Com quase 2 mil registros em um ano, setor agropecuário recorre à reestruturação financeira para enfrentar juros altos, quebra de safra e pressão nos custos de produção

Por Redação

Campina Grande, PB – 17/07/2026

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário desafiador que se refletiu diretamente nos tribunais. Em 2025, o setor registrou o recorde histórico de 1.990 pedidos de recuperação judicial (RJ) — uma alta expressiva de 56,4% em relação ao ano anterior, contabilizando 1.272 pedidos, comparando com dados de 2023, haviam sido feitas 534 solicitações, o que evidencia um aceleramento nos últimos anos, segundo dados da Serasa Experian. Pressionados por juros elevados, restrição ao crédito, custos de produção em alta e instabilidades climáticas, produtores e empresas da cadeia agro têm recorrido à legislação de falências e recuperação não mais como um sinal de fim de linha, mas como uma estratégia de sobrevivência e reorganização para proteger a produção, os empregos e a viabilidade do negócio.

Com relação à inadimplência, também houve um aumento significativo. No terceiro trimestre de 2025, 8.3% da população rural se encontrava inadimplente, de acordo com levantamento realizado. O avanço foi de 0.9% ao fazer o comparativo com o percentual atual.

“O agro está passando por um momento delicado com o endividamento do produtor rural, não apenas do produtor, mas também das empresas que atuam no agronegócio. É sempre uma sequência em cadeia, o produtor rural está endividado, a indústria e a fábrica que comercializa insumos acabam sofrendo esse impacto também”, explica Vinícius Cambaúva, professor da Harven Agribusiness School.

Fonte: Foto Divulgação

O endividamento não se dá apenas por um fator, mas por uma série de elementos que acabam pressionando o produtor rural. No entanto, o comportamento cíclico das commodities agrícolas tem contribuído para esse aumento. Além também do aumento do custo do crédito, que tem um custo anual de 14%. As dívidas têm se concentrado principalmente com instituições financeiras. Para esse tipo de crédito, as taxas chegam a 7.3%, enquanto débitos dentro da própria cadeia do agro chegam a taxas quase nulas.

“Em culturas anuais quando o preço está alto, o produtor aumenta rapidamente a área plantada. Isso gera uma oferta maior no mercado e, como consequência, os preços caem. Esse movimento acaba pressionando a rentabilidade e pode levar ao endividamento”, explica Cambaúva.

Mudança de percepção: estratégia em vez de fim de linha

Se no passado a recuperação judicial carregava um forte estigma no meio rural, hoje o cenário mudou. Especialistas apontam que a ferramenta passou a ser vista como um mecanismo técnico e jurídico essencial para a continuidade das operações em momentos de crise sistêmica. O que tem trazido um impacto no aumento dos pedidos de recuperação judicial. 

Para Pedro Siqueira, diretor da PS Consultoria, um diagnóstico financeiro aprofundado e um planejamento consistente permitem que os negócios reorganizem seu passivo sem paralisar as atividades no campo.

“A recuperação judicial não deve ser encarada como o fim de uma empresa, mas como uma oportunidade de reestruturação. Quando existe viabilidade econômica, gestão técnica e um planejamento consistente, é possível reorganizar as finanças, preservar empregos, manter fornecedores, proteger a atividade produtiva e devolver competitividade ao negócio.”

Pedro Siqueira, especialista em reestruturação empresarial.

Panorama do Endividamento no Setor Agropecuário

Liderança Regional: O estado de Mato Grosso encabeça a lista com o maior volume de solicitações do país, acompanhado por Goiás (296) e Paraná (24. Na sequência seguem os estados do Mato Grosso do Sul (216), Minas Gerais (196) e São Paulo (189). O grupo dos dez estados com maior número de solicitações inclui ainda Rio Grande do Sul (159), Santa Catarina (59), Tocantins (55) e Pará (49).

Agricultores e Pecuaristas (Pessoa Física): Chegaram à marca de 853 requerimentos, registrando um salto de 50,7% em comparação ao levantamento anterior.

Empreendimentos Rurais (Pessoa Jurídica): Totalizaram 753 solicitações, demonstrando uma alta expressiva de 84,1%.

Setor de Suporte e Insumos: Revendas e fornecedores ligados ao agronegócio contabilizaram 384 pedidos, o que representa um aumento de 29,3%.

Fonte: Foto Divulgação

O endividamento não tem atingido apenas o produtor, mas também a indústria. Também tem atingido os balanços financeiros dos bancos públicos que fazem empréstimos a pequenos produtores, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O setor de máquinas e equipamentos agrícolas faturou cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e fevereiro, representando uma queda de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”, afirmou o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota.

​Agentes Causadores da Crise Financeira

  • Achatamento dos Lucros: A queda na cotação global dos grãos (com destaque para a soja e o milho) comprometeu severamente o faturamento no campo.
  • Encargo do Endividamento: Os juros altos tornaram o acesso ao crédito mais caro e dificultaram a renegociação de passivos antigos.
  • Descompasso nos Investimentos: Altos aportes financeiros aplicados em tecnologia e ampliação em ciclos anteriores não obtiveram o retorno esperado, devido ao recuo no valor das commodities.

Caso prático: a continuidade das operações no Grupo Prime

Um exemplo recente desse movimento no mercado é o do Grupo Prime, que teve o deferimento do processamento de sua recuperação judicial autorizado pela Justiça. O grupo agora segue operando normalmente enquanto constrói o plano que será apresentado aos credores.

Luiz Eduardo Montans Braga, sócio-fundador e presidente do Grupo Prime, destaca que o processo traz transparência para a readequação da empresa:

Foco no longo prazo: O objetivo é construir uma estrutura financeira saudável para garantir a sustentabilidade futura.

Operação normal: A empresa mantém o atendimento aos clientes e o relacionamento com colaboradores.

Fonte: Foto Divulgação

O advogado Bruno Vaz, responsável pela condução jurídica do caso, reforça que o deferimento é apenas o início do rito legal e não significa o encerramento das atividades ou o perdão das dívidas. “A empresa continua funcionando normalmente, apresenta um plano aos credores e passa a reorganizar seus compromissos financeiros dentro das regras previstas na legislação. O objetivo é preservar a atividade empresarial, os empregos e a capacidade de geração de riqueza”, explica.

Cenário futuro exige planejamento técnico

Com as margens de lucro espremidas em diversas culturas e a persistência da instabilidade climática, a tendência apontada por analistas é de que a busca por reestruturação empresarial continue em alta no setor agropecuário. Diante disso, o suporte jurídico especializado, a análise de viabilidade econômica e o planejamento financeiro rigoroso deixam de ser opcionais e passam a ser os fatores decisivos para o agro atravessar a turbulência sem interromper as operações.

Fonte: G1/Forbes

Serviço – PS Consultoria
Pedro Siqueira
Especialista em reestruturação empresarial e recuperação judicial
(41) 3206-4196 | (41) 99967-7585
@p.s.consult
contato@psconsult.com.br
https://psconsult.com.br/
Rua Visconde de Guarapuava, 2764, Conjunto 311, Centro, Curitiba/PR.

Deixe um comentário

About the Podcast

Welcome to The Houseplant Podcast, your ultimate guide to houseplants! Join us as we explore the wonders and importance of plants in our lives.

Explore the episodes