Aparecimento de nódulos ou caroços nas mamas é um dos sinais perceptíveis
Por Redação
Campina Grande, PB – 29/10/2026
A campanha Outubro Rosa tem o objetivo de conscientizar e promover a prevenção do câncer de mama. No ano passado, foram registrados mais de 73 mil casos da doença, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). E, apesar de pouco abordado, o câncer de mama também pode atingir os pets, especialmente cães e gatos, ao qual podem aparecer nódulos ou caroços no tecido mamário.
Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, entre 45 a 50% das cadelas podem desenvolver câncer de mama, sendo mais comum na faixa etária dos 10 a 12 anos. Nas felinas, esse número pode ser de 30%, nas que estão na faixa etária dos 7 aos 12 anos.
Na maioria das vezes o câncer pode ser maligno, com taxa de 50% para as cadelas e 80% para as gatas. E o desenvolvimento se dá devido a ação desordenada dos hormônios sexuais, que promovem a proliferação de células “anormais”. Essa desordem nos hormônios tem como causa, o cio, gravidez psicológica ou a ação de medicamentos anticoncepcionais (que são desaconselhados pelos profissionais), além da idade avançada, obesidade, dietas hipercalóricas e predisposição genética.
O câncer também pode atingir os machos, embora não seja comum, um número de 1 a 3% dos casos diagnosticados. Apesar da baixa incidência, possui uma alta taxa de malignidade, já que eles também possuem glândulas mamárias e ação hormonal, mesmo que baixa.
O câncer de mama é o tumor mais comum em cadelas em cadelas, e o terceiro mais frequente em gatas, segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Paraíba. Esta realidade atinge milhares de pets por ano. Assim como em humanos, nos pets a taxa é bastante alta.
“Por meio do tato o dono consegue diferenciar uma glândula mamária normal e uma com nódulo. A identificação da doença pode acontecer ao fazer carinho no animal que, inclusive, gosta muito destas carícias na região abdominal”, explica a professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Kennedy, Nayara Belo.
A médica veterinária Scarlatt Karollayne, responsável técnica da Clínica-Escola de Medicina Veterinária da UNINASSAU Campina Grande, explica que o câncer de mama em pets pode ser identificado por meio de alguns sinais do corpo. “É o caso do aparecimento de nódulos ou caroços nas mamas. Inicialmente, eles podem ser pequenos. Além disso, muitas vezes, o animal não apresenta dor ou alterações no comportamento”.
Mesmo não sendo a principal causa do câncer de mama nos pets, a dieta inadequada também pode favorecer o aparecimento da doença, como obesidade e alterações metabólicas, que prejudicam a saúde do animal. “Uma alimentação equilibrada e o controle do peso são importantes. Além disso, é preciso considerar fatores hormonais, genéticos, idade e histórico reprodutivo. No caso dos tumores mamários, a exposição aos hormônios sexuais tem uma influência importante”, pontua.
A médica veterinária ainda explica a importância de o tutor observar a região das mamas dos pets para verificar se há nódulos ou caroços. “Durante momentos de carinho, procure por aumento de volume, alterações na pele ou secreções”, acrescenta.
A castração do animal pode ser uma medida que reduz o câncer de mama, pois diminui a exposição dos hormônios sexuais. “Estrogênio e progesterona estão relacionados ao desenvolvimento dos tumores mamários. É importante lembrar que a castração reduz o risco, mas não elimina completamente a possibilidade da doença. Por isso, os pets castrados precisam de acompanhamento veterinário e observação regular”, finaliza a médica veterinária.
Como fazer o autoexame em casa
Você pode realizar uma palpação simples uma vez por mês, com o animal deitado de barriga para cima ou de lado:
- Toque suave: Passe os dedos delicadamente ao longo de toda a cadeia mamária (de um lado ao outro), indo da região do peito até a virilha.
- Tamanho inicial: No começo, os caroços podem ser pequenos, semelhantes a um grão de arroz.
- Axilas e virilha: Não se esqueça de apalpar essas áreas, pois os linfonodos também podem ser afetados.
Principais sinais de alerta
Além dos caroços, observe se há:
- Inchaço, vermelhidão ou aumento de temperatura nas mamas.
- Feridas que não cicatrizam na pele próxima às mamas.
- Presença de secreções ou sangramento pelos mamilos.
- Dor ao toque (embora, no início, os tumores muitas vezes não causem dor).
- Sintomas avançados como falta de ar ou apatia, caso a doença tenha se espalhado (metástase).

O que fazer ao identificar uma alteração
Se notar qualquer caroço ou alteração, leve o pet imediatamente a um médico-veterinário. O profissional poderá solicitar exames como citologia, biópsia, ultrassonografia ou raio-X para confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento, que geralmente envolve cirurgia. O câncer pode atingir um dos lados da mama ou os dois, e na maioria das vezes o tumor pode atingir as mamas abdominais caudais, que são as mamas finais.
Quando o câncer se encontra em estágio avançado, é possível que o pet apresenta outros sintomas como: prostração, perda de apetite, apatia, fraqueza, dificuldade para respirar, tosse e mudança na coloração da mucosa, em específico quando o tumor se espalha para outros órgãos (metástase).
De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo, quando a castração da cadela é realizada até o primeiro cio, há uma redução de 99% do risco de câncer de mama, enquanto que no terceiro cio é de 85%. Nas gatas, a castração reduz o desenvolvimento do câncer em 90%, principalmente quando a cirurgia ocorre antes do primeiro cio.
Além disso, a castração tem outros benefícios como: prevenir outras doenças no aparelho reprodutor como piometra, pseudociese (gravidez psicológica) e o tumor de útero e ovário.
Mais detalhes e orientações podem ser conferidos no portal da UNINASSAU ou na PUC-Campinas.






Deixe um comentário