O diagnóstico precoce e a observação diária são fundamentais para evitar a cegueira e garantir a qualidade de vida de cães e gatos

Por Portal Em Pauta com Fernanda Araújo

CAMPINA GRANDE – PB,  26/06/2026

Neste mês de junho, a campanha Junho Violeta mobiliza profissionais da Medicina Veterinária em todo o país para conscientizar tutores sobre a importância da saúde ocular dos animais de estimação. Como muitas das patologias oftalmológicas evoluem de forma silenciosa e discreta, a iniciativa — endossada pelo Sistema CFMV/CRMVs — foca no diagnóstico precoce e no acompanhamento periódico com um médico-veterinário como as ferramentas mais eficazes para prevenir a perda parcial ou total da visão de cães e gatos, garantindo-lhes bem-estar, segurança e autonomia.

A saúde ocular é um dos pilares fundamentais para a qualidade de vida dos animais de estimação, interferindo diretamente na maneira como eles interagem com o ambiente e com seus tutores. No entanto, muitas enfermidades graves que afetam os olhos dos pets não apresentam sintomas evidentes logo no início, manifestando-se de forma clara apenas quando já se encontram em estágios severos ou irreversíveis.

Os perigos ocultos por trás dos olhos do seu pet

Entre as complicações mais frequentes na rotina das clínicas veterinárias estão a catarata, o glaucoma, as úlceras de córnea, uveíte, as conjuntivites, ceratoconjuntivite seca, conhecida popularmente como síndrome do olho seco e as doenças degenerativas da retina. Se não identificadas a tempo, essas condições podem comprometer drasticamente a capacidade visual do animal.

De acordo com o médico-veterinário e diretor da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, a rotina de observação diária por parte dos tutores é o primeiro e mais importante filtro de proteção à saúde do animal.

“A visão exerce papel fundamental na interação dos animais com o ambiente. Muitas doenças começam de forma discreta e acabam sendo percebidas apenas quando já estão avançadas. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para preservar a saúde ocular e a qualidade de vida dos pets”, afirma Flosi.

Fonte: Reprodução/Magnific

Sinais de alerta: o que os tutores devem observar

Por conviverem diariamente com os animais, os responsáveis são os primeiros que podem notar pequenas alterações comportamentais ou físicas. O especialista aponta que determinados sintomas exigem uma avaliação profissional imediata, tais como:

  • Vermelhidão constante nos olhos;
  • Presença de secreções espessas ou acúmulo excessivo de lágrimas (lacrimejamento);
  • Sensibilidade exagerada à luz (fotofobia) ou dificuldade visível para abrir os olhos;
  • Pupilas dilatadas;
  • Apatia;
  • Perda de noção do espaço;
  • Coceira;
  • Mudanças na coloração dos olhos;
  • Dificuldades de locomoção;
  • Perda de pelos ou áreas calvas;
  • Feridas, pústulas, crostas ou lesões cutâneas;
  • Pele seca, escamosa ou oleosa;
  • Mau cheiro na pele;
  • Mudanças súbitas de comportamento, como esbarrar em móveis, hesitação ao caminhar em ambientes escuros ou isolamento.

Para evitar que estes sinais se apresentem, o indicado é levar seu pet em consultas regulares, exames oftalmológicos de rotina, buscar manter a higiene ocular em dia e em casos de qualquer suspeita levar seu animal de estimação imediatamente ao veterinário especialista em oftalmologia.

“O responsável pelo animal é quem convive diariamente com o pet e geralmente é o primeiro a perceber alterações. Quanto mais cedo essas mudanças forem avaliadas por um médico-veterinário, maiores serão as chances de sucesso no tratamento”, explica o diretor.

Fonte: Reprodução/Magnific

Como proteger a saúde dos olhos em cães e gatos?

Ainda que muitas enfermidades que acometem a região dos olhos, não possam ser totalmente evitadas, adotar práticas diárias ajudam a perceber com mais rapidez os problemas logo no início garantindo o bem-estar ocular dos animais de estimação. Confira algumas recomendações:

  • Fique atento aos sinais e comportamentos: Fique de olho em alterações físicas na região, lacrimejamento constante ou se o pet começou a esbarrar nos móveis. Isso costuma indicar que algo está errado.
  • Não falte às consultas de rotina: Visitas regulares ao veterinário permitem descobrir anomalias logo no começo, antes mesmo de os tutores perceberem qualquer sintoma.
  • Redobre os cuidados com animais idosos: O avanço da idade torna os pets mais propensos a problemas de visão. Portanto, o monitoramento médico deve ser intensificado nessa etapa.
  • Monitore de perto as doenças crônicas: Enfermidades como diabetes e pressão alta, quando não controladas, podem desencadear danos severos à estrutura ocular.
  • Proteja o animal de ferimentos e acidentes: Brincadeiras muito agitadas, proximidade com objetos cortantes e acidentes em casa podem lesionar os olhos e colocar a visão em risco.
  • Fuja da automedicação: Nunca aplique colírios ou pomadas sem a indicação de um profissional. O uso de produtos incorretos pode piorar o quadro e atrapalhar a recuperação.
  • Limpe a área dos olhos apenas se necessário: Pets que acumulam muita secreção ou remela demandam uma higienização específica, que deve ser feita seguindo estritamente as instruções do veterinário.
Fonte: Reprodução/Magnific

