Muito além dos grandes shows que passaram pelo Parque do Povo, um exército de artesãos, montadores e cozinheiros passou meses em uma corrida contra o tempo para garantir o sucesso de 33 dias históricos de festa em Campina Grande
Por Redação
Campina Grande, PB – 14/07/2026
Enquanto os holofotes iluminavam os grandes palcos e as atrações nacionais, um exército silencioso de quase dez mil trabalhadores diretos e indiretos transformava a fisionomia de Campina Grande (PB). Nos meses que antecederam a abertura oficial d’O Maior São João do Mundo, a engrenagem dos bastidores correu em ritmo acelerado para garantir que a infraestrutura do Parque do Povo, a segurança tecnológica, a culinária típica e o espetáculo das quadrilhas juninas funcionassem em perfeita harmonia. Foi a força desse planejamento cirúrgico e o suor da mão de obra local que sustentaram, mais uma vez, a maior manifestação cultural do Nordeste. Todo o evento teve a parceria impulsionada pela iniciativa privada como a Arte Produções com a Prefeitura Municipal.
O Calendário do Gigante: 33 dias de pura efervescência
Em 2026, a 43ª edição do evento se consagrou com 33 dias ininterruptos de festa, estendendo-se de 3 de junho a 5 de julho. Esse período monumental exigiu um esforço logístico que começou quase um ano antes, dividindo o cronograma dos trabalhadores como montadores, artistas, agentes da limpeza e equipe de segurança unidos em etapas rígidas:
- Janeiro a Março | O Planejamento Inicial: As agências organizadoras e a Prefeitura definiram o layout do Parque do Povo, fecharam os primeiros contratos com patrocinadores e iniciaram a curadoria da grade de artistas nacionais e locais.
- Março a Abril | Ensaios e Costuras: Os galpões das quadrilhas juninas entraram em ritmo de vigília. Costureiras e aderecistas iniciaram a produção manual de centenas de figurinos complexos, enquanto os brincantes ensaiam exaustivamente as coreografias.
- Maio | A Invasão dos Operários: O Parque do Povo foi isolado para o início da montagem física. Carpinteiros, eletricistas e cenógrafos deram vida à tradicional fogueira gigante, à réplica da Catedral de Nossa Senhora da Guia e às centenas de barracas.
- Junho a Julho | A Hora do Show: A engrenagem operou em capacidade máxima. Manutenções preventivas de som, luz e limpeza ocorreram todas as manhãs para que o Parque do Povo estivesse impecável a cada nova noite de festa.
O Palco das Estrelas: As grandes atrações de 2026
Se nos bastidores o trabalho foi árduo, o resultado final brilhou intensamente no palco principal do Parque do Povo. A edição deste ano entrou para a história pela diversidade e pelo ineditismo de suas atrações. Para isso, a participação de uma rede de trabalhadores foi essencial desde a montagem até a desmontagem final.
Pela primeira vez, duas das maiores lendas da música popular brasileira estiveram no evento: Roberto Carlos e Marisa Monte. Além disso, a abertura da festa contou com o aclamado Projeto Dominguinho, reunindo no mesmo palco João Gomes, Mestrinho e Jota.pê.
Ao longo dos 33 dias de programação, os holofotes também se voltaram para grandes astros nacionais e ícones do forró e do sertanejo:
- Gigantes do Forró e Sertanejo: Wesley Safadão, Henrique & Juliano, Simone Mendes, Nattan, Xand Avião e Lauana Prado.
- A Força da Tradição Nordestina: Shows inesquecíveis de Elba Ramalho, Alceu Valença, Flávio José, Dorgival Dantas, Waldonys, Santanna e Amazan.
- O Fenômeno do Piseiro e Pop: Henry Freitas, Mari Fernandez, Iguinho e Lulinha, além do rapper Matuê.
Para que astros desse calibre subissem ao palco pontualmente todas as noites, existiu uma força-tarefa invisível nos camarins e na técnica: equipes de som, iluminação, roadies e produtores locais que trabalharam sob um cronograma milimétrico, garantindo que as trocas de palco de diferentes bandas acontecessem em tempo recorde.

Engenharia junina e cenografia afetiva
Erguer uma cidade cenográfica inteira no coração da Rainha da Borborema exigiu precisão e respeito à memória histórica. A equipe de cenografia trabalhou com materiais que simularam a arquitetura da Campina Grande antiga. Cada tábua de madeira usada nas barracas foi tratada, e a fiação elétrica do Parque do Povo foi subterrânea em sua maior parte para evitar acidentes e poluição visual.
