No Dia Mundial dos Psitacídeos, especialistas alertam que o manejo incorreto da ave mais popular do Brasil pode encurtar sua expectativa de vida, que chega a 25 anos
No próximo dia 31 de maio, celebra-se o Dia Mundial dos Psitacídeos, uma data criada para conscientizar a população sobre a preservação e os cuidados com aves como papagaios, araras e, a mais popular delas nos lares brasileiros, a calopsita. Embora a espécie tenha se adaptado perfeitamente ao ambiente doméstico, médicos-veterinários alertam que esses animais não devem ser tratados como “pets simples”. Erros na alimentação, falta de estímulo mental e a ausência de consultas preventivas são as principais causas de atendimento clínico e podem comprometer severamente a saúde da ave a longo prazo.
De acordo com a médica-veterinária Dra. Raíssa Natali, especialista em pets não-convencionais do Hospital Veterinário Taquaral (HVT), em Campinas (SP), o grande diferencial da espécie é o seu comportamento social. “São aves que criam vínculo, interagem e dependem da presença do tutor no dia a dia”, explica a especialista. Por serem animais extremamente dependentes de atenção, o isolamento prolongado pode desencadear quadros severos de estresse e depressão.

Dra. Raíssa Natali, especializada em pets não-convencionais do Hospital Veterinário Taquaral, com calopsita
Ainda de acordo com a médica-veterinária, “São aves extremamente sociais, que criam vínculos com os tutores e precisam de interação frequente. Quando passam muito tempo isoladas, podem desenvolver sinais de estresse e alterações comportamentais”, explica.
As calopsitas são animais que convivem muito bem em bandos, e são bastante sociáveis. Esta espécie não serve apenas para serem cantores, exigem cuidados intensos com seus tutores, como: rotina de sono de 10 a 12 horas de sono escuro/silencioso, uma dieta baseada em ração extrusada, ambiente enriquecido e consultas regulares com um médico veterinário que seja especialista em aves.
Ter estes cuidados com a ave, é essencial, pois na natureza eles seguem seu relógio biológico. No ambiente doméstico, precisam seguir uma rotina diferenciada. No caso do horário de sono, precisam seguir bem, e em momentos de interrupções, pode acabar causando estresse, queda da imunidade e muita irritabilidade.

Uma boa rotina ajuda na prevenção de distúrbios, isso porque a falta de interação no dia a dia, pode ocorrer do animal desenvolver um comportamento disruptivo como gritos excessivos, apatia e automutilação (arrancar as próprias penas).
A calopsita se comunica de diferentes formas, o canto é uma delas. Quanto a sua expectativa de vida, com os devidos cuidados podem chegar a 25 anos.
O espaço ideal e o estímulo mental
O bem-estar do animal começa na estrutura física oferecida em casa. A orientação profissional é que a gaiola seja espaçosa o suficiente para que a ave consiga abrir as asas completamente sem tocar nas grades. O tutor deve posicionar o viveiro em local iluminado, protegido de correntes de ar frias e, obrigatoriamente, longe da cozinha — onde os gases de panelas antiaderentes, por exemplo, podem ser altamente tóxicos.
“A gaiola precisa permitir movimentação adequada, abertura completa das asas e enriquecimento ambiental. Poleiros naturais, cordas e brinquedos ajudam no bem-estar, mas esses itens devem ser alternados periodicamente para evitar desinteresse”, orienta Raissa.

As calopsitas são aves que criam vínculo, interagem e dependem da presença do tutor no dia a dia
Momentos fora da gaiola são essenciais para o gasto de energia, desde que monitorados de perto para evitar acidentes domésticos. Para manter a calopsita ativa, a Dra. Raíssa recomenda o uso de:
- Poleiros naturais de diferentes diâmetros (que ajudam na saúde das patas), além disso, é preciso higienizar bem o local para evitar a proliferação de fungos e bactérias. Isso porque aves costumam esconder sintomas de doenças, e qualquer alteração merece atenção imediata;
- Cordas e brinquedos para manipulação, ambientes pequenos limitam a movimentação do animal. E brinquedos naturais são ótimos para manter o estímulo no animal e evitar o tédio;
- Rodízio periódico dos objetos, evitando o desinteresse do animal.
Alimentação: O mito do mix de sementes
Um dos erros mais comuns e perigosos no manejo das calopsitas reside no comedouro. Ao contrário do que dita a cultura popular, a dieta desses animais não deve ser baseada exclusivamente em sementes (como o girassol), que são ricas em gordura e pobres em nutrientes. Seguir a dieta com base nisso, pode acarretar em desequilíbrio nutricional ao longo do tempo.
“A base alimentar deve ser composta principalmente por ração extrusada, que oferece equilíbrio nutricional mais adequado. Verduras e legumes podem fazer parte da rotina alimentar, enquanto frutas devem ser oferecidas com moderação. As sementes devem funcionar apenas como petisco”, afirma.

Assim como há restrições para cães, alimentos como: chocolate, Abacate, cebola, industrializados e comidas temperadas, são contraindicadas.
A dieta equilibrada:
- 60% a 80%: Ração extrusada específica para psitacídeos.
- Frequente: Legumes e verduras escuras.
- Moderado: Frutas (oferecidas apenas como petisco em poucos dias da semana).
- Proibido: Abacate, chocolate, cafeína, alimentos industrializados, alho e cebola são altamente tóxicos.
A veterinária ressalta que a maioria das doenças hepáticas e nutricionais diagnosticadas na clínica decorre justamente dessa desnutrição crônica causada por dietas erradas. “Quando os sintomas ficam muito evidentes, muitas vezes o quadro já está avançado. Por isso, consultas preventivas são essenciais mesmo quando a ave aparenta estar saudável”, destaca Raissa Natali.
Sinais de alerta e longevidade
As calopsitas possuem o instinto de esconder sinais de fraqueza para não se tornarem presas fáceis na natureza. Por isso, quando o tutor nota que algo está errado, a doença geralmente já está avançada. A observação diária deve focar em alterações como:
- Apatia e isolamento no fundo da gaiola;
- Penas eriçadas constantemente e perda de peso;
- Dificuldade para respirar ou fezes com aspecto e coloração fora do comum.
A recomendação do Hospital Veterinário Taquaral é realizar consultas preventivas anuais para a realização de exames de rotina. Vale lembrar que adquirir uma calopsita é um compromisso de longo prazo: a espécie é considerada exótica doméstica (com comercialização permitida por criadores regularizados) e pode viver por mais de duas décadas.

Hospital Veterinário Taquaral





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