Pesquisa aponta o ambiente escolar como o local de maior incidência de discriminação; literatura negro-afetiva surge como ferramenta essencial de combate ao preconceito na infância.

Por Vanessa Centeno

Peleotas, RS – 20/10/2026

Segundo dados de um levantamento feito pelo Datafolha, 16% das crianças de até 6 anos já sofreram racismo, de acordo com a percepção de seus responsáveis. A pesquisa ouviu 2.206 pessoas em todo o Brasil — das quais 822 são responsáveis por crianças nessa faixa etária — e apontou que as instituições de educação infantil e o ambiente escolar são os locais onde os pequenos mais enfrentam o preconceito racial.

Frente a esse cenário, especialistas e educadores destacam a urgência de debates sobre igualdade e diversidade desde os primeiros anos de vida. Uma das ferramentas mais eficazes nessa transformação cultural é o incentivo à representatividade negra na literatura infantil.

A força da representatividade na literatura infantil

Quantos livros infantis com personagens negros você leu ao longo da sua vida? A resposta, sem dúvida, depende da época em que você cresceu e do acesso que teve ao universo literário.

Se no passado a representatividade negra esteve invisibilizada, hoje o cenário começa a mudar. Diversos autores negros têm conquistado espaço para trazer visibilidade a histórias de protagonismo, permitindo que crianças negras vejam a si mesmas construindo seus sonhos e superando desafios.

Gerações inteiras de homens e mulheres negros que fizeram a diferença na história do país por vezes só tiveram seu valor reconhecido após a morte. Hoje, contudo, o compromisso é no presente: pais, educadores e a sociedade têm o papel de ensinar as crianças a não reproduzirem comportamentos racistas e, acima de tudo, apoiar o desenvolvimento de seus talentos para a construção de um futuro mais justo.

Entrevista: “Toda criança tem o direito fundamental de se ver e se reconhecer representada nos livros que lê”

Para entender melhor o impacto da literatura na formação infantil, conversamos com a professora e escritora Simone Cristina Reis Conceição Rodrigues. Mestre em Ciências Sociais em Artes na Educação Infantil, ela é autora do livro infantil Alice e o Unicórnio Encantado.

Confira a entrevista a seguir:

O que a motivou a escrever “Alice e o Unicórnio Encantado”?

“Escrevi este livro porque acredito profundamente no poder da literatura negro-afetiva — um conceito fundamentado pela escritora Sônia Rosa que coloca o afeto, a autoestima e a identidade no centro das narrativas. Toda criança tem o direito fundamental de se ver e se reconhecer representada nos livros que lê.”

Créditos: Foto Divulgação

Por que abordagens como esta são importantes na infância?

  • Representatividade e Acolhimento: “Como professora, vejo diariamente no olhar dos meus alunos a diferença que faz encontrar personagens que se parecem com eles vivendo aventuras mágicas e inspiradoras.”
  • O Lúdico e o Afeto: “Alice e o Unicórnio Encantado une o encanto do universo fantástico à construção de laços afetivos positivos, permitindo que crianças negras e não negras cultivem a empatia, o respeito e o amor-próprio desde a infância.”
  • A Literatura como Direito: “Acredito que a infância precisa ser nutrida com histórias em que a diversidade é celebrada e onde cada criança se sinta protagonista.”

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