Poeira, tempo seco e mudanças de temperatura podem intensificar espirros, coceira, coriza e congestão nasal; especialistas orientam sobre os sintomas e cuidados para evitar crises
Por Redação
Campina Grande, PB – 09/10/2026
A chegada da primavera marca uma mudança gradual nas condições de temperatura, umidade e regime de chuvas. Em São José do Rio Preto, onde períodos de tempo seco e variações de temperatura fazem parte da rotina, essas mudanças podem ser percebidas também pelo nariz e pelas vias respiratórias, principalmente por pessoas que já apresentam rinite, sinusite ou maior sensibilidade a agentes ambientais.
A primavera é uma época de clima agradável, dias mais longos e jardins floridos. Mais traz também muitas alergias que são muito frequentes nesta época do ano, como:
- Rinite alérgica;
- Conjuntivite alérgica;
- Asma;
- Alergias a pele.
A rinite alérgica costuma ser mais intensa entre os meses de setembro a dezembro, período que inicia a primavera e o verão. Nesta época do ano, o ar fica mais cheio de pólen, até 10 vezes mais só que nas demais estações do ano, isso porque nesta época as árvores, gramíneas e plantas ornamentais soltam grandes quantidades de pólen para se reproduzir, por serem leves, os grãos viajam por quilômetros de distância. Entrando em janelas, grudando em roupas, cabelos e pêlos de animais. Em casa, boa parte da exposição aos alérgenos pode ser controlada com medidas simples e baratas.
Nesse período, poeira, poluição, partículas em suspensão, ácaros e, em algumas pessoas, pólens podem funcionar como gatilhos para sintomas nasais. Espirros em sequência, coceira no nariz, coriza e congestão são manifestações frequentes da rinite alérgica. A alergia a pólens, por exemplo, tende a aparecer principalmente na primavera e pode ser acompanhada de sintomas nos olhos, como coceira, vermelhidão e lacrimejamento. O clima também pesa. Dias secos e o vento acaba espalhando mais partículas, e a baixa umidade faz com que as vias aéreas fiquem ressecadas.
“A polinose no Sul do país é um agravante para as doenças respiratórias”, explica o médico Flávio Massao Mizoguchi, do Centro de Rinite do Hospital IPO. “As manhãs mais secas da primavera são as piores para quem sofre de rinite, sinusite e asma, porque é quando há mais pólen espalhado pelo ar”.
Além da polinose, cerca de 30% dos brasileiros possuem algum tipo de alergia, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as doenças respiratórias crônicas com mais incidências entre as enfermidades, atinge até 25% da população em todo o mundo — e está entre as 10 razões mais frequentes de atendimento primário à saúde.
“O cheiro pode indicar excesso de umidade e crescimento de fungos em locais escondidos, como atrás de móveis, dentro de armários, forros, paredes ou aparelhos de ar-condicionado. Uma pista importante é perceber se os sintomas pioram em determinado cômodo e melhoram quando a pessoa sai do ambiente”, alerta a otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla.
No Sul do Brasil, por exemplo, os meses de outubro a dezembro concentram os picos de crise devido a polinização de gramíneas como o azevém, e este quadro é mais conhecido como polinose. “Os tipos de pólen que mais dão alergia são as gramíneas, ciprestes e pinheiros. Dentre eles, a gramínea azevém é o principal agente causador da polinose no Brasil”, explica a especialista. Ainda que esses pólens possam aparecer em qualquer lugar do Brasil, a frequência é muito maior nos estados da região Sul, bem como em cidades serranas, como Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG). Os principais sintomas são marcados por:
- Crises que voltam todos os anos na mesma estação;
- Coceira forte no nariz, no céu da boca e nos olhos;
- Coriza clara e aquosa, sem febre;
- Piora em dias de vento ou depois de passeios em áreas verdes;
- Sintomas que duram semanas, e não apenas 5 a 7 dias como uma virose.
Essas condições estimulam reações do sistema imunológico, além de ressecar a mucosa, provocando congestão nasal e trazendo comprometimento para a drenagem dos seios do rosto. Para o otorrinolaringologista Rubens Huber, da Otorrino Rio Preto, é importante observar o padrão dos sintomas para diferenciar uma crise alérgica de outros problemas respiratórios.
