Especialista reforça a importância dos exames preventivos, do acompanhamento médico e de conhecer o próprio corpo para identificar possíveis alterações

Por Redação

Campina Grande, PB – 19/10/2026

O Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano, segundo estimativas do INCA, entre 2026 e 2028.  A campanha chama a atenção para uma doença que ainda apresenta números expressivos no Brasil. Entre as mulheres, a doença representa cerca de 30% dos novos casos de câncer, excluindo os tumores de pele não melanoma.

O câncer de mama é uma doença multifatorial que envolve vários fatores que não podem ser alterados quantos os hábitos diários que podem ser alterados para reduzir os riscos. A doença se manifesta quando as células passam a se multiplicar de forma desordenada, podendo formar um nódulo maligno, que em alguns casos acabam atingindo tecidos e órgãos.

Embora o público feminino seja o mais frequente, o câncer também pode atingir os homens. O câncer de mama e do colo de útero é a doença mais frequente ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos de vida saudáveis.

Entre as alterações genéticas que podem elevar o risco de desenvolver a doença estão as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, além de outros, como PALB2, CHEK2, BARD1, ATM, RAD51C, RAD51D e TP53.

Entre os sinais que merecem atenção estão o aparecimento de caroços ou áreas endurecidas na mama ou na axila, mudanças no tamanho ou no formato das mamas, retração do mamilo e saída espontânea de secreção pelo bico do peito. Alterações na pele, como vermelhidão, espessamento ou textura semelhante à de uma casca de laranja, também podem indicar a necessidade de investigação. Ao perceber qualquer mudança persistente, é importante procurar avaliação médica, independentemente da idade. Entre os sinais que podem levar à investigação estão:

  • Vários casos de câncer de mama na família;
  • Câncer de mama diagnosticado em idade jovem;
  • Câncer de ovário na família;
  • Câncer de mama em homem;
  • Determinados padrões de ocorrência de câncer em parentes consanguíneos.

A doença não costuma se desenvolver de forma única. Como a doença é multifatorial, há diversos fatores que contribuem e os riscos aumentam com a idade e também pode ter relação com questões hormonais, reprodutivos, excesso de peso, consumo de bebidas alcoólicas, sedentarismo, maior densidade mamária e histórico familiar, além de determinadas alterações genéticas hereditárias. Um ou mais fatores não significa que a pessoa desenvolverá a doença; da mesma forma, a doença pode atingir quem não apresenta os fatores de riscos. Por isso, as mulheres com sintomas ou não, devem ser avaliadas de forma individual.

Entre os sinais que podem levar à investigação estão:

  • Vários casos de câncer de mama na família;
  • Câncer de mama diagnosticado em idade jovem;
  • Câncer de ovário na família;
  • Câncer de mama em homem;
  • Determinados padrões de ocorrência de câncer em parentes consanguíneos.

Segundo orientações, a mulher deve conhecer a sua própria mama, estando atenta às mudanças que possam acontecer no cotidiano, como no banho ou ao trocar de roupa, e em casos de encontrar algo, buscar de imediato ajuda médica. Se autoconhecer é muito importante para perceber alterações que não estavam presentes, porém, não deve ser considerado um método de rastreamento com capacidade de substituir o exame de mamografia.

Fonte: Magnific/Reprodução

Para mulheres sem presença de sintomas aparentes, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento a cada dois anos dos 50 aos 74 anos, mas as mulheres de 40 a 49 anos também têm acesso à mamografia, após orientação sobre seus possíveis riscos e benefícios e decisão compartilhada com o profissional de saúde.

No momento do diagnóstico do câncer, o tratamento segue de acordo com o tipo e a extensão do tumor e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal, entre outras abordagens. Identificar de forma precoce favorece tratamentos mais oportunos e melhores resultados e chances altas de cura.

