No Dia do Amigo, neurocientista alerta que curtidas não substituem o olho no olho e explica como a falta de interações reais adoece o cérebro
Por Redação
Campina Grande, PB – 17/07/2026
No próximo dia 20 de julho é celebrado o Dia do Amigo, mas o cenário atual convida mais à reflexão do que à comemoração irrestrita. Um fenômeno paradoxal tem chamado a atenção de especialistas: pessoas com centenas ou milhares de seguidores nas redes sociais estão se sentindo cada vez mais isoladas. O alerta vem do neurocientista e hipnoterapeuta Renê Skaraboto, da Clínica Hipnose para Todos, que chama a atenção para o aumento de quadros de ansiedade, estresse e depressão decorrentes da substituição do convívio presencial pelas interações virtuais, afetando especialmente jovens e adultos.
O problema já ultrapassou a esfera do comportamento e se tornou um caso de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a solidão e o isolamento social são fatores de risco graves para o adoecimento físico e mental. Pesquisas nacionais e internacionais comprovam que, enquanto vínculos sociais fortes protegem contra transtornos emocionais, doenças cardiovasculares e o declínio cognitivo, o uso intenso de telas tem o efeito inverso, ampliando a sensação de solidão crônica.
Isso acontece devido as intensas trocas de conexão por interações superficiais, trazendo como resultado momentos de solidão, sensação de vazio e desconexão com a realidade, de não se sentir pertencente a algo. Segundo a classificação da OMS, isso na sociedade contemporânea é visto como uma epidemia devastadora.
Ao contrário do isolamento físico (solitude), a solidão é uma condição interna que se define pela discrepância entre as conexões sociais que os indivíduos possuem, deseja ou necessita. Este resultado advém dos avanços tecnológicos e a intensa rotina hiperconectada vivenciada pelas pessoas.
“Estamos numa era em que tudo acontece rápido. As conexões são instantâneas, mas efêmeras. Falta profundidade nos vínculos”, explicou a psicóloga Ana Paula Medeiros, doutoranda pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, ao falar sobre o excesso de conectividade, que, segundo ela está longe de criar laços duradouros, e tem promovido relações cada vez mais superficiais.

A psicóloga complementa dizendo que “Nas redes sociais, as pessoas acabam se comparando o tempo todo. Isso favorece a inferiorização, principalmente entre os jovens, que estão em fase de construção da autoestima”, afirma.
De acordo com evidências, a tecnologia embora traga inúmeras facilidades, com muita frequência acaba substituindo o vínculo entre as pessoas, tornando as conexões superficiais e assíncronas.
Segundo estudos, a solidão traz inúmeros impactos à saúde de formas multidimensionais. A solidão crônica tem uma letalidade tanto quanto fumar 15 cigarros por dia, o que aumenta em 26% as chances de ocorrer uma morte prematura. Isso gera também impactos na economia, gerando custos bilionários à saúde, como também a produtividade do indivíduo. Jovens entre 15 e 29 e pessoas de mais idade estão entre os mais afetados pela solidão.
“Há uma ilusão de que estamos mais conectados, mas, na verdade, há menos contato humano real. Isso mina o desenvolvimento emocional e a estabilidade social dos jovens”, relatou o professor Marco Antônio de Almeida, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.
Como forma de reduzir a solidão, o professor complementa: “Reduzir o tempo de uso das redes, valorizar atividades coletivas, investir em cultura, em arte e em práticas que promovam vínculos reais. O combate à solidão é também um esforço coletivo”, afirma.
“É fundamental criar espaços de escuta e acolhimento. A juventude precisa se sentir pertencente a algo, não apenas conectada”, afirma. Ela também destaca a importância de políticas públicas voltadas à saúde mental, principalmente nas escolas e universidades, onde muitos jovens enfrentam o problema em silêncio, conclui a psicóloga Ana Paula.

