texto, não é mais a expansão desenfreada (que perdeu fôlego), mas sim enfrentar as “tensões regulatórias e acadêmicas”. 

“Há muita controvérsia e pouca regulação da EaD, e as faculdades isoladas podem se mostrar como um porto mais seguro. É bom frisar que este é um tema importante de pesquisa, com muitas hipóteses e dados empíricos ainda pouco trabalhados”, pondera Maria Lígia Barbosa, coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Ensino Superior da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O debate agora gira em torno de como equilibrar a hegemonia da EAD com a qualidade do ensino e o papel dessas instituições no desenvolvimento regional, especialmente em um cenário onde as faculdades menores (mais próximas das comunidades locais) estão encolhendo em comparação aos grandes centros de ensino a distância.

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O Evento

O 31º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (CIAED 2026) será realizado entre os dias 27 e 30 de abril, no Centro de Convenções de João Pessoa, Paraíba. Com o tema central “Educação Digital, Híbrida e a Distância em Transformação”, o evento se propõe a ser um espaço de reflexão profunda sobre as mudanças nas práticas pedagógicas, o avanço das tecnologias educacionais e as novas políticas para o setor.

*O Mapa o Ensino Superior no Brasil utiliza a seguinte base de dados: Censo da Educação Superior, de 2014 a 2024; Censo da Educação Básica, de 2015 a 2020; Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), de 2021 a 2025; microdados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), de 2015 a 2025; Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), de 2021 a 2023; Pesquisa de Mensalidades Aplicadas do Instituto Semesp, de 2025; análises de Big Data.  

Fonte: Instituto Semesp/Desafios da Educação

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