“A mamografia de rastreamento tem justamente o objetivo de identificar o câncer de mama precocemente, antes que surjam sinais ou sintomas perceptíveis. Nessa fase são encontrados os tumores mais iniciais com maior chance de cura”, explica a mastologista do IFF/Fiocruz, Viviane Esteves.

Quanto à prevenção, envolve a busca por reduzir os fatores modificáveis, como manter o peso corporal adequado, praticar atividade física regularmente, ter alimentação equilibrada e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas contribuem para diminuir o risco de câncer. A amamentação também exerce efeito protetor contra o câncer de mama.

Tais medidas não eliminam completamente a possibilidade de adoecimento, mas fazem parte de uma estratégia de cuidado que deve se estender por toda a vida. A campanha do Outubro Rosa, também vem com o intuito de desfazer a ideia de que os cuidados com as mamas devem acontecer a partir dos 40 anos.

“A mamografia não impede o surgimento da doença; ela serve para descobri-la o mais cedo possível”, explica a docente da Medicina Unifev, Profa. Esp. Kally E. G. de Lima, que também vem falar que a conscientização deve ir para além de exames; pois conhecer o próprio corpo, saber identificar as mudanças e compreender as diferenças entre a prevenção, rastreamento e o diagnóstico precoce são atitudes importantes para os cuidados com a saúde.

Um dos grandes equívocos que se pode fazer é pensar que a mamografia previne o câncer de mama. O exame serve para identificar as possíveis alterações antes mesmo do aparecimento dos sintomas, o que possibilita as maiores chances de diagnosticar a doença na fase inicial. “A mamografia não impede o surgimento da doença; ela serve para descobri-la o mais cedo possível”, explicou a professora.

A Campanha do Outubro Rosa também ajuda a combater mitos relacionados ao câncer de mama. De acordo com a mastologista do IFF/Fiocruz, sobre o uso dos anticoncepcionais hormonais, os estudos apontam uma pequena elevação do risco durante o uso atual ou recente.

“Isso não significa que quem usa anticoncepcional desenvolverá a doença. Estima-se cerca de um caso adicional a cada 7.600 a 8.000 mulheres usuárias ao longo de anos de acompanhamento. Não se recomendam a suspensão generalizada dos anticoncepcionais com base apenas nesse risco leve, a escolha do método deve ser individualizada, considerando a idade, o histórico de saúde, os fatores de risco e os benefícios da contracepção”, explicou a mastologista.

Fatores hormonais e reprodutivos

Algumas características da história hormonal e reprodutiva da mulher podem estar associadas ao aumento do risco de desenvolver câncer de mama, entre elas:

  • Primeira menstruação antes dos 12 anos;
  • Menopausa após os 55 anos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Não ter tido filhos;
  • Uso prolongado de determinados contraceptivos hormonais;
  • Terapia de reposição hormonal após a menopausa, especialmente quando realizada por períodos prolongados.

Fatores de risco para o câncer de mama

Fatores não modificáveis

  • Envelhecimento: O risco de desenvolver câncer de mama aumenta com o passar dos anos, sendo mais elevado entre mulheres com mais de 50 anos.
  • Histórico familiar: Ter familiares de primeiro grau, como mãe, irmã ou filha, que tiveram a doença pode aumentar o risco, especialmente quando há vários casos na família ou diagnósticos em idade precoce.
  • Alterações genéticas: Mutações hereditárias em genes como BRCA1 e BRCA2 estão associadas a uma maior predisposição ao câncer de mama. Estima-se que fatores hereditários estejam relacionados a uma parcela dos casos da doença.

Fatores modificáveis: hábitos e estilo de vida

  • Excesso de peso e obesidade: O acúmulo excessivo de gordura corporal está associado ao aumento do risco, principalmente após a menopausa.
  • Sedentarismo: A falta de atividade física regular pode contribuir para o desenvolvimento da doença. Manter uma rotina de exercícios é uma das medidas que ajudam a reduzir esse risco.
  • Consumo de bebidas alcoólicas: A ingestão de álcool está relacionada ao aumento do risco de câncer de mama, que pode crescer conforme a quantidade consumida. Por isso, reduzir o consumo é uma medida importante para a proteção da saúde.
Fonte: Magnific/Reprodução

Para a médica ginecologista, obstetra e mastologista Dra. Monique Novacek, da Clínica Mantelli, a campanha é também uma oportunidade para lembrar que o cuidado com a saúde não deve acontecer apenas diante de algum sintoma.

