Campanha Julho Laranja alerta pais sobre a importância do diagnóstico precoce no desenvolvimento da face, da fala e da respiração de crianças de 6 a 12 anos
Por Redação
Campina Grande, PB – 16/07/2026
Neste mês de julho, a campanha Julho Laranja mobiliza pais, educadores e profissionais da saúde em todo o Brasil para alertar sobre a importância da avaliação ortodôntica precoce em crianças de 6 a 12 anos. O objetivo da iniciativa é conscientizar sobre como o diagnóstico feito ainda na infância pode identificar alterações no crescimento dos dentes e dos ossos da face, evitando a necessidade de tratamentos dolorosos, longos e complexos na idade adulta.
Criada em 2019, a campanha ganhou força rapidamente. Em 2026, a iniciativa foi oficialmente reconhecida por lei federal (Lei nº 15.424, que institui oficialmente o Julho Laranja), tornando-se uma campanha nacional oficial no calendário do país de conscientização para a realização do exame ortodôntico anual na infância de crianças de 6 a 12 anos de idade.
“Uma avaliação nessa idade é fundamental, pois podemos diagnosticar desarmonias no crescimento da face, assim como avaliar o espaço disponível para os dentes permanentes ainda não irrompidos, enquanto os dentes de leite (decíduos) ainda estão presentes. Isso é importante porque alguns problemas ortodônticos podem ser mais fáceis de corrigir se forem detectados precocemente. A maioria dos pacientes começa o tratamento corretivo (com aparelho fixo convencional) após a troca dos últimos dentes de leite, por volta dos 12 anos de idade”, justifica Carla D’Agostini Derech presidente da Associação Brasileira de Ortodontia (ABOR), especialista, mestre e doutora em Ortodontia.
Para a presidente da Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO), especialista, mestre e doutora em Ortodontia. “Nessa fase, as mordidas cruzadas devem ser observadas: discrepância transversal (mordida cruzada posterior) e anteroposterior (mordida cruzada anterior). Essas situações devem ser corrigidas, se possível, ainda na dentição decídua, pois impedem que o crescimento craniofacial se desenvolva incorretamente. O entendimento das fases da biogênese das dentições, ou seja, das fases de formação da dentição decídua, dentição mista e dentição permanente, trouxe muito esclarecimento e possibilitou ao ortodontista estabelecer o melhor momento para cada caso”, pontua Soo.

O projeto de lei, originado pelo PL 2.888/2021, foi relatado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que fez um destaque para à importância da detecção precoce para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças. De acordo com a relatora do projeto, fazer o diagnóstico de forma antecipada e preventivamente, traz diversas contribuições para a saúde geral da criança. Havendo redução de problemas como: apneia do sono e situações que envolvem bullying.
A mobilização também conquistou espaço no ambiente escolar. No Distrito Federal, por exemplo, uma lei estadual de 2020 garantiu avaliações ortodônticas anuais para estudantes da rede pública de ensino, ampliando o acesso à prevenção e democratizando a saúde bucal preventiva.
“Quando o diagnóstico é feito precocemente, o tratamento tende a ser mais simples e eficaz, contribuindo para a saúde bucal e para a qualidade de vida das crianças”, destaca Vitória Lima, do Sesc.
O momento certo para a primeira consulta
Muitos pais associam o tratamento ortodôntico apenas à adolescência, quando a maioria dos dentes permanentes já nasceu. No entanto, de acordo com a dentista Luísa Elita Casado, a primeira consulta com um especialista deve acontecer bem antes: por volta dos seis ou sete anos de idade.
É nessa fase que se inicia a chamada dentição mista — período em que os dentes de leite começam a conviver com os primeiros dentes permanentes.
“Nesse período, é mais fácil corrigir a mordida cruzada, a mordida aberta e atuar nos problemas de espaço nas arcadas. Sendo assim, o tratamento corretivo, que trata a maloclusão instalada na dentição permanente, tende a ser menos extenso, com menor complexidade, o que reduz custos, proporciona melhores resultados e maior estabilidade da correção em longo prazo”, ressalta Carla Derech.
Intervenções precoces evitam extrações ou até mesmo cirurgias complexas quando atingem a fase adulta. Fazendo a correção da mordida cruzada e controlam hábitos prejudiciais comuns como chupar o dedo.