“Na primavera, algumas pessoas podem perceber uma piora dos sintomas nasais, principalmente quando há exposição a poeira, mudanças de temperatura e outros agentes que funcionam como gatilhos. Na rinite alérgica, são comuns espirros, coceira no nariz, coriza e obstrução nasal. Já a sinusite pode apresentar sintomas diferentes, como pressão ou dor na face, secreção nasal e alteração do olfato. Por isso, é importante observar o conjunto de sinais e não tratar todo nariz entupido como sinusite”, afirma Rubens Huber.

De acordo com otorrinolaringologistas, a ação mais indicada é realizar a lavagem nasal com soro fisiológico para pessoas que possuem alergia respiratória. Na rinite alérgica, os sintomas costumam estar relacionados à exposição a determinados agentes e podem incluir espirros, coriza, coceira e obstrução nasal.
Já quadros de rinossinusite podem apresentar outros sinais, como pressão ou dor na região da face, alteração do olfato e secreção nasal, dependendo da causa e da evolução do quadro. Em pessoas com predisposição, ao ter contato com essas partículas, o sistema imunológico vê como ameaça e libera histamina, substância que faz com que haja o inchaço da mucosa nasal, provocando coceira e coriza.
De acordo com o DATASUS há 20 milhões de asmáticos no Brasil, doença que não tem cura, mas pode ser controlada. Trata-se de uma das enfermidades crônicas mais comuns, que atinge adultos e crianças e é uma das causas mais significativas de absenteísmo – ausência prolongada e/ou repetida de colaboradores em empresas – e de faltas escolares.
Já a sinusite afeta uma em cada oito pessoas em todo o planeta, de acordo com a Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (AAO-HNSF, na sigla em inglês) e é a quinta causa mais frequente de consumo de antibióticos.
O otorrinolaringologista Rael Lucas Matimoto, da Otorrino Rio Preto, explica que respirar pelo nariz é importante para que o ar inspirado seja filtrado, umidificado e aquecido antes de chegar às vias respiratórias inferiores. “O nariz tem funções importantes na respiração: ele filtra, aquece e umidifica o ar antes que ele chegue às vias respiratórias. Quando existe uma obstrução persistente, a pessoa pode passar a respirar pela boca, inclusive durante o sono. Isso pode provocar ressecamento e desconforto e também prejudicar a qualidade do sono. Por isso, nariz constantemente entupido não deve ser considerado normal.”
Em períodos de maior circulação de poeira e partículas no ambiente, alguns cuidados simples podem ajudar a reduzir a exposição aos agentes desencadeadores. Ficar atento aos espirros que interrompem o sono, obstrução nasal por semanas, chiado no peito ou dor na face indicam que a inflamação pode estar evoluindo para uma sinusite ou ter associações com a asma.
Na limpeza da casa, por exemplo, a recomendação é dar preferência ao pano úmido, evitando métodos que levantem poeira. Também é importante manter roupas de cama e ambientes limpos e reduzir o acúmulo de objetos que favoreçam a concentração de poeira.
Para quem apresenta sintomas durante a primavera, outro cuidado é observar a relação entre as crises e determinadas situações ambientais. Em dias secos e com vento, por exemplo, partículas e pólens podem se espalhar com maior facilidade. Fechar as janelas em momentos de maior circulação desses agentes e manter filtros de aparelhos de ar-condicionado limpos são medidas que podem ajudar pessoas sensíveis.
Quando necessário o alergista ou o otorrinolaringologista podem pedir exames, fazer ajustes na medicação e avaliar a imunoterapia com vacinas antialérgicas. O tratamento reduz a sensibilidade aos grãos das plantas e aos ácaros ao longo de três a cinco anos de aplicação.
Descongestionante não trata a causa
Um hábito comum de quem sofre com nariz entupido é recorrer por conta própria aos descongestionantes nasais. Apesar de proporcionarem alívio rápido da obstrução, esses medicamentos não devem ser utilizados indiscriminadamente.
