A dermatologista Dra. Tainah de Almeida explica alterações que podem surgir durante quimioterapia e radioterapia e orienta cuidados durante o tratamento

Por Redação

Campina Grande, PB – 30/10/2026

Com a chegada do mês de outubro, marcada pelo Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, a atenção também se volta aos impactos da quimioterapia e radioterapia na pele, nos cabelos e nas unhas, tornando o tratamento dermatológico um aliado ao longo dessa jornada. Pouco comum entre homens, o câncer de mama é a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres no mundo todo.

Durante o tratamento de câncer de mama, o uso de quimioterapia, radioterapia e cirurgias, podem causar diversos efeitos colaterais na pele, nos cabelos e nas unhas, trazendo impactos tanto no físico como na autoestima.

Alguns tipos de drogas quimioterápicas causam hiperpigmentação ou manchas em tons acastanhados na pele e nas unhas. Além disso, a pele fica bastante sensível ao sol, e o sistema imunológico também fica comprometido, o que aumenta os riscos de infecções bacterianas ou fúngicas.

Na radioterapia, os efeitos colaterais são as chamadas radiodermite, que é uma reação cutânea, que varia entre uma simples vermelhidão e descamação seca até feridas abertas e ulcerações graves, com episódios de sangramentos dependendo da dose recebida e sensibilidade do paciente. Embora as formas mais graves de radiodermite sejam cada vez mais raras graças aos avanços tecnológicos, é fundamental seguir com cuidados as indicações médicas para evitar possíveis complicações.

Cada organismo responde de uma forma diferente a quimioterapia, no entanto, ela pode provocar efeitos colaterais na pele que vão além da queda de cabelo, como ressecamento severo, coceira, e enfraquecimento das unhas e ações.

De acordo com a Revista Brasileira de Cancerologia, até 85% dos pacientes podem experimentar alguma forma de alteração dermatológica, sendo elas agudas ou crônicas e em diferentes graus, incluindo descamação da pele, ulcerações, fibroses e necrose dos tecidos.

“As alterações dermatológicas durante o tratamento do câncer podem se manifestar de diferentes formas e intensidade. Por isso, é importante que a paciente não encare essas mudanças como algo que precise suportar, mas que comunique à equipe médica qualquer sinal de desconforto. É importante haver um acompanhamento multidisciplinar, que assim, será possível adotar medidas para proteger a pele, os cabelos e as unhas com maior eficácia e contribuir para conforto e qualidade de vida durante o tratamento”, explica a Dra. Tainah de Almeida, dermatologista.

Principais alterações na pele, nos cabelos e nas unhas

  • Pele: Durante o tratamento contra o câncer, a pele pode ficar mais ressecada, sensível e propensa à coceira, vermelhidão e descamação. Também podem ocorrer mudanças na pigmentação. No caso da radioterapia, podem surgir reações específicas na região que recebe a radiação.
  • Cabelos: A queda de cabelo, conhecida como alopecia, é um dos possíveis efeitos da quimioterapia. Dependendo dos medicamentos utilizados, outros pelos do corpo também podem ser afetados.
  • Unhas: Os tratamentos oncológicos podem deixar as unhas mais frágeis e quebradiças, além de provocar mudanças na coloração e o aparecimento de sulcos ou irregularidades na superfície.
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Cuidados essenciais durante o tratamento

  • Mantenha a pele hidratada: O uso de cremes hidratantes e emolientes adequados para peles sensíveis pode ajudar a reduzir o ressecamento e o desconforto. A escolha dos produtos deve considerar as orientações da equipe de saúde.
  • Reforce a proteção solar: A exposição ao sol exige atenção redobrada durante o tratamento oncológico. O uso de protetor solar adequado, roupas protetoras e a busca por locais com sombra ajudam a proteger a pele, que pode estar mais sensível.
  • Priorize uma higiene delicada: Dê preferência a produtos suaves, que não provoquem irritação. Evite esfoliantes e substâncias agressivas, especialmente quando a pele estiver sensibilizada.
  • Tenha cuidado com as unhas: Mantenha as mãos e as unhas limpas e secas. Evite retirar as cutículas ou realizar procedimentos que possam causar ferimentos, pois essas práticas podem aumentar o risco de infecções.
  • Comunique qualquer alteração à equipe de saúde: Sintomas persistentes, dores, vermelhidão intensa ou mudanças na pele, nos cabelos e nas unhas devem ser informados ao oncologista ou dermatologista responsável. Evite utilizar medicamentos, cosméticos ou realizar procedimentos por conta própria, sem orientação profissional.

