Campanha nacional ‘Julho Verde’ alerta para tumores silenciosos que afetam a fala, a respiração e a engolição; diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e preserva funções vitais

Por Redação

Campina Grande, PB — 30/07/2026

A campanha nacional Julho Verde chama a atenção de milhares de brasileiros para a conscientização, prevenção e combate ao câncer de cabeça e pescoço. O grupo de tumores atinge estruturas vitais como boca, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face, tireoide e pele do rosto. Instituído mundialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 27 de julho, o movimento reforçou que identificar os sinais logo no início é decisivo para garantir altas taxas de cura e tratamentos menos invasivos.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), milhares de novos casos são diagnosticados anualmente no Brasil. No entanto, um dos maiores desafios no combate a esse tipo de neoplasia é o atraso na busca por auxílio médico especializado. Sintomas iniciais costumam ser ignorados ou confundidos com desconfortos cotidianos e passageiros. “Se uma afta não cicatriza em até 15 dias, se a rouquidão dura mais de três semanas ou se a dor de garganta persiste mesmo após o tratamento adequado, é importante procurar avaliação médica”, afirma a cirurgiã de cabeça e pescoço da Santa Casa de Maceió, Tamires Fraga.

Sinais de alerta que exigem investigação:

  • Rouquidão persistente ou alteração na voz por mais de duas semanas, é muito lembrado principalmente quando acomete a laringe;
  • Dificuldade ou dor ao engolir (disfagia) que começa de forma sutil. Com a sensação de que tem algo preso na garganta e que demora a descer;
  • Feridas na boca que não cicatrizam após 15 dias;
  • Dor de garganta constante sem causa aparente, sendo um sintoma bastante comum em várias doenças benigna, mas que ao retornar e sem melhora já pode ser considerada um problema. No câncer de garganta a dor pode ser constante, localizada de um só lado e fica pior quando engole algo;
  • Nódulos, caroços ou inchaço no pescoço (íngua);
  • Sangramentos nasais frequentes ou obstrução nasal contínua;
  • Tosse persistente que pode ter muitas causas como alergia, asma, refluxo e uso de cigarro. Em alguns casos, vem acompanhada de uma irritação que se dá de modo constante;
  • Perda de peso sem explicação que pode ocorrer devido a diminuição da comida, dificuldades ao engolir, dores ao comer ou interferências da própria doença no corpo;
  • Lesões esbranquiçadas ou avermelhada na região da boca e amígdalas;
  • Engasgos frequentes;
  • Dificuldades para mastigar;
  • Mau hálito que persiste;
  • Dormência na língua;
  • Necessidade constante de “limpar” a língua;
  • Ronco excessivo; 
  • Sensação de “caroço preso” na garganta.

Lembre-se: se notar qualquer um destes sintomas por mais de 14 dias, procure um clínico geral ou um médico especializado em problemas de pescoço e cabeça. Os sintomas do câncer de garganta tem uma semelhança muito grande com problemas comuns, como: refluxo, gripe, amigdalite e irritação causada por esforço repetitivo da voz. Com isso, muitas pessoas acabam se confundindo e demorando a procurar ajuda.

O que mais chama atenção, não são os sintomas em si, mas a persistência, repetição e presença dos sinais associados; como a rouquidão, dificuldades de engolir o que se come ou beber, dores no ouvido e presença de caroço no pescoço. O câncer de cabeça e pescoço, é o 7° câncer que mais mata no mundo, e segue em crescimento no mundo todo; e abrange as regiões como: orofaringe, faringe e laringe, possuem os mesmos sintomas, porém não são iguais. Em 2024, mais de 70 mil pessoas receberam o diagnóstico da doença nos EUA; dessas, mais de 16 mil morreram, de acordo com dados publicados por Jama Network. De forma geral, no ano de 2016, cerca de 1,1 bilhões foram reportados novos casos da doença. 4.1 milhões foram diagnosticados, resultando em 500 mil mortes, segundo dados da PubMed.

Fonte: Imagem de kjpargeter no Magnific

Entenda as diferenças entre os tumores da região do pescoço e como os sintomas dão os primeiros sinais

​Quando ouve a expressão “câncer de garganta”, é natural pensar em uma doença única. Na prática médica, porém, essa é apenas uma forma popular de se referir a diferentes regiões da cabeça e do pescoço. Como cada uma dessas estruturas cumpre uma função específica no nosso corpo — do ato de engolir até a fala —, o local onde o tumor se desenvolve muda completamente a forma como o organismo dá os primeiros avisos. 

