Campanha de conscientização sobre o câncer de mama também pode ser uma oportunidade para discutir autocuidado, sobrecarga e a importância de buscar ajuda psicológica

Por Redação

Campina Grande, PB – 21/10/2026

O Outubro Rosa é tradicionalmente marcado por ações de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, além de reforçar o cuidado com a saúde emocional em todas as etapas do diagnóstico à recuperação. O movimento do Outubro Rosa, surgiu na década de 1990 nos Estado Unidos, com a criação do laço cor de rosa, símbolo da campanha. Se tornando popular pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, que distribuiu os laços durante a corrida beneficente Race for the Cure, realizada para arrecadar fundos e promover a conscientização sobre a doença. No Brasil a campanha começou a ganhar popularidade nos anos 2000, tendo a primeira iniciativa com a iluminação do Obelisco do Ibirapuera, em 2002, na cidade de São Paulo.

“A campanha Outubro Rosa tem grande relevância, uma vez que motiva mulheres quanto ao autocuidado, dissemina informações de prevenção, direitos já adquiridos e informações sobre fluxo de atendimento. Por outro lado, traz oportunidade de depoimentos de mulheres sobreviventes e seus desafios diários de resgate de sua autoestima e suas atividades profissionais e sociais, com novos tratamentos”, observa a ginecologista e chefe da Unidade de Saúde da Mulher do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/HU Brasil), Michelle Rodrigues.

Mas, para o psicólogo clínico Luti Christóforo, a campanha também pode ser uma oportunidade para ampliar o olhar sobre a saúde da mulher e discutir aspectos que muitas vezes ficam em segundo plano, como saúde emocional, autocuidado e a dificuldade de priorizar as próprias necessidades. A campanha promove o diagnóstico precoce, que aumenta as chances de cura em mais de 90%. Integrando também o bem-estar psicológico ao cuidado médico.

Pilares da campanha Outubro Rosa

  • Diagnóstico precoce: A realização de exames de rotina, como a mamografia, é fundamental para identificar possíveis alterações nas mamas. A indicação e a periodicidade dos exames devem considerar a faixa etária, o histórico de saúde e as orientações dos profissionais de saúde.
  • Autoconhecimento: Conhecer o próprio corpo e observar mudanças nas mamas é uma forma de cuidado. Sinais como nódulos, alterações na pele e secreção espontânea pelos mamilos merecem atenção e avaliação médica.
  • Apoio emocional: O acolhimento psicológico é importante para ajudar pacientes e familiares a enfrentar os medos, a ansiedade e os desafios que podem surgir durante o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama.
  • Estilo de vida saudável: Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente são hábitos que contribuem para a saúde e podem ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento da doença.

O câncer de mama se forma nas células dos seios e é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres do mundo. Por ano no Brasil há o aumento de novos casos de câncer de mama. É raro, mas este tipo de câncer também atinge homens, em torno de 1% do total de casos da doença.

Créditos: saudelogia.com.br

De acordo com os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), havia a estimativa de que 66,54 novos casos seriam diagnosticados a cada 100 mil mulheres entre 2023 e 2025. Ou seja: era esperado o surgimento de mais de 73 mil casos naquele período.

Em muitos casos, o câncer de mama pode ser identificado em estágios iniciais, quando as chances de sucesso do tratamento tendem a ser maiores. O sinal mais frequente é o surgimento de um nódulo na mama, geralmente indolor e com pouca ou nenhuma mobilidade.

Outras alterações que merecem atenção incluem:

  • Mudanças na pele das mamas, como vermelhidão, retrações ou textura semelhante à casca de uma laranja;
  • Alterações nos mamilos, como mudanças no formato ou retração;
  • Presença de pequenos nódulos nas axilas ou na região do pescoço;
  • Saída espontânea de secreção pelos mamilos, especialmente quando ocorre de forma incomum.

É importante ressaltar que esses sinais também podem estar relacionados a outras condições de saúde, nem sempre associadas ao câncer. Por isso, ao perceber qualquer alteração persistente, é fundamental procurar um profissional de saúde para avaliação e diagnóstico adequados. Estes sinais devem ser analisados, pois podem ter relação com a forma benigna da mama.