Evite produtos que possam irritar a pele

  • Reduza o uso de produtos agressivos: Evite perfumes, produtos à base de álcool, desodorantes com álcool e cosméticos com fragrâncias intensas, que podem provocar irritações e aumentar a sensibilidade da pele.
  • Escolha cosméticos adequados: Dê preferência a produtos dermatologicamente indicados para peles sensíveis, com fórmulas suaves e hipoalergênicas.
  • Tenha cuidado com procedimentos estéticos: Evite tratamentos como peelings e outros procedimentos que possam agredir a pele durante o tratamento oncológico, sem antes consultar a equipe médica.

Fique atenta aos sinais de infecção

  • Observe mudanças na pele: Esteja atenta ao aparecimento de vermelhidão, feridas, coceira intensa ou secreções, que podem indicar irritações ou infecções.
  • Procure orientação médica: Ao perceber qualquer alteração suspeita, comunique imediatamente ao médico responsável pelo acompanhamento.

Cuidados com as unhas

  • Mantenha a higiene: Deixe as unhas sempre limpas e aparadas para reduzir o risco de infecções.
  • Evite retirar as cutículas: Preserve essa proteção natural das unhas, evitando procedimentos que possam provocar pequenos ferimentos.
  • Use luvas de proteção: Ao manusear produtos de limpeza, utilize luvas para evitar o contato direto com substâncias que podem irritar a pele.

Escolha roupas confortáveis

  • Prefira tecidos leves: Dê preferência a roupas folgadas, confortáveis e confeccionadas com tecidos naturais, como o algodão.
  • Evite atritos: Não utilize peças muito apertadas ou que provoquem fricção constante com a pele, especialmente nas regiões mais sensíveis.

Cuidados com o couro cabeludo

  • Mantenha a higiene: Mesmo durante a queda ou ausência dos cabelos, higienize o couro cabeludo com produtos suaves e adequados para peles sensíveis.
  • Proteja-se do sol: Utilize chapéus, lenços ou outros acessórios para proteger o couro cabeludo da exposição solar direta.

Higienização delicada da pele

  • Prefira produtos suaves: Utilize sabonetes neutros, sem fragrâncias e com fórmulas delicadas, para higienizar a pele sem provocar irritações.
  • Evite agressões à pele: Dê preferência a produtos que ajudem a preservar a barreira natural da pele, especialmente durante o tratamento oncológico, quando ela pode ficar mais sensível.

Banho e secagem delicada

  • Evite banhos muito quentes ou prolongados: Prefira água morna e banhos rápidos para evitar o ressecamento e reduzir o risco de irritações na pele.
  • Seque a pele com cuidado: Após o banho, utilize uma toalha macia e faça movimentos suaves, sem esfregar o corpo, para evitar atritos e preservar a sensibilidade da pele.

Hidratação diária

  • Escolha produtos adequados: Utilize cremes ou loções hidratantes sem fragrância e hipoalergênicos, formulados para peles sensíveis, para ajudar a manter a hidratação e reduzir o ressecamento.
  • Mantenha a pele hidratada: Aplique o produto diariamente, preferencialmente após o banho, ou sempre que perceber sinais de ressecamento.
  • Respeite as orientações médicas: Durante o tratamento contra o câncer de mama, consulte a equipe de saúde sobre os produtos mais indicados, especialmente nas áreas que recebem radioterapia.
Créditos: Imagem de magnific

Proteção contra o sol

  • Use protetor solar diariamente: Escolha um produto com fator de proteção solar (FPS) 30 ou superior, inclusive em dias nublados, para ajudar a proteger a pele dos efeitos da radiação ultravioleta.
  • Evite a exposição solar direta: Redobre os cuidados com a pele durante o tratamento oncológico, especialmente nas regiões submetidas à radioterapia, que podem ficar mais sensíveis e suscetíveis a irritações.