Huber afirma que o descongestionante nasal pode proporcionar uma sensação de alívio muito rápida, mas esse efeito não significa que a causa do problema tenha sido tratada. “Quando utilizado de forma prolongada e sem orientação médica, pode provocar o chamado efeito rebote, fazendo com que o nariz volta a congestionar e levando a pessoa a usar o medicamento novamente. É justamente esse ciclo que queremos evitar”, comentou.
A orientação é sempre procurar avaliação profissional. “O mais importante é entender o que está provocando os sintomas. Rinite, sinusite, alterações estruturais do nariz e outras condições podem apresentar manifestações semelhantes, mas o tratamento não é necessariamente o mesmo. Se a obstrução nasal ou as crises são recorrentes, vale procurar um otorrinolaringologista para identificar a causa e definir a melhor conduta”, afirma Matimoto.

6 medidas para reduzir os alérgenos dentro de casa
Alguns cuidados simples na rotina doméstica podem ajudar a diminuir o contato com substâncias que provocam alergias, especialmente durante a primavera. Confira seis medidas que contribuem para manter os ambientes mais limpos e aliviar sintomas como espirros, coceira e congestão nasal:
- Mantenha as janelas fechadas em períodos críticos: evite abrir as janelas nas primeiras horas da manhã e em dias de vento forte, quando a concentração de pólen pode ser elevada.
- Tome banho ao voltar da rua: trocar de roupa e lavar os cabelos e a pele ajuda a remover partículas de pólen acumuladas durante as atividades ao ar livre.
- Prefira secar as roupas em locais cobertos: deixar peças no varal externo pode favorecer o acúmulo de pólen nos tecidos.
- Limpe o chão com pano úmido ou aspirador com filtro HEPA: esses métodos ajudam a remover a poeira sem espalhar tantas partículas pelo ambiente, como pode ocorrer ao varrer.
- Lave a roupa de cama semanalmente: a higienização regular ajuda a controlar os ácaros e outros agentes que podem desencadear crises alérgicas. Siga as instruções de lavagem de cada tecido e, quando possível, utilize água quente adequada à peça.
- Faça a higiene nasal com soro fisiológico: a lavagem nasal, especialmente à noite, pode ajudar a remover partículas acumuladas nas narinas ao longo do dia e aliviar o desconforto.
Além destes cuidados, é importante realizar algumas mudanças como:
- Manter a casa arejada, com atenção aos horários;
- Limpar a casa com pano úmido;
- Evitar tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia;
- Troque de roupa e tome banho assim que chegar em casa;
- Use óculos de sol ao sair;
- Beber bastante água;
- Manter o tratamento em dia.
Primavera aumenta atenção aos sintomas de rinite e outras alergias; especialista orienta sobre prevenção
As mudanças de temperatura, a presença de pólen e o tempo seco podem intensificar sintomas respiratórios durante a primavera. Espirros frequentes, coceira no nariz, coriza e congestão nasal estão entre os incômodos mais comuns nessa época do ano, especialmente entre pessoas com predisposição a alergias.
Para explicar por que esses sintomas se agravam, como diferenciar a rinite da sinusite e quais cuidados ajudam a reduzir as crises, o Portal Em Pauta com Fernanda Araújo conversou com o otorrinolaringologista Adriano Reis, da Otorrino Rio Preto. Na entrevista, o especialista destaca os principais fatores ambientais que afetam as vias respiratórias, orienta sobre medidas preventivas dentro de casa e explica quando o nariz entupido exige avaliação médica.

Entrevista com o otorrinolaringologista Adriano Reis
Portal Em Pauta: Por que os sintomas de rinite e outras alergias tendem a se intensificar durante a primavera?
Adriano Reis: A primavera traz mudanças de temperatura, umidade e circulação de partículas no ar. Para algumas pessoas, o aumento da presença de pólen, associado à poeira, ácaros e outros agentes ambientais, pode desencadear ou agravar uma crise alérgica. Além disso, períodos de tempo mais secos favorecem a irritação das vias respiratórias. É comum que pessoas que já têm rinite percebam mais espirros, coceira, coriza e nariz entupido nessa época.
Portal Em Pauta: Como as pessoas podem diferenciar uma crise de rinite de um quadro de sinusite? Quais sinais devem ser observados?
