Copa pode representar riscos aos pets: Especialistas alertam para cuidados durante os jogos
Por Redação
Campina Grande, PB – 29/06/2026
A Copa do Mundo é sinônimo de festa, casa cheia e muita emoção para os brasileiros. No entanto, o que é motivo de alegria para os humanos pode se transformar em um verdadeiro pesadelo para os membros de quatro patas da família. Com a rotina virada do avesso, gritos de gol e o barulho ensurdecedor dos fogos de artifício, o período de jogos exige atenção redobrada dos tutores. Especialistas alertam que o excesso de estímulos aumenta drasticamente os casos de ansiedade, fugas, acidentes e até intoxicações alimentares em cães e gatos.
Segundo o médico-veterinário e diretor geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, a euforia das comemorações altera completamente a percepção de segurança dos animais.
“Os pets sentem muito o impacto da euforia das comemorações. O barulho intenso, os fogos e a movimentação alteram completamente a percepção de segurança dos animais. Muitos apresentam tremores, taquicardia, crises de ansiedade e até tentativas de fuga”, explica Flosi.
Para proteger seu Pet do estresse gerado pelas comemorações dos jogos, é necessário separar um cômodo da casa que seja silencioso e que as portas e janelas estejam bem trancadas para abafar um pouco do barulho externo. Fazer o uso de música ambiente ou de uma TV ligada, brinquedos recheados de petiscos para que o distraia e torne o momento mais leve e que gere associações positivas. Se antecipar evita que o animal se estresse, entre em pânico, além de ocorrer saídas e acidentes.

“É comum recebermos relatos de cães que tentam fugir, quebram portas, se escondem em locais perigosos ou apresentam sintomas físicos de estresse durante períodos de grande movimentação, como Réveillon e Copa do Mundo. O ideal é que a preparação aconteça antes do evento”, explica a médica-veterinária Marcela da Elective Veterinária.
O perigo silencioso da mesa de petiscos
Além do estresse sonoro, as reuniões de amigos e familiares trazem outro risco invisível: o compartilhamento inadequado de comida. O churrasco e os petiscos que acompanham a cerveja do jogo são altamente prejudiciais para a saúde animal.
“Grandes eventos esportivos costumam modificar bastante o ambiente da casa: os familiares passam mais tempo fora ou dentro do lar, mudam horários de passeios, alimentação e brincadeiras, além de receberem visitas, fazer confraternizações e gerar mais movimentação e barulho”, relata Bárbara Geogetti Nascimento, médica-veterinária comportamentalista com certificação Fear Free for Pets e pós-graduação em Etologia Clínica Veterinária.
O especialista destaca que o cenário se agrava quando os animais têm acesso a alimentos inadequados consumidos durante as confraternizações. “Chocolate, carnes temperadas, frituras, petiscos industrializados humanos e bebidas alcoólicas podem provocar intoxicações graves. Em períodos festivos, aumenta bastante o número de atendimentos veterinários relacionados à alimentação indevida”, alerta o médico-veterinário.

Portas abertas e o risco de fugas
O vai e vem de convidados e o desespero causado pelos rojões formam a combinação perfeita para o desaparecimento de animais. Em um momento de pânico, o instinto do pet é correr para se proteger, o que pode resultar em acidentes graves nas ruas.
“Em situações de medo extremo, muitos animais fogem desesperados. Por isso, manter identificação atualizada, ambientes protegidos e espaços tranquilos é essencial para evitar acidentes”, reforça Francis Flosi.
Cachorros costumam demonstrar que estão com medo de um modo mais perceptível, bem diferente dos gatos. Que possui um comportamento de isolamento, problemas para consumir água e como consequência disso o desenvolvimento de transtornos do trato urinário, se transformando em complicações graves.
“O estresse pode desencadear comportamentos agressivos, hipervigilância, perda de apetite, vômito e eliminação de fezes e urina. A saúde também pode ser impactada, com aumento da pressão arterial, taquicardia, crises respiratórias e episódios convulsivos, especialmente em animais idosos ou com doenças cardíacas e neurológicas”, destaca Cintia Ghorayeb, especialista do Veros Hospital Veterinário.

O estresse em felinos em decorrência do intenso barulho, podem desenvolver uma doença chamada CIF (Cistite Idiopática Felina). Tal condição atinge cerca de 55% a 65% de DTUIF (Doença do Trato Urinário Inferior Felino), de acordo com a ISFM (International Society of Feline Medicine).
“O grande perigo do período da Copa é que os sinais podem passar despercebidos. Enquanto a atenção da família está voltada para o jogo, o gato pode estar em sofrimento. O estresse nos felinos costuma ser silencioso”, explica Ewellin Lima, médica veterinária na WeVets.
“Muitas vezes, ele [o estresse] se manifesta no pet que passa horas escondido, deixa de beber água ou começa a frequentar a caixa de areia repetidamente sem conseguir urinar. Quando ocorre uma obstrução urinária, estamos diante de uma emergência metabólica grave que pode evoluir rapidamente para insuficiência renal aguda”, complementa.
A orientação de ouro é que os responsáveis criem um “bunker” de tranquilidade dentro de casa: um ambiente seguro, silencioso e confortável durante os jogos, evitando a exposição excessiva ao barulho e respeitando os limites comportamentais de cada animal. “Nem todo animal consegue lidar bem com ambientes agitados. O mais importante é garantir bem-estar, segurança e tranquilidade durante esse período”, finaliza o diretor.
Nesta mesma concepção, a veterinária Ewellin Lima, faz a seguinte avaliação: “A Copa é um momento de celebração para as famílias, mas é importante lembrar que os gatos não entendem o contexto da festa. Eles apenas percebem que o ambiente mudou de forma repentina. Pequenos cuidados preventivos podem evitar situações de grande risco e garantir que o pet atravesse esse período com tranquilidade e segurança”, pontua.