Cuidados durante a radioterapia

  • Tenha cautela ao utilizar produtos na pele: Antes de aplicar cremes, pomadas ou outros cosméticos na região irradiada, consulte a equipe de saúde para verificar quais produtos são seguros e adequados durante o tratamento.

Acompanhamento médico é fundamental

  • Siga as orientações dos profissionais de saúde: Mantenha o acompanhamento com a equipe responsável pelo tratamento oncológico e converse com os especialistas sobre os cuidados mais adequados para a pele, as unhas e o couro cabeludo.

A prevenção dessas alterações é importante para minimizar desconfortos e evitar que manifestações cutâneas evoluam para complicações graves. Por isso, o acompanhamento dermatológico durante o tratamento oncológico pode ajudar a identificar precocemente essas mudanças e indicar os cuidados mais adequados para cada paciente.

De forma geral, alguns cuidados podem ajudar a preservar a saúde da pele durante o tratamento oncológico, como utilizar hidratantes potentes com baixo potencial irritação, evitar banhos quentes e aplicar protetor solar regularmente para evitar queimaduras e reduzir os danos causados pela exposição ao sol. Também é importante não utilizar ácidos ou tratamentos caseiros sem orientação médica. As consultas regulares com o oncologista e o dermatologista são fundamentais para acompanhar possíveis alterações e orientar os cuidados mais adequados para cada paciente.

A queda de cabelo é um dos efeitos mais temidos e visíveis do tratamento oncológico. Isso acontece porque os medicamentos quimioterápicos atingem células que se dividem rapidamente, como as presentes no folículo capilar, provocando a perda dos fios, muitas vezes total. Nesses casos, o acompanhamento dermatológico pode auxiliar nos cuidados com o couro cabeludo durante o tratamento, e ajudar a recuperar a saúde capilar assim que o tratamento finalizar e novos fios começarem a nascer.

Entre as recomendações capilares estão: evitar lavar o cabelo e o couro cabeludo com água quente, manter o couro cabeludo hidratado, protegê-lo do sol e escovar o cabelo com delicadeza e reduzir atritos nos fios enfraquecidos. Também é indicado evitar procedimentos químicos ou outras intervenções que possam sensibilizar o couro cabeludo durante esse período.

Uma das alternativas que podem ser utilizadas para reduzir a queda capilar durante a quimioterapia é a touca de resfriamento. A técnica promove o resfriamento do couro cabeludo antes, durante e logo depois da quimioterapia, reduzindo a circulação local e deixando os fios menos suscetíveis à ação dos medicamentos. Isso evita que o cabelo caia em grande quantidade, mas não garante a preservação completa dos fios nem é indicada para todos os casos.

As unhas também podem sofrer alterações ao longo do tratamento. Entre os principais sintomas estão: dor, fragilidade, alteração da pigmentação, redução do crescimento, descolamento, queda das unhas e inflamação local. Para reduzir o risco de traumas, deve-se evitar retirar as cutículas e manipular a região, manter as unhas sempre curtas e limpas, evitar acetona ou produtos irritantes e utilizar luvas de proteção durante atividades que envolvam atrito ou contato com produtos de limpeza.

“Quando falamos sobre os efeitos do tratamento contra o câncer, pensamos imediatamente em manifestações como queda de cabelo, náuseas e fadiga. Mas a pele também pode sofrer alterações importantes”, afirma Fernanda Beltrão, head da Área Médica dos Laboratórios Pierre Fabre no Brasil.

“Durante o tratamento oncológico, alguns cuidados preventivos podem ajudar a preservar a saúde da pele, dos cabelos e das unhas e reduzir o risco de complicações e infecções. Evitar atritos e traumas, limpeza adequada e hidratação são medidas importantes. Quando surgem alterações persistentes ou machucadas, o acompanhamento dermatológico se torna ainda mais importante para avaliar cada caso e indicar a melhor conduta”, explica a Dra. Tainah de Almeida.

O acompanhamento multidisciplinar, aliado à atenção aos sinais apresentados pelo organismo, contribui para que o tratamento seja conduzido de maneira mais individualizada e segura.

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