Adriano Reis: Na rinite alérgica, os sintomas mais característicos são espirros em sequência, coceira no nariz, coriza e obstrução nasal, muitas vezes relacionados à exposição a algum agente desencadeante. Já a rinossinusite pode apresentar sintomas como pressão ou dor na face, secreção nasal, alteração ou redução do olfato e sensação de congestão. É importante observar o conjunto de sintomas e sua duração, porque um nariz entupido, sozinho, não significa necessariamente que a pessoa esteja com sinusite.
Portal Em Pauta: Quais fatores ambientais, como poeira, tempo seco, poluição e mudanças de temperatura, mais contribuem para o agravamento dos sintomas?
Adriano Reis: Todos esses fatores podem contribuir, principalmente em pessoas que já têm alguma sensibilidade das vias respiratórias. A poeira e os ácaros são gatilhos bastante comuns para a rinite. O tempo seco resseca a mucosa nasal e pode aumentar o desconforto. A poluição e outras partículas suspensas no ar também podem irritar as vias respiratórias. Já as mudanças bruscas de temperatura podem desencadear sintomas em pessoas mais sensíveis. Por isso, conhecer os próprios gatilhos ajuda muito no controle das crises.
Portal Em Pauta: Quais cuidados simples podem ser adotados em casa para reduzir a exposição aos agentes que desencadeiam as crises alérgicas?
Adriano Reis: Algumas medidas simples fazem diferença. Na limpeza da casa, o ideal é utilizar pano úmido, evitando vassouras ou espanadores que levantem poeira. É importante manter roupas de cama limpas, reduzir o acúmulo de objetos e tecidos que concentrem poeira e cuidar da limpeza dos filtros do ar-condicionado. Em períodos de tempo muito seco ou quando há muita poeira no ambiente, também é interessante evitar deixar as janelas abertas por longos períodos. E, principalmente, cada pessoa deve observar quais situações costumam desencadear seus sintomas.
Em Pauta Portal: Em que situações o nariz entupido deixa de ser um sintoma comum e passa a exigir avaliação de um otorrinolaringologista?
Adriano Reis: Quando o nariz está constantemente entupido, quando os sintomas são frequentes ou interferem no sono, no trabalho, nos estudos ou na prática de atividades físicas, é importante procurar avaliação. Também merece atenção quando a pessoa precisa respirar pela boca com frequência, apresenta ronco, alteração persistente do olfato, sangramentos recorrentes ou sintomas que não melhoram. Nariz entupido de vez em quando pode acontecer, mas viver com o nariz obstruído não deve ser considerado normal. Existem diferentes causas para a obstrução nasal, desde rinite e inflamações até alterações estruturais. Identificar a causa é importante para indicar o tratamento adequado e evitar que a pessoa fique apenas tentando aliviar o sintoma por conta própria.
Sobre a Otorrino Rio Preto
A Otorrino Rio Preto oferece cuidado completo para a saúde auditiva, respiratória e vocal, com foco em diagnósticos precisos e tratamentos personalizados. Unindo tecnologia, experiência e acolhimento, a clínica reúne um corpo clínico altamente qualificado para atender pacientes de todas as idades, com humanização e atenção integral. O corpo clínico é formado pelos otorrinolaringologistas Adriano Reis (especialista em cirurgia de ouvido, reabilitação auditiva e implante cóclea – @dradrianoreis), Maury de Oliveira Faria Jr. (distúrbios de equilíbrio, zumbido e cirurgias de adenoide e amígdala – @dr.mauryfaria), Rubens Huber (cirurgias da laringe e voz, tratamento do ronco, apneia e sinusite – @drrubenshuber) e Rael Lucas Matimoto (rinoplastia, mentoplastia, lifting facial e outros procedimentos funcionais e estéticos – @dr.raelmatimoto). A clínica está localizada na Rua Cila, nº 3158 – Bairro Redentora, em São José do Rio Preto (SP). Informações: http://www.otorrinoriopreto.com.br.
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Fontes:
- CNN
- Hospital Paulista
- Dr. Luiz Paulo Kowalski






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