Nos meses que antecederam ao evento, uma equipe multidisciplinar começaram o processo de transformação do espaço em um grande canteiro de obras. Com profissionais de montagem das estruturas metálicas, carpinteiros, eletricistas e cenógrafos, ajudaram a erguer os palcos, camarotes e as tradicionais palhoças. É o trabalho deles que podemos ver a identidade visual e a atmosfera da vila nordestina.

“A gente não constrói apenas palcos; a gente reconstrói a infância de quem vem para cá. Cada detalhe da igrejinha ou do telhado das barracas precisa parecer real, precisa trazer aquele cheiro de poeira e saudade”, contou Manoel dos Santos, carpinteiro que trabalhou na montagem do evento pelo 15º ano consecutivo.
Para Azuil de Castro que acompanha cada movimento, perto de um caminhão enquanto os paineis são descarregados, com a ajuda da empilhadeira. É conhecido por todos apenas como Castro, ele trabalha com eventos há três anos e participa pela terceira vez da montagem do São João de Campina Grande.
“É um trabalho de apoio. A gente ajuda no descarrego, no carregamento, na montagem, na desmontagem… vai fazendo de tudo um pouco. São estruturas metálicas, painéis, fechamentos, tapumes”, explica, enquanto observa a equipe em ação.
A rotina do evento desde sua concepção até a finalização é bastante intensa, mas também é marcada pela convivência entre quem está no desenvolvimento do trabalho. Entre turnos longos e viagens, os trabalhadores constroem mais do que estruturas: criam vínculos entre si. É o caso de Francisco de Assis, montador de estandes que saiu do Ceará para vim integrar a equipe. Em sua segunda participação no evento, ele não esconde o entusiasmo.
“Aqui é uma experiência única. A primeira vez que eu vim, mal cheguei em Fortaleza e já queria voltar. O pessoal daqui é muito acolhedor, igual a gente”, conta.Se no chão o trabalho é pesado, no alto ele ganha leveza — e cor. São as bandeirinhas e balões que, em breve, vão cobrir o céu do Parque do Povo. A tarefa é liderada pelo cenógrafo José Sereco, que há quatro décadas participa da construção visual da festa.
Jonatas Lourenço, que é natural de Campina Grande, vive o evento a partir de uma perspectiva especial. Exercendo a profissão há três anos, ele participa da festa desde que se formou — e carrega consigo a memória afetiva construída ao longo das gerações.
“Eu cresci ouvindo meus pais falarem do São João da época deles. Hoje, eles escutam de mim como é trabalhar aqui. A gente vê a magia se formando desde a montagem. Depois, quando começa, é emoção, alegria… é cultura viva”, relata.
Veterano na montagem, Nicolau Baldé também conhece bem essa transformação. Há 14 anos na Arte Produções, ele participa pela quarta vez da estruturação dos restaurantes, camarins e demais espaços do evento. “A cada ano evoluimos e nos superamos. É cansativo, mas quando termina, é missão cumprida. Trabalhar com eventos da orgulho. No fim, dá um alívio, uma satisfação”, resume.
Por sua vez, Larissa Emiliano, deixou Goiás e veio morar em Campina Grande, e ao entregar o currículo na empresa responsável pelos serviços de limpeza do evento, encontrou uma oportunidade justamente no momento em que mais precisava. Desde antes da abertura oficial da festa, ela passou a integrar a equipe responsável pela organização dos espaços e acompanhou de perto toda a movimentação dos bastidores. Mesmo com a rotina intensa, conta que a experiência foi de grande transformação para a sua vida. “Foi uma oportunidade que apareceu num momento em que eu precisava muito. É cansativo, porque a gente está aqui todos os dias, mas está sendo muito gratificante”, relata.

Ao longo do período, Larissa afirma que aprendeu com colegas de diferentes áreas, conheceu pessoas novas e passou a enxergar o trabalho realizado por trás da festa. Agora, mesmo sabendo que ainda permanecerá alguns dias acompanhando a desmontagem da estrutura, ela já prevê o sentimento que ficará quando tudo terminar. “Vou sentir falta. Acho que amanhã, quando olhar e perceber que acabou de verdade, vou sentir muita saudade dessa rotina”, disse ela.
