Levando evidências ao Congresso, pesquisa da ANEC revela que gestão acadêmica e projeto pedagógico pesam mais do que a modalidade de ensino, destacando o desempenho superior de instituições confessionais no ENADE

Por Redação 

Campina Grande, PB – 28/07/2026

Às vésperas de uma importante audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados — promovida para discutir os impactos das novas regras para a formação docente —, a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC) traz à tona um estudo inédito que promete mudar os rumos do debate. Elaborado em parceria com o Instituto de Pesquisas do Grupo Crátilo (IPGC) a partir dos dados do ENADE e ENAMED 2025, o levantamento comprova que a qualidade do ensino superior não depende exclusivamente do formato presencial ou a distância, mas sim de fatores como consistência pedagógica, gestão acadêmica e acompanhamento contínuo.

Fatores organizacionais acima da modalidade

A análise detalhada dos indicadores mostra que o desempenho das faculdades e universidades está diretamente atrelado à maturidade institucional. Elementos como a clareza do projeto pedagógico, a melhoria contínua dos processos e o monitoramento constante de indicadores revelaram-se decisivos para o êxito dos alunos, independentemente da modalidade em que estudam.

Os dados mostram um contraste marcante quando observados por categoria administrativa:

  • Instituições Católicas: Alcançaram 78,5% de cursos de licenciatura com desempenho satisfatório (conceitos de 3 a 5 no ENADE).
  • Rede Pública: Registrou 69,2% de desempenho satisfatório.
  • Comunitárias e Confessionais (geral): Atingiram 68,9%.
  • Instituições Privadas: Obtiveram os menores índices, com 44,5% (com fins lucrativos) e 43,3%  (sem fins lucrativos).

O papel central do professor no rendimento do estudante

  • O principal motor interno da escola: Responde por cerca de 60% da aprendizagem no ensino fundamental.
  • Mais decisivo que a estrutura física: Tem maior relevância do que aspectos como tamanho das salas ou recursos materiais. 
Fonte: Reprodução/Magnific

​Competências determinantes para o impacto em sala:

  • Conhecimento técnico: Domínio consistente dos conteúdos lecionados.
  • ​Habilidade pedagógica: Didática eficaz aliada à boa gestão de turma.
  • ​Vivência presencial na formação: Formações com prática em campo garantem níveis mais altos de proficiência dos alunos em relação a cursos EAD.

O divisor de águas no Ensino a Distância (EaD)

O estudo lança uma luz importante sobre o debate do EaD, modalidade que enfrenta forte escrutínio regulatório. De acordo com o levantamento, a qualidade do ensino a distância varia de forma drástica dependendo do modelo da instituição.

Enquanto as instituições comunitárias e confessionais registraram 70,1% de concluintes em cursos de EaD considerados satisfatórios, os grandes grupos educacionais privados obtiveram apenas 7,4%. A discrepância reforça a tese dos pesquisadores de que generalizar o EaD como ineficaz é um equívoco técnico; o fator determinante é a estrutura acadêmica oferecida.

Debate estratégico na Câmara dos Deputados

A apresentação oficial dos dados ao Poder Público ocorreu nesta quarta-feira, 8 de julho, conduzida pela professora Roberta Guedes, gerente da Câmara de Ensino Superior da ANEC. A audiência tem como pano de fundo discussões cruciais, como a proposta de extinção da Licenciatura via EaD contida no Decreto nº 12.456/2025 e na Resolução CNE nº 4/2024.

Para a diretora-presidente da ANEC, Irmã Iraní Rupolo, levar o levantamento ao Congresso Nacional é essencial para garantir decisões embasadas em dados concretos:

 “A formação de professores é estratégica para o desenvolvimento do Brasil e precisa ser debatida com responsabilidade e baseada em evidências. Nosso objetivo é contribuir para esse diálogo, oferecendo dados que ajudem a compreender os fatores que realmente influenciam a qualidade da formação docente e apoiem a construção de políticas públicas cada vez mais qualificadas.”

Com uma rede que abrange mais de 1,5 milhão de alunos e presença em 900 municípios brasileiros — incluindo 79 instituições de ensino superior —, a ANEC busca assegurar que a reestruturação da formação inicial de professores no Brasil preserve a excelência acadêmica sem fechar portas para inovações metodológicas bem geridas.

Deixe um comentário