Guia de Sobrevivência: Principais cuidados com os Pets durante a Copa
Para garantir que a única preocupação da casa seja o placar do jogo, confira o checklist de cuidados essenciais:
- Abafe o som: Evite rojões por perto e mantenha a TV ou o som ambiente em volume que não assuste o animal.
- Dieta estrita: Não ofereça (e peça aos convidados para não oferecerem) alimentos humanos aos animais.
- Zona de conforto: Disponibilize água fresca e um ambiente tranquilo, de preferência um quarto onde o pet possa se esconder se quiser.
- Segurança máxima: Mantenha portões trancados durante a entrada e saída de convidados e certifique-se de que a coleira do pet está com a medalha de identificação atualizada.
- Sem frescuras: Evite fantasias desconfortáveis e o excesso de estímulos que possam irritar o animal.
- Ajuda profissional: Procure atendimento veterinário imediatamente em casos de ansiedade intensa, automutilação ou sinais de intoxicação.
- Criando uma toca: Prepare um espaço acolhedor, escuro e isolado em um cômodo tranquilo da casa — um closet ou um banheiro costumam funcionar muito bem. Recheie o local com os cobertores prediletos, os brinquedos e as caminhas do seu animalzinho.
- Isolamento acústico e visual: Mantenha janelas, portas e cortinas completamente fechadas; isso ajuda a amortecer os estrondos e bloqueia os flashes de luz causados pelos fogos de artifício.
- Camuflagem sonora: Utilize o som da televisão, playlists de música instrumental ou aparelhos de ruído branco em um volume confortável para disfarçar os barulhos que vêm de fora.
“Certos pets lidam relativamente bem com essas alterações, principalmente os mais sociáveis e resilientes. Outros podem apresentar sinais de medo, ansiedade ou desconforto, ficando mais agitados, em alerta constante, procurando locais para se esconder ou tendo dificuldade para descansar”, comenta Bárbara.

Além desses cuidados, fazer o uso de meios naturais para ajudar no comportamento animal também é muito válido, assim como evitar fazer mudanças bruscas na rotina. E é importante ficar em alerta com o comportamento do animal e caso necessário levá-lo imediatamente ao veterinário.
- Uso de feromônios sintéticos: O mercado dispõe de soluções como o Adaptil (voltado para cães), produto que mimetiza o odor materno para reduzir a ansiedade dos animais. A alternativa atua de forma natural, sem a necessidade de sedação.
- Impacto do comportamento do tutor: Especialistas apontam que a postura do tutor é determinante. Adotar um comportamento excessivamente ansioso ou tentar consolar o animal de forma exagerada pode ser interpretado pelo pet como a confirmação de uma ameaça real. A recomendação é agir com naturalidade.
“O uso de calmantes nunca deve ser feito sem orientação profissional. Alguns medicamentos podem causar efeitos adversos importantes e mascarar o sofrimento sem realmente reduzir o medo”, alerta Cintia Ghorayeb.
Garantir uma nutrição adequada vai muito além de apenas encher o pote de ração. Seguir algumas regras básicas na alimentação do seu animal é fundamental para prevenir uma série de problemas de saúde e assegurar que ele tenha uma vida longa, ativa e feliz.
Para alcançar esse objetivo, vale a pena se atentar aos seguintes pontos:
- Brinquedos Ocupacionais Congelados: Use mordedores ocos (no estilo Kong) e preencha-os com patê de ração, sachês ou pedacinhos de frutas autorizadas pelo veterinário (como banana ou maçã). Depois, leve ao congelador. Além de entreter, o hábito de lamber e roer estimula a produção de endorfina, o que ajuda a acalmar e relaxar o animal.
- Mordedores de Longa Duração: Aposte em petiscos desidratados e funcionais que exijam bastante tempo de mastigação, ou snacks com propriedades calmantes. Eles são excelentes para prender a atenção do pet e desviar o foco de barulhos ou da agitação ao redor.
- Alimentos Proibidos: Evite dar petiscos de consumo humano ou os famosos “restos de festa”. Itens comuns em comemorações — como chocolates, uvas, cebola e frituras — são extremamente perigosos e tóxicos para o organismo dos animais.
- Evite a Obesidade: Controle as porções diárias de acordo com o peso e a idade do animal, o excesso de peso sobrecarrega as articulações e o coração.
- Mantenha a Rotina: Estabeleça horários fixos para as refeições. Isso ajuda no funcionamento do sistema digestivo e reduz a ansiedade do pet.
- Água Fresca Sempre: A hidratação correta é a maior aliada na prevenção de problemas renais e urinários.
“Porém, o problema, geralmente, não é só o barulho. Durante esses eventos, o animal costuma ser exposto a vários estímulos ao mesmo tempo: mudança de rotina, excesso de pessoas, movimentação intensa, cheiros diferentes, gritos e falta de previsibilidade. Tudo isso pode deixar alguns pets sobrecarregados, principalmente, quando a reunião acontece na própria casa do animal ou quando ele é levado para ambientes cheios e agitados”, relata Bárbara Nascimento, médica-veterinária.
Fonte: CNN Life Brasil/Portal Cães e Gatos/Valor Econômico/Estadão






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