Para além dos shows, trabalhadores contam como O Maior São João do Mundo transformou rotinas, abriu portas para o primeiro emprego e criou histórias que continuam mesmo após o encerramento da festa.
Durante 33 dias, milhares de pessoas passaram diariamente pelo Parque do Povo e pelo Parque Evaldo Cruz para assistir aos shows, dançar forró, reencontrar amigos e viver a experiência do Maior São João do Mundo. Mas, enquanto o público chegava para aproveitar a festa, uma outra multidão já estava em ação desde as primeiras horas do dia. São profissionais da limpeza, produção, credenciamento, segurança, imprensa, comércio e diversos outros setores que fazem a engrenagem da festa funcionar. Para muitos deles, além da renda, o São João representa uma oportunidade de crescimento profissional, de conhecer novas pessoas e até de descobrir um novo caminho para a carreira.
Foi assim para Larissa Emiliano, que deixou Goiás e veio morar em Campina Grande. Ao entregar o currículo na empresa responsável pelos serviços de limpeza do evento, encontrou uma oportunidade justamente no momento em que mais precisava. Desde antes da abertura oficial da festa, ela passou a integrar a equipe responsável pela organização dos espaços e acompanhou de perto toda a movimentação dos bastidores. Apesar da rotina intensa, conta que a experiência foi transformadora.
“Foi uma oportunidade que apareceu num momento em que eu precisava muito. É cansativo, porque a gente está aqui todos os dias, mas está sendo muito gratificante”, relata. Ao longo do período, Larissa afirma que aprendeu com colegas de diferentes áreas, conheceu pessoas novas e passou a enxergar o trabalho realizado por trás da festa. Agora, mesmo sabendo que ainda permanecerá alguns dias acompanhando a desmontagem da estrutura, ela já prevê o sentimento que ficará quando tudo terminar. “Vou sentir falta. Acho que amanhã, quando olhar e perceber que acabou de verdade, vou sentir muita saudade dessa rotina”, disse ela.
Na parte da produção, a rotina também foi de muito aprendizado para Maria Dayane. Neste ano, ela estreou na equipe de credenciamento no setor de produção da Arte Produções após receber a indicação de uma amiga que já trabalhava na empresa. Embora já tivesse atuado em outros espaços durante as edições anteriores do evento, foi a primeira vez vivendo os bastidores da organização.
Entre o trabalho e os estudos, precisou reorganizar a rotina para dar conta da intensa programação, mas considera que a experiência lhe trouxe ensinamentos que vão muito além do ambiente profissional, algo que levará para a vida. “Aprendi principalmente a lidar com as pessoas. Nem todo mundo chega da mesma forma, mas a gente precisa manter a educação e fazer o nosso trabalho”, conta. Mesmo com a festa ainda em andamento, ela admite que a despedida já começou a pesar. “A gente ainda fica para a desmontagem, mas já estou sentindo falta, sabe?”, falou ela ao ser perguntada se já está pronta para se despedir da nova rotina.

Quem também descobriu um novo universo profissional no Maior São João do Mundo foi Victor Oliveira. Autônomo, ele nunca havia trabalhado com produção de eventos e viu no Maior São João do Mundo a chance de experimentar uma área completamente diferente. A adaptação foi acontecendo de forma gradual, ainda durante o período de preparação para a festa, quando começou a conhecer os colegas e entender o funcionamento da operação do evento.
Com o passar dos dias, o que mais chamou sua atenção foi a energia que circula pelos bastidores. “Eu não esperava que fosse tão divertido. Claro que é cansativo, são muitos dias seguidos, mas ver as pessoas chegando felizes para aproveitar a festa acaba motivando a gente também”, afirma. Para Victor, a experiência ampliou seus horizontes profissionais e despertou o interesse por seguir trabalhando com eventos e produção cultural. “Foi uma oportunidade que eu precisava muito e abriu meus olhos para esse lado. Acho que daqui para frente vou buscar mais experiências parecidas.” Ao definir o período vivido no Parque do Povo, ele escolhe uma única palavra: motivador.
Além do aspecto visual, a segurança foi reforçada também nos bastidores por uma central de monitoramento de última geração montada temporariamente dentro do evento, utilizando câmeras de reconhecimento facial integradas às forças de segurança pública.
Além disso, a atuação da equipe de limpeza também foi essencial durante todo o evento. Isso porque milhares de pessoas de várias partes do país e do exterior, passam pelo Parque do Povo. E manter uma estrutura impecável é um feito enorme. Equipes da limpeza e da SESUMA trabalharam diariamente em turnos que perpassam a madrugada para manter a limpeza do local para atender os visitantes no dia seguinte.
Para garantir que as pessoas pudessem curtir com tranquilidade e segurança, o evento contou com um grande aparato logístico, incluindo segurança pública e privada; como: Stewards, brigadistas, agentes de trânsito e forças policiais coordenam o fluxo de multidões e a entrada no Quartel General do Forró.
Nos bastidores políticos e organizacionais, também trouxeram contribuições para a organização do evento. Incluindo a organização de espaços para o artesanato, desfiles e apoio aos quadrilheiros e músicos locais.
A participação feminina na organização foi um destaque muito importante, fazendo presente na condução das equipes artísticas, comerciais, executivas e nos demais setores. De acordo com a produtora executiva da Arte Produções, Monique Fernandes, a participação das mulheres se fez presente em todos os setores:

“Falar de mulheres no São João é falar de Elba Ramalho que se consagrou como um grande ícone da cultura e da tradição nordestina entre tantos homens, é falar das mulheres que integram os bombeiros civis, das que compõem a segurança privada, as médicas, as produtoras, filmakers, fotógrafas, blogueiras, apresentadoras, controladoras de acesso, supervisoras, coordenadoras, comerciantes, lideranças das associações e representantes de todos os grupos comerciais e culturais dessa grande engrenagem que é o São João. Nós, mulheres gestoras, estamos sendo representadas por todas elas, que no seu tempo construíram grandiosamente suas histórias, firmaram a nossa trajetória e continuam escrevendo o nosso legado”, celebrou Monique.
No setor artístico, Iana Felício liderou as equipes de produção artística, celebrando sempre a união e empenho de uma equipe diversa, que promove diariamente uma série de atividades: “Pra mim sempre é gratificante, a gente é o resultado da vontade de fazer dar certo, todo mundo junto para entregar. É o que eu sempre alimento na minha equipe: todo mundo está aqui para somar”, comentou.
A jornalista Carla Borba, que comandou a equipe de Assessoria de Imprensa, relatou que: “Vivemos um cenário em que a femininização no jornalismo é cada vez mais significativa, e a equipe da Assessoria de Imprensa d’O Maior São João do Mundo reflete essa realidade. São mulheres que documentam a festa, produzem conteúdo e narram histórias que ajudam a construir o imaginário simbólico da cultura junina, levando a grandiosidade do evento para diferentes públicos e reforçando a importância dessa manifestação cultural”, destacou a jornalista.
“O aumento das mulheres representando o forró e a música nordestina é mais inspiração, mais força e mais garra para lutar pelos espaços, e nós merecemos esse espaço. Fico muito feliz em ser uma das mulheres que representa a música nordestina. É um sentimento de gratidão, estar mostrando o seu trabalho para o mundo inteiro, para milhões de pessoas que estão assistindo no Maior São João do Mundo”, celebrou Stella Alves, que este ano brilhou no Palco Principal pelo segundo ano consecutivo.
Para a produtora e artista Ingrid Farias destacou os mecanismos de incentivo e valorização da Arte Produções para fomentar a diversidade de gênero nos grupos de trabalho: “Tenho um orgulho gigante e acho muito importante a valorização e a confiança que a Arte Produções traz para nós, mulheres. Eu já toquei em Micarande, no Trio Elétrico, e cheguei até ao Palco Principal na época. Hoje em dia a gente vê que é o sonho de muitos artistas estarem nos palcos da festa, principalmente no Palco Principal; e eu, de Campina, já tive essa alegria e foi muito massa”, comentou.
De acordo com a jornalista Beatriz Romão, o aumento de mulheres nos diferentes espaços de trabalho, incluindo a grade musical, é um importante indicativo de reconhecimento e fortalecimento da representatividade: “Eu fico feliz vendo essa porcentagem, acho um número muito bom. Também indica que as pessoas estão ouvindo muitos artistas mulheres, mesmo em gêneros que foram tradicionalmente de maioria masculina. Acho que, enquanto ouvinte, é muito bom a gente se identificar. Muitas artistas nos trazem isso, a música também traz isso né. Então ver mais gêneros musicais trazendo essas perspectivas femininas ao topo e ao reconhecimento é sempre muito bom”, comentou.
Já a secretária municipal de Cultura (Secult), Anny Karenine, destacou que as mulheres desempenham um papel fundamental na preservação das tradições do nosso povo, tornando O Maior São João do Mundo um patrimônio vivo de Campina Grande.
“Estar à frente da Secretaria de Cultura, especialmente no período d’O Maior São João do Mundo é um sentimento proporcional ao tamanho da responsabilidade. A cultura carrega a alma dessa festa e é a responsável por manter viva a chama da nossa tradição durante o ano todo. Neste lugar que estou celebro e represento cada artista, produtora, artesã, quadrilheira, musicista, mestra da cultura popular e tantas outras profissionais que fazem do São João e da cultura de Campina Grande um patrimônio vivo da nossa história, destacou a secretária, enfatizando o protagonismo das mulheres na preservação das tradições culturais e no fortalecimento da identidade d’O Maior São João do Mundo, afirmou.

Para a secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Campina Grande, Tâmela Fama, o olhar feminino das equipes que trabalham na realização da nossa maior festa contribuem de forma decisiva para o sucesso dela.
“Sou uma mulher ocupando uma pasta estratégica dentro da festa. Na minha equipe, tenho muitas outras mulheres. E isso se replica nas demais secretarias envolvidas no evento, nas Forças de Segurança, nas equipes da Arte Produções e em todas as partes d’O Maior São João do Mundo. E não como sinônimo de fragilidade, mas como peças fundamentais para que todo o evento aconteça, porque temos lideranças mulheres dentro dele, que carregam em si a importância do zelo, cuidado e também capricho em tudo que fazem. Não à toa, estamos terminando mais uma edição de sucesso e com muitas mãos sendo responsáveis por isso, inclusive de mulheres”, comentou Tâmela.
A economia do milho e o sustento de famílias
Por trás das cortinas, as cozinhas das barracas e quiosques que operou como verdadeiras indústrias de comida típica. Estima-se que, durante o período festivo, dezenas de toneladas de milho verde foram consumidas no Parque do Povo para a produção de iguarias como pamonha, canjica e bolo de milho.
Para os barraqueiros, o trabalho começava na madrugada. O abastecimento do Parque do Povo era feito sob rígido controle de horários, com caminhões de insumos entrando no espaço nas primeiras horas do dia. Esse movimento garantiu emprego temporário para carregadores, cozinheiros, garçons e pessoal de limpeza, injetando milhões de reais diretamente na economia das famílias campinenses.

O espetáculo que nasceu nos galpões
Se no Parque do Povo o público se encantou com o colorido das quadrilhas juninas na Pirâmide, nos galpões espalhados pelos bairros periféricos da cidade o cenário foi de pura dedicação e sacrifício financeiro. Os brincantes ensaiaram até de madrugada, muitas vezes após longas jornadas de trabalho formal.
Cada figurino de destaque de uma quadrilha estilizada chegou a pesar mais de 10 quilos e custar milhares de reais, valor frequentemente arrecadado pelas próprias comunidades por meio de rifas, bingos e doações ao longo do ano. Foi nos bastidores desses galpões frios que o São João se provou, antes de tudo, um ato de resistência e paixão comunitária.
O balanço de um gigante e os olhos no amanhã
Com o encerramento oficial dos festejos, Campina Grande consolida números estrondosos que reafirmam sua liderança cultural e turística. O impacto econômico bilionário e a ocupação hoteleira praticamente total ao longo de mais de um mês de festa deixam claro: o evento superou todas as expectativas de público e crítica.
Agora, enquanto as equipes de desmontagem entram em cena no Parque do Povo para devolver o espaço ao cotidiano da cidade, o sentimento dominante é de dever cumprido — mas o descanso dura pouco. A saudade mal começou a apertar no peito de quem vivenciou a magia e a engrenagem silenciosa dos bastidores já começa, discretamente, a se movimentar.
O planejamento estratégico e as primeiras ideias de infraestrutura e programação para o São João do próximo ano já estão em pauta, alimentando a promessa de que, na próxima temporada, Campina Grande voltará ainda maior, mais forte e incrivelmente mais apaixonante.
Fonte: Prefeitura Municipal de Campina Grande/O Maior São João do Mundo/CONDECOM






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