O câncer de mama pode se manifestar de diferentes formas, de acordo com o tecido em que a doença se desenvolve. Entre os tipos mais conhecidos, estão:

  • Carcinoma ductal: é o tipo mais frequente e se origina nas células que revestem os ductos mamários, responsáveis por conduzir o leite até o mamilo.
  • Carcinoma lobular: tem início nos lóbulos mamários, estruturas responsáveis pela produção do leite materno.
  • Sarcomas de mama: são tumores raros que se desenvolvem nos tecidos de sustentação da mama, como os tecidos conjuntivos, que incluem estruturas como gordura, músculos e vasos sanguíneos.

Além desses, existem outras formas menos comuns da doença, entre elas:

  • Câncer de mama inflamatório: uma forma rara e agressiva, que pode provocar vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura da pele da mama.
  • Doença de Paget da mama: afeta principalmente a pele do mamilo e, em alguns casos, a região ao redor, podendo causar vermelhidão, descamação e coceira.
  • Tumor filoide: desenvolve-se no tecido conjuntivo da mama e pode apresentar comportamento benigno, limítrofe ou maligno.
  • Angiossarcoma: tipo raro de câncer que se origina nas células que revestem os vasos sanguíneos ou linfáticos.
  • Câncer de mama masculino: embora seja incomum, também pode atingir homens, pois eles possuem tecido mamário, ainda que em menor quantidade.

A identificação do tipo de câncer é fundamental para que a equipe médica define a abordagem terapêutica mais adequada para cada paciente. Quanto ao diagnóstico, a realização de exames de imagem é muito importante. A mamografia (radiografia das mamas feita por aparelho de raio-x), é o principal exame para a detecção da doença, que possui a capacidade de mostrar quaisquer alterações antes mesmo do sentir pelo toque.

De acordo com o resultado, é realizada uma biópsia, que faz a retirada de uma pequena parte do nódulo para ser avaliado em um laboratório, que faz o exame histopatológico. Após estas etapas é que o médico confirma a existência da doença.

A definição do tratamento do câncer de mama depende de uma avaliação individualizada, que considera as características do tumor, a localização dos nódulos e a existência ou não de metástases, quando a doença se espalha para outras partes do corpo. Também são levados em conta os aspectos biológicos do câncer e as condições gerais de saúde da paciente, como idade, presença de outras doenças, a exemplo da obesidade e da cirrose hepática, e a proximidade da menopausa.

Créditos: Magnific/Reprodução

As opções de tratamento são divididas em duas categorias principais:

  • Tratamento local: inclui procedimentos direcionados à região afetada, como cirurgia e radioterapia. Em alguns casos, também pode envolver a reconstrução mamária.
  • Tratamento sistêmico: atua no organismo e pode incluir quimioterapia, hormonioterapia e terapias biológicas, conforme as características da doença e a indicação médica.

Quando o diagnóstico é realizado logo no início, as chances de cura são maiores. Dependendo da gravidade da doença, o tratamento pode ter como objetivo o prolongamento da sobrevida e da melhoria da qualidade de vida. Em alguns casos a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é a mais indicada. No entanto, deve ser realizada com o total rigor médico e pelo tempo mínimo necessário.

De maneira geral, a prevenção do câncer de mama envolve a adoção de hábitos saudáveis e o controle dos fatores de risco associados à doença. Entre as principais recomendações estão:

  • Manter o peso corporal dentro de uma faixa considerada saudável, com orientação de profissionais de saúde;
  • Adotar uma alimentação equilibrada e variada;
  • Praticar atividades físicas regularmente;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Abandonar o tabagismo, reduzindo os riscos associados ao uso do cigarro.

Segundo o psicólogo, a rotina de muitas mulheres é marcada pela sobreposição de responsabilidades. Trabalho, família, filhos, relacionamentos, tarefas domésticas e outras demandas fazem com que o cuidado com os outros frequentemente seja colocado à frente do cuidado pessoal. “Durante muito tempo, muitas mulheres aprenderam que deveriam cuidar de todos antes de cuidar de si mesmas. O problema é que esse ‘depois’ pode se prolongar por meses ou até anos”, afirma Luti.