Atualmente 5,5 milhões de pessoas no mundo todo estão conectadas à Internet. Somente no WhatsApp mais de 100 milhões de mensagens são processadas por dia. No Instagram possui mais de 2 milhões de contas ativas. No entanto, a sociedade atual vive uma forte crise de solidão. O problema está para além dos números, cada vez mais as pessoas estão perdendo as competências básicas de convívio social. Sobre isso, a ex-primeira dama dos EUA em uma palestra fez o seguinte comentário:
“Hoje eu ando de avião em voos regulares e ninguém me reconhece, porque estão todos olhando para os seus celulares. As novas gerações não veem nada em volta, porque só olham para suas telas e só vivem por meio das redes sociais”. Segundo ela “Nós nunca fomos tão infelizes quanto os jovens são hoje. Eles têm uma expectativa tão grande de felicidade, algo impossível de realizar”, afirmou Michelle Obama.
A Ilusão dos Números
- Agenda esgotada: É inviável nutrir relacionamentos genuínos quando tentamos dividir nossa atenção entre multidões.
- Superficialidade visual: Reações virtuais são instantâneas, mas não substituem o calor humano de uma boa conversa ou do afeto presencial.
- O filtro da inveja: Medir nossa realidade pelas postagens alheias gera a falsa sensação de que estamos ficando para trás.
A anestesia digital
- Fuga da realidade: Aparelhar a mente com telas para evitar momentos de desânimo ou tédio só faz o vazio interno aumentar.
- O medo da vulnerabilidade: Construímos uma imagem impecável na rede para esconder imperfeições, criando um muro que impede as amizades verdadeiras.
O cérebro não aceita substitutos virtuais
De acordo com o neurocientista Renê Skaraboto, a explicação para esse esgotamento emocional está na própria evolução humana. O cérebro foi moldado para conexões reais, que demandam presença física, convivência e confiança.
“Curtidas, comentários e mensagens ajudam a manter contato, mas não substituem o encontro, o abraço, a conversa olho no olho e a sensação de pertencimento. O cérebro responde de maneira muito diferente quando vivencia relações presenciais, liberando substâncias ligadas ao bem-estar, à segurança emocional e à redução do estresse”, explica Skaraboto.

O especialista também aponta para a necessidade de diferenciar “amizade” de “coleguismo”. Enquanto colegas compartilham momentos pontuais ou interesses comuns, amigos compartilham a vida e servem de suporte nos momentos de crise. Para entender a diferença, o neurocientista propõe um teste rápido: “Uma boa reflexão é pensar para quem você ligaria em um momento de dificuldade e quem atenderia imediatamente esse telefonema. Essa resposta normalmente revela quem realmente faz parte da sua rede de apoio emocional”.
O desafio das novas gerações
A preocupação é ainda maior com os adolescentes e jovens adultos. Nativos digitais, muitos acreditam possuir uma rede sólida de amizades baseada apenas em interações de plataformas digitais e comunidades de jogos online.
Embora o ambiente virtual tenha sua relevância, Skaraboto reforça que ele é insuficiente para a maturidade emocional. O cérebro precisa da convivência de carne e osso para desenvolver a empatia e construir uma segurança psicológica genuína.
Desconecte para conectar: O desafio do Dia do Amigo
Como antídoto para a solidão digital, o especialista propõe uma ação prática para este dia 20 de julho: deixar o celular de lado por algumas horas e investir na presença real. Marcar um café, um almoço, uma caminhada ou simplesmente fazer uma ligação para ouvir a voz de alguém querido são passos simples, mas cientificamente eficazes.
“A amizade é um dos maiores fatores de proteção da saúde mental e precisa ser cultivada continuamente. Assim como qualquer relacionamento importante, ela exige presença, tempo e cuidado”, finaliza o neurocientista.

Serviço
- Clínica: Hipnose para Todos
- Especialista: Renê Skaraboto (Neurocientista e Hipnoterapeuta)
- Contato/WhatsApp: (41) 99692-9774
- Instagram: @hipnose_para_todos
- Site: www.clinicahipnoseparatodos.com.br
- Endereço: Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Ed. Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.






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