Um ponto importante a ser lembrado é que como de costume o corpo sempre dá aviso de que algo não está bem. Quando apresentam feridas na boca que não cicatrizam, dor ou dificuldades para engolir, sangramentos, dores no ouvido que não uma causa aparente e obstrução nasal em apenas um dos lados são alguns dos sintomas que merecem atenção para serem investigados se passar muitos dias sem desaparecer. “Principalmente quando não existe uma explicação clara para eles”, acrescenta a especialista, Tamires Fraga.

Durante muito tempo, o câncer de pescoço e cabeça esteve associado quase de forma exclusiva a homens fumantes, que faziam uso frequente de álcool e a idade avançada. No entanto, esse cenário já não é o mesmo para os pacientes que chegam ao consultório.

​Para compreender melhor esses sinais, vale a pena olhar para a anatomia de forma simples:

  • Faringe: É o canal muscular que funciona como uma verdadeira “autoestrada”, conectando o nariz e a boca ao esôfago e à laringe.
  • ​Orofaringe: Fica bem no meio dessa estrutura, localizada logo atrás da cavidade bucal (incluindo a base da língua e as amígdalas).
  • Laringe: É a caixa anatômica onde ficam as cordas vocais, fundamental para a produção da voz e para proteger nossos pulmões durante a alimentação.

​Garganta: O termo de uso comum que costuma abraçar todas essas regiões de uma só vez.

​Por que a localização do tumor importa tanto?

​A forma como o corpo sinaliza o problema depende do ponto exato afetado. Quando o tumor se instala na laringe, perto das cordas vocais, a mudança na voz costuma ser um alarme precoce: a rouquidão persistente surge logo no início.

​Já nos casos em que a doença afeta a orofaringe, os sinais costumam ser mais sutis ou diferentes. É comum o paciente sentir desconforto ou dor ao engolir, ter a sensação constante de que há algo preso na garganta ou notar o surgimento de um caroço no pescoço (o aumento dos gânglios linfáticos).

​Prestar atenção a essas pequenas mudanças e entender onde elas acontecem é o primeiro passo para buscar um diagnóstico precoce e garantir um tratamento mais assertivo.

O HPV (Papilomavírus Humano), tem sua principal transmissão por contato sexual e tem relação com o câncer de orofaringe (amígdalas e língua). Vale ressaltar que de 60% a 70% dos casos de orofaringe nos EUA e Europa, advém da infecção causada pelo HPV. Além de que, a incidência de um aumento do câncer de orofaringe HPV-positivo que era de 0,8 para cada 100.000 pessoas em 1988 para 2,6 para cada 100.000 em 2004, enquanto a incidência de câncer de orofaringe HPV-negativo houve diminuição de 2,0 para 1,0 por 100.000 pessoas no mesmo período, conforme o JAMA Network. Além do HPV, consumo de álcool e cigarro podem contribuir para a incidência da enfermidade.

“Hoje vemos um crescimento dos casos em pacientes mais jovens, que muitas vezes nunca fumaram. Isso mostra que não podemos mais tratar essa doença como exclusiva de fumantes ou idosos”, destaca Tamires Fraga.

Em 2020, houveram 98,4 mil novos casos da doença, segundo a A.C. Camargo Cancer Center. A projeção é de que em 2040, haja 145 mil novos casos. Muitas pessoas que contraem o HPV, conseguem eliminar de forma natural o vírus, quem não consegue, permanecem por anos com a infecção que posteriormente pode se tornar um tumor. 

“Quanto menor o tumor no momento do diagnóstico, maior a possibilidade de tratamentos que preservem os órgãos e suas funções. Nos casos mais avançados, muitas vezes são necessárias cirurgias maiores ou tratamentos mais intensos, que podem trazer impactos importantes na fala, na deglutição e até na respiração”, explica a médica. 

Fonte: Imagem de stefamerpik no Magnific

O perigo de negligenciar os sintomas

De acordo com o otorrinolaringologista Rubens Huber, especialista da clínica Otorrino Rio Preto, a desinformação faz com que muitos pacientes cheguem aos consultórios em estágios avançados da doença.

“É muito comum o paciente acreditar que uma rouquidão ou dor de garganta persistente seja apenas consequência de uma gripe mal curada ou do uso excessivo da voz. Porém, se os sintomas permanecem por mais de 14 dias — especialmente em pessoas que fumam ou consomem bebidas alcoólicas regularmente —, a avaliação médica torna-se indispensável”, alerta o médico.

Fatores de risco e caminhos para a prevenção

Os principais fatores associados ao desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço são o tabagismo e o consumo excessivo de álcool — hábitos que, quando combinados, multiplicam o risco de adoecimento. Além disso, a infecção pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano) tem se destacado na manifestação de tumores de orofaringe, enquanto a exposição solar desprotegida é o principal agente causador do câncer de pele na região facial.