“O Outubro Rosa é um mês muito importante para reforçarmos a prevenção, mas esse cuidado precisa fazer parte da rotina da mulher durante todo o ano. Manter as consultas e os exames indicados em dia e conhecer o próprio corpo são atitudes fundamentais”, afirma a médica.

A idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de mama, com maior incidência a partir dos 50 anos. Histórico familiar, alterações genéticas, excesso de peso, sedentarismo e consumo de álcool também estão entre os fatores relacionados à doença. Por isso, segundo a especialista, o acompanhamento deve considerar a idade, o histórico e os fatores de risco de cada mulher.

Um outro aspecto que nem sempre recebe atenção nas campanhas é a densidade mamária. Isso porque as mamas têm uma composição baseada em diferentes proporções de tecido glandular, tecido fibroso e gordura. Quando a mama possui uma maior quantidade de tecido fibroglandular, é considerada densa. E no exame mamográfico, o risco da densidade da mama pode dificultar a visualização dos tumores.

“Nas jovens, mamas mais densas podem dificultar a avaliação pela mamografia, assim uma alteração suspeita deve ser investigada em qualquer idade. Em mulheres jovens além da possibilidade de predisposição hereditária deve-se levar em consideração a preservação da fertilidade”, afirma a mastologista.

A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento regular da saúde podem contribuir para a redução do risco de câncer de mama. Embora não seja possível prevenir todos os casos, algumas medidas ajudam a promover a saúde e favorecem a identificação precoce de possíveis alterações. Entre as principais recomendações estão:

  • Praticar atividade física regularmente;
  • Manter o peso corporal adequado;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Não fumar;
  • Amamentar, quando possível;
  • Manter acompanhamento adequado de saúde;
  • Conhecer os fatores de risco individuais;
  • Procurar avaliação profissional diante de alterações nas mamas.

Monique lembra ainda que observar as mamas e perceber eventuais mudanças é importante, mas não substitui a avaliação médica nem os exames de rastreamento indicados. “Autocuidado também significa não adiar uma consulta porque estamos nos sentindo bem. A prevenção começa justamente antes de aparecerem os sintomas”, conclui.

O câncer de mama pode apresentar diferentes sinais e sintomas, que variam de acordo com cada caso. Conhecer o próprio corpo e observar mudanças persistentes nas mamas é importante para identificar possíveis alterações. Embora nem todos os sinais indiquem câncer, a presença de qualquer um deles merece atenção e deve ser avaliada por um profissional de saúde. Entre as alterações que merecem atenção estão:

  • Nódulo na mama;
  • Nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho;
  • Saída espontânea de líquido por um dos mamilos;
  • Alteração persistente na pele da mama;
  • Aumento progressivo do tamanho da mama;
  • Pele com aspecto semelhante à casca de laranja;
  • Retração da pele;
  • Mudança no formato do mamilo;
  • Nódulos na região das axilas ou do pescoço.

Clínica Mantelli

Atendimento especializado e exclusivo à Saúde da Mulher – bem-estar, prevenção de doenças, diagnósticos e tratamentos.

Equipe multidisciplinar para atender as necessidades das pacientes: Ginecologia, Obstetrícia, Mastologia, Nutrição, Reprodução Humana, Pediatria, Plástica, Endocrinologia e Metabologia, Cardiologia, Vacinas, Boa Forma, entre outros.

Site: https://clinicamantelli.com.br/

Fontes:

  • Unifev
  • APM – Associação Paulista de Medicina
  • Blog MedCof

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