Predisposição genética e o fator idade

A atenção deve ser redobrada quando se trata de raças com predisposição genética a problemas oculares. Esse é o caso marcante dos cães braquicefálicos — aqueles que possuem o focinho achatado e os olhos anatomicamente mais expostos —, como Shih Tzu, Pug, Bulldog Francês, Lhasa Apso, Bulldog Inglês, Cocker Spaniel, Poodle e Pequinês, por exemplo, possuem características anatômicas que ampliam ainda mais a incidência de problemas oculares, como: aumento de riscos de lesões, ressecamento ocular e inflamações. “Também é importante evitar que os animais, especialmente raças braquicefálicas, como Shih-tzu, Pug e Bulldogs, coloquem a cabeça para fora da janela durante passeios de carro, pois poeira e pequenos corpos estranhos podem causar lesões oculares”, alerta Bruna Almeida.

Já entre os felinos,  as raças que são mais propensas a desenvolver problemas na região dos olhos, são: Persa, Himalaio e Exótico de Pelo Curto estão entre as mais suscetíveis. Animais com diabetes, hipertensão, doenças autoimunes ou até mesmo histórico de traumas na região dos olhos, possuem um maior risco no desenvolvimento de alterações na visão no decorrer. Nesses casos, as consultas preventivas tornam-se indispensáveis.

“É fundamental destacar que, em muitas situações, doenças originárias de outros sistemas, podem ter impacto nos olhos dos animais. Por este motivo, a avaliação e o diagnóstico realizados por um médico veterinário são indispensáveis para identificar causas subjacentes e realizar o tratamento adequado, reduzindo as chances de recidivas”, afirma a médica veterinária Stefanie Poblete, coordenadora de produtos da Linha Pet da Syntec do Brasil.

Além do fator racial, o envelhecimento natural dos pets é outro forte catalisador de riscos. Animais idosos são frequentemente acometidos por catarata, glaucoma e degeneração na retina, o que reduz sua mobilidade.

O Sistema CFMV/CRMVs reforça que a perda de visão não deve ser encarada de maneira conformista. “Muitos responsáveis pelos animais acreditam que a perda da visão seja uma consequência natural da idade, mas diversas enfermidades podem ser tratadas ou controladas quando descobertas precocemente. O acompanhamento veterinário regular é essencial para garantir mais conforto”, destaca Flosi.

A saúde ocular é fundamental para o bem-estar dos animais. Pois muitas doenças que acometem a região dos olhos, acabam evoluindo de forma silenciosa e os tutores só vão perceber quando está num estágio bem avançado. 

“Muitos responsáveis pelos animais acreditam que a perda da visão seja uma consequência natural da idade, mas diversas enfermidades podem ser tratadas ou controladas quando descobertas precocemente. O acompanhamento veterinário regular é essencial para garantir mais conforto e qualidade de vida aos pets”, destaca Francis Flosi.

Fonte: Reprodução/Magnific

Alerta vermelho: os perigos da automedicação

Um dos principais alertas reforçados pelos especialistas durante o Junho Violeta diz respeito ao uso indiscriminado de colírios ou pomadas oftálmicas sem prescrição profissional. O hábito de utilizar medicamentos que sobraram de tratamentos anteriores ou indicados por leigos pode mascarar sintomas, agravar severamente uma lesão na córnea e acelerar processos de cegueira.

“Nem toda irritação ocular é igual. Um medicamento que ajuda em determinada situação pode piorar outra condição. Somente o médico-veterinário pode indicar o tratamento adequado após avaliação clínica”, ressalta.

Mais do que estética: um compromisso com o bem-estar

A campanha Junho Violeta relembra que o zelo pelos olhos dos animais vai muito além de uma questão estética ou de higiene básica. A capacidade de enxergar está intrinsecamente ligada à autonomia e à autoconfiança de cães e gatos.

Ao promover consultas periódicas e agir com rapidez diante dos primeiros sinais de desconforto, os tutores cumprem um papel decisivo na longevidade e na manutenção da dignidade de seus companheiros de quatro patas. Cuidar da visão é também um ato de amor e responsabilidade. “O cuidado com oftalmológico não deve se restringir apenas às doenças locais dos olhos, mas considerar o animal como um todo, pois alterações sistêmicas e metabólicas podem se manifestar de forma marcante na visão”, explica a médica veterinária Bruna Barbosa, responsável técnica da Clínica-Escola da UNINASSAU Rio de Janeiro.   

A campanha Junho Violeta vem justamente como um reforço para os cuidados com os olhos dos animais, que vão além do lado estético. E nos últimos vem tomando uma relevância muito grande dentro da Medicina Veterinária. Desde 2024, algumas instituições têm incluído esta temática em suas ações, visando a ampliação da conscientização e orientação para a saúde preventiva dos pets. A visão permite que o animal tenha mais autonomia, segurança e bem-estar, e a prevenção permite ter uma vida ainda mais saudável. 

“Quando os responsáveis pelos animais observam sinais precoces e buscam orientação profissional, contribuem diretamente para a saúde e o bem-estar dos seus pets. Cuidar da visão é também cuidar da qualidade de vida dos animais”, conclui Flosi.

Fonte: Sala da notícia/Eu Rio

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