A prevenção e o cuidado contínuo envolvem atitudes práticas do dia a dia:

  • Abandono completo do cigarro e produtos de tabaco;
  • Moderar ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Vacinação contra o HPV conforme as orientações do Ministério da Saúde;
  • Uso diário de protetor solar na face, lábios e pescoço;
  • Cuidado diário com o sorriso: manter uma higiene bucal rigorosa vai muito além de ter um sorriso bonito — previne infecções e alterações nos tecidos da boca;
  • Atenção à exposição ao sol: ao passar longos períodos sob a luz solar, não se esqueça de proteger os lábios com protetores solares específicos e usar chapéu para resguardar o rosto e a cabeça;
  • ​Acompanhamento profissional contínuo: consultas de rotina com médicos e dentistas ajudam a identificar qualquer alteração bem no início, quando as chances de tratamento são muito maiores;
  • ​Corpo e mente em movimento: priorizar pratos coloridos e nutritivos na alimentação e manter o corpo ativo com exercícios regulares fortalece a imunidade e traz mais vitalidade para a rotina;
  • Manutenção de consultas médicas e odontológicas periódicas.

Diagnóstico precoce preserva a qualidade de vida

O grande objetivo do Julho Verde é mostrar que o câncer de cabeça e pescoço tem tratamento e pode alcançar elevadas taxas de cura quando identificado na fase inicial.

“Quando diagnosticamos a lesão no início, não apenas aumentamos drasticamente as chances de cura, mas também conseguimos preservar funções nobres do organismo, como a capacidade de falar, respirar e engolir com conforto. Isso devolve dignidade e qualidade de vida ao paciente”, conclui o Dr. Rubens Huber.

O diagnóstico inicialmente é realizado por uma avaliação clínica e exames físicos, que envolvem a região da boca, garganta, pescoço e vias aéreas superiores. Dependendo dos sintomas, pode ser pedido exames complementares como endoscopia, exames de imagem e biópsia (que constata se o nódulo é benigno ou maligno).

Fonte: Imagem de gpointstudio no Magnific

Como funciona o cuidado e o tratamento?

​Cada diagnóstico carrega uma história única. Por isso, a escolha do caminho terapêutico é totalmente individualizada, levando em consideração o tipo e a localização do tumor, o estágio da doença e, acima de tudo, as condições de saúde e as necessidades de cada paciente.

​A medicina atual oferece um leque amplo de abordagens que podem ser usadas de forma isolada ou integrada:

  • Procedimentos cirúrgicos: voltados para a remoção do tumor e a contenção do avanço da doença.
  • ​Radioterapia e Quimioterapia: tratamentos tradicionais que atuam combatendo as células doentes.
  • Imunoterapia: uma das inovações mais promissoras da oncologia, que estimula o próprio sistema de defesa do corpo a reconhecer e combater a enfermidade.
  • Terapias combinadas: a união de diferentes métodos para potencializar os resultados de forma estratégica.
  • ​Acompanhamento multidisciplinar: o suporte contínuo de médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, garantindo qualidade de vida, reabilitação e acolhimento em todas as etapas da jornada

Sobre a Otorrino Rio Preto

A Otorrino Rio Preto oferece cuidado completo para a saúde auditiva, respiratória e vocal, com foco em diagnósticos precisos e tratamentos personalizados. Unindo tecnologia, experiência e acolhimento, a clínica reúne um corpo clínico altamente qualificado para atender pacientes de todas as idades, com humanização e atenção integral.

O corpo clínico é formado pelos otorrinolaringologistas:

  • Dr. Adriano Reis (cirurgia de ouvido, reabilitação auditiva e implante coclear – @dradrianoreis)
  • Dr. Maury de Oliveira Faria Jr. (distúrbios de equilíbrio, zumbido e cirurgias de adenoide e amígdala – @dr.mauryfaria)
  • Dr. Rubens Huber (cirurgias da laringe e voz, tratamento do ronco, apneia e sinusite – @drrubenshuber)
  • Dr. Rael Lucas Matimoto (rinoplastia, mentoplastia, lifting facial e procedimentos estéticos – @dr.raelmatimoto)

Endereço: Rua Cila, nº 3158 – Bairro Redentora, São José do Rio Preto (SP)

Informações: www.otorrinoriopreto.com.br | @otorrinoriopreto

Fonte: Santa Casa de Misericórdia de Maceió/Instituto Vencer o Câncer

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