Para ele, falar sobre autocuidado também significa falar sobre prevenção. Além do acompanhamento médico e da realização dos exames recomendados, é importante que a mulher esteja atenta aos sinais apresentados pelo próprio corpo e não adie a investigação de sintomas ou alterações que mereçam atenção.

Esse olhar também deve incluir a saúde emocional. Ansiedade, tristeza persistente, irritabilidade, insônia, exaustão e uma sensação constante de sobrecarga podem ser sinais de que algo não está bem e, segundo o psicólogo, não deveriam ser simplesmente naturalizados como parte da rotina feminina. “A mulher pode ser forte, independente e capaz de enfrentar muitas dificuldades e, ainda assim, precisar de ajuda. Procurar apoio psicológico não significa fraqueza. Significa reconhecer que aquilo que ela sente também merece atenção”, explica.

Luti também chama atenção para a maneira como o conceito de autocuidado é apresentado. Em uma rotina já marcada por inúmeras responsabilidades, transformar o autocuidado em mais uma lista de tarefas pode produzir justamente o efeito contrário, aumentando a sensação de culpa e insuficiência.

O cuidado pode começar por atitudes possíveis dentro da realidade de cada mulher, como reconhecer o próprio cansaço, estabelecer limites, dividir responsabilidades, reservar momentos de descanso e procurar ajuda quando necessário. Realizar os exames médicos é muito importante, mas a promoção do autocuidado e da saúde é preciso que algumas medidas como estilo de vida que abrange alguns pilares:

  • Alimentação;
  • Sono;
  • Atividade física;
  • Controle do estresse;
  • Vínculos sociais saudáveis;
  • Prevenção de comportamentos de risco.

Todos estes fatores influenciam bastante na saúde emocional, no metabolismo, dos hormônios e da imunidade.

“Cuidar de si não precisa significar fazer grandes mudanças de uma vez. Às vezes, começa simplesmente quando a mulher reconhece que está cansada e entende que não precisa continuar suportando tudo sozinha”, afirma. O psicólogo ressalta ainda que a sobrecarga feminina não deve ser entendida apenas como uma responsabilidade individual. A divisão das tarefas domésticas, o apoio familiar, os relacionamentos e as condições de trabalho também influenciam diretamente a possibilidade de uma mulher cuidar da própria saúde.

Na avaliação de Luti, a busca por atendimento psicológico não precisa acontecer apenas quando o sofrimento já atingiu um nível elevado. A psicoterapia pode ser procurada diante de dificuldades emocionais, conflitos, sensação de sobrecarga ou mesmo quando existe a percepção de que a maneira de viver já não está fazendo sentido.

“Não é necessário chegar ao limite para procurar ajuda. Muitas vezes, perceber que algo não está bem já é um motivo suficiente para buscar um espaço de escuta e reflexão”, afirma. Nesse sentido, o Outubro Rosa pode servir como um lembrete para que a mulher olhe para a própria saúde de maneira mais ampla. Além de perguntar quando foi o último exame ou consulta médica, pode ser importante perguntar também como estão o sono, as emoções, os relacionamentos, os limites e a qualidade de vida.

Créditos: Magnific/Reprodução

Para Luti Christóforo, cuidar de si não significa deixar de cuidar das pessoas que fazem parte da vida. Significa reconhecer que a própria saúde também precisa ocupar um lugar de importância. “O cuidado começa quando conseguimos olhar para nós mesmos com a mesma atenção que tantas vezes dedicamos aos outros. Prevenção também é escuta, atenção e cuidado. E cuidar de si é uma forma de respeito pela própria vida”, conclui.

Luti Christóforo

Psicólogo Clínico

CRP 08/18577

(41) 99809-8887

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Fontes:

  • Hospital Israelita Albert Einstein
  • Universidade Federal do Piauí

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