É na infância que se inicia os primeiros cuidados com a saúde bucal. E o odontopediatra tem um papel fundamental nesta fase. Desde o início do nascimento do primeiro dente, que ter o acompanhamento de um dentista infantil, ajuda a evitar que a criança desenvolva cáries, evitar traumas e constrói um sorriso saudável para o futuro. Além de orientais os pais e/ou responsáveis sobre a alimentação, cuidados com a higiene bucal, como também acompanhar o crescimento da arcada dentária.
A partir do primeiro atendimento, o recomendado é fazer o acompanhamento a cada seis meses ou de acordo com as orientações do profissional. “Nessa fase já é possível identificar alterações no desenvolvimento dos maxilares, problemas de mordida e hábitos que podem interferir no crescimento facial. Quanto mais cedo essas condições forem diagnosticadas, maiores são as chances de uma intervenção simples e eficaz”, explica a dentista Luísa Elita.
Durante esta fase, os ossos da face ainda estão em desenvolvimento, e os aparelhos ortopédicos (aparelhos móveis) tem atuação direta nos ossos. A longo prazo, isso gera vários benefícios, como:
- Noites tranquilas e respiração livre: Corrigir desvios na mordida ajuda a amenizar dificuldades respiratórias crônicas, garantindo um sono de muito mais qualidade para a criança.
- Proteção contra acidentes: Dentes excessivamente projetados para a frente ficam mais vulneráveis. O alinhamento reduz significativamente o risco de fraturas e quebras durante quedas ou brincadeiras cotidianas.
- Melhora na fala e na mastigação: O posicionamento correto dos dentes favorece o desenvolvimento saudável dos músculos faciais e da articulação temporomandibular (ATM).
- Fortalecimento da autoestima: Ajustes estruturais precoces evitam episódios de bullying e minimizam o impacto emocional negativo causado por desalinhamentos severos.
A organização mundial da saúde recomenda que a primeira avaliação no dentista seja feita logo após a troca dos dentes de leite pelos permanentes. Na maioria das vezes, a criança não precisa usar o aparelho logo de imediato, no entanto, o acompanhamento é necessário para que o profissional avalie e veja qual melhor momento de começar a agir.

Sinais de alerta: o que os pais devem observar em casa
Muitas vezes, os problemas ortodônticos dão sinais sutis no dia a dia. A especialista aponta alguns sintomas e comportamentos que exigem atenção redobrada dos responsáveis:
- Dentes muito apinhados ou excessivamente tortos;
- Mordida cruzada ou mordida aberta;
- Dificuldade para mastigar alimentos;
- Respiração constante pela boca e ronco frequente durante o sono;
- Uso prolongado de chupeta ou mamadeira após os 3 anos de idade.
Como preparar seu filho para ir ao dentista?
A experiência no consultório começa em casa. Você pode ajudar a tornar esse momento tranquilo com alguns passos simples:
- Mantenha o diálogo positivo: Explique que o dentista é um profissional amigo que cuida da saúde do sorriso. Evite usar termos que geram medo, como “dor”, “injeção” ou “motorzinho”.
- Use recursos lúdicos: Leia livrinhos ou assista a desenhos animados que mostram personagens indo ao dentista de maneira divertida.
- Brinque de dentista: Simule uma consulta em casa com os brinquedos da criança, incentivando-a a abrir a boca para que você dê uma “olhadinha” de brincadeira.
- Escolha horários estratégicos: Evite agendar a consulta em horários em que a criança costuma dormir ou comer, pois o cansaço e a fome aumentam a irritabilidade.
Seja o exemplo: Mostre que ir ao dentista é algo normal e saudável. Compartilhe suas próprias experiências de forma leve e natural, isso ajuda muito a criança a perder o receio do dentista e se sentir mais segura.
O perigo silencioso da respiração bucal
Um dos problemas mais comuns e negligenciados é a respiração bucal. Dormir ou passar o dia respirando pela boca pode afetar profundamente a qualidade de vida e a saúde geral da criança.
O hábito está diretamente associado a distúrbios do sono, como a apneia, gerando noites mal dormidas, cansaço diurno, irritabilidade e até mesmo queda no rendimento escolar por falta de atenção.
“Muitas pessoas não sabem, mas respirar pela boca pode influenciar o crescimento dos ossos da face, favorecer alterações na mordida e até prejudicar o sono e o rendimento escolar. Por isso, a avaliação precoce é tão importante”, destaca Luísa Elita.

Prevenir não significa necessariamente usar aparelho
Uma das principais dúvidas dos pais é o medo de que a consulta resulte na colocação imediata de aparelhos complexos em crianças muito novas. No entanto, a especialista tranquiliza: o foco da ortodontia preventiva é o monitoramento.
A intervenção precoce serve para direcionar o crescimento ósseo da face de forma natural. Em muitos casos, pequenas correções de hábitos ou o uso de aparelhos simples e ortopédicos no momento correto evitam cirurgias ortognáticas ou extrações de dentes no futuro.
A correção precoce traz um equilíbrio que vai muito além da estética do sorriso, promovendo benefícios vitais:
- Mastigação eficiente e melhor digestão;
- Desenvolvimento correto da fala;
- Respiração nasal adequada;
- Equilíbrio e harmonia funcional da face.
Ao final, o Julho Laranja consolida-se como um lembrete indispensável de que cuidar da saúde bucal infantil é um investimento para a vida toda.
“Assim como os pais acompanham o crescimento e a saúde geral dos filhos, o desenvolvimento da arcada dentária e da face também merece atenção. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados para garantir saúde bucal e qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui a especialista.